domingo, 3 de janeiro de 2016

REPÚBLICA DE PORTUGAL I - RES PUBLICA LUSITANAE I - REPUBLIC OF PORTUGAL I

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REPÚBLICA I (1910-1926)

Nas eleições constituintes de 1911 foram desmascaradas as farsas:
O sufrágio restrito da lei era ambíguo porque o legislador referiu-se ao chefe de família
A pensar que estava a escrever em latim pater familias
Esquecendo-se das Mater Familias, que grande hipocrisia

A médica e chefe de família Carolina Beatriz Ângelo
Colocou a nu a questão
O tribunal deu-lhe razão
Votou no masculino castelo

Os mesquinhos legisladores eleitos logo trataram de amesquinhar
E de o conceito de chefe de família aclarar
Para a Mulher discriminar
E em 1913 do seu poder de representação abusar

Estava dado o mote do que era o novo regime
Com a sua cultura infame
Não democrática, que não defendia a Democracia
Uma via para o salto de tirania em tirania

E seria isso o que a formal república seria
A heroína Carolina Beatriz Ângelo de exaustão
Contra a republica que de mulher só tinha a sua hipócrita representação
Logo em 1911 faleceria

Diria que Afonso Costa era o único republicano com valor
Mas que valor tem uma pessoa que violento era e que a violência incita?
Que compara em 1906 os menores crimes de Luís XVI com os de Carlos I e a guilhotina cita?
O que viria a seguir traria a Portugal e às suas Pessoas muita dor

E daria força a forças inspiradas no emergente e italiano fachismo
A horrível tirania mesquinha do salazarismo
O retorno do clerical e cerejista beatismo
Mais um grande desatre histórico para o Luso Latino Humanismo

A república mais mal traria
E as Pessoas trairia
Afonso Costa era um autoritário
Que via no Partido Republicano o único necessário

Mas em 1912, que ironia, já liderava o Partido Democrático da cisão em três
Contra o Partido Evolucionista e o Partido Unionista, em que o republicano se desfez
O que se tinha unido contra a monarquia pelo ganância do poder
Estava agora dividido pela mesma razão, para o poder ter

Os governos e os deputados multiplicam-se
E múltiplas decisões sucediam-se
Anti clericais umas
Marciais outras

Em 1914 vai entrar na grande guerra mundial
O que vai ser um desastre militar e sócio-económico para Portugal
Primeiro em África e depois na Europa
Morreram tantas pessoas na tropa

Mas a hegemonia do regime parlamentar é do Partido Democrático, de facto o Republicano
Que nas eleições de 1911 tinha ganho 229 mandatos em 234 de 846.801 votantes
Tendo cada candidato republicano sido automaticamente nomeado
Excepto no círculo de Lisboa  da oposição do Partido Socialista, com 2 representantes

E nas eleições legislativas de 2015 o Partido liderado por Afonso Costa tem 106 em 163 deputados
O Partido Evolucionista 26 mandatos
Apenas 15 o Partido Unionista   
E dois o Partido Socialista

A guerra mundial vai apertar ainda mais a tirania czarista
E em Fevereiro de 1917 liberais e socialistas libertam a Rússia
A Duma passou a exercer o seu poder parlamentarista
Passa a existir uma República e uma potencial Democracia 

Do exílio em Zurich na Suiça germânica
O exilado Lenine é jogado no tabuleiro de xadrez
Assim a Alemanha o fez
Para desestabilizar a sua potência inimiga

E de facto o extremista que de Marx tinha o básico extrapolado   
Antes de Trotski em Maio, chega em Abril à Rússia para a minar
«Todo o poder aos sovietes» pretendia duramente ditar
O poder nos sovietes, duplo poder russo a ser manipulado

O líder socialista Kerenski dá à guerra continuidade
E as defendidas liberdade individual e respeito pela propriedade
Eram constantemente negados por uma Rússia em degradação
Com escassez alimentar, inflação e deserção

Os bolcheviques (maioritários) minoritários socialistas autocratas
Contra os mencheviques (minoritários) maioritários socialistas democratas
Estala o golpe dos primeiros que consegue usurpar o poder
Mas não em todos os territórios, como é o caso da Ucrânia, que não conseguem deter

Jaime Batalha Reis, embaixador de Portugal em Moscovo
Tem dificuldade em regressar ao seu Povo
Em 1918 a guerra civil é despoletada
A Rússia pelo czarismo e pelo kaiserismo foi enredada

E também em 1917 Sidónio Pais lidera um golpe militar
Para a hegemonia do Partido Democrático acabar
Para a sua ditadura começar
E para a futura ditadura se anunciar

Aproxima-se da Igreja Católica
Fernando Pessoa chamou-lhe Presidente-Rei, com a sua semelhança monárquica
E o desastre da guerra minorado pela vitória aliada vai fragilizar o ditador
Que com repressão tenta repelir a rebelião e atraí sobre si a alheia e própria dor

O seu assassinato é a horrorosa violência que gera ainda mais violência
As sementes autocráticas são amplificadas na vontade da sidónia ordem
Que coloque em causa a anarquia e desordem
Salazar ligado aos meios académicos e católicos é em 1921 eleito deputado, mas abdica ao 3.º dia

Fasces lictoriae, os feixes do lictor, símbolo da força da união e da penalização pelo poder
Pelo horrendos paramilitares fasci italianos, repescado do Dominato vai ser
De um período de monarquia despótica que antecede a queda de Roma
O ex socialista Mussolini vai liderar os fascistas que pela força em 1922 a vão tornar um carcinoma

O imperador Adriano perante a eminente auto destruição cancerosa escreveria o seu logos:
Animula, vagula, blandula / 
Hospes comesque corporis / Quae nunc abibis in loca / Pallidula, rigida, nudula, Nec, ut soles, dabis iocos...   

Entre o socialismo e o nacionalismo despóticos
A diferença tinha que ser visualizada com meios ópticos
Assalto ao poder do Estado sem perdão
E o Estado a esmagar a Nação

Hitler, frustrado pintor e soldado, está muito atento
E procura continuamente o seu momento
Pela força e pelo consenso
Pela lança e pelo manipulado senso

Em 1923 lidera os nacionalistas socialistas para militares num golpe
Mas em Munique ainda não era o momento histórico para a sua sorte, nem para a sua morte
Mas as parcas estavam atentas
De uma trama complexa estavam sedentas

Para o julgamento e prisão vai parar
E a partir daí tudo recomeçar
Escreve o Mein Kampf, a sua luta
Que vai causar uma brutal disputa

Os germânicos pouco a pouco vão aderir
Nem imaginam o que mais tarde vão sentir
As autoridades bávaras
Vão ser efectivamente bárbaras

Hitler criminoso vai ser rapidamente liberto
Enquanto que para Gramsci nunca o portão será aberto
Mas na sua prisão se vai pelo logos se libertar
Das ilusões soviéticas que vai denunciar

Para a Democracia vai legar
A aproximação entre dirigentes e dirigidos despertar
Em 1922 a resultante dialéctica com milhões de vítimas é a ascensão soviética dos vermelhos
Contra os brancos, pretos e verdes, camponeses, que se defendiam dos exércitos alheios

O poder dos sovietes passa a ser o poder dos bolcheviques cristalizado
Com muita força e com pouco consenso, sempre em minoria
Na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas o futuro da Rússia, da Ucrânia e da Europa é tramado
Milhões de Pessoas vão ser vítimas, a imensa maioria

Os empresário, o proletário, o camponês, o produtor vai ser ceifado e martelado
Após muitas atrocidades a anima de Lenin em 1924 desaparece
Fica o seu corpo religiosamente embalsamado
E uma triga, troika, aparece

Mas é o monstro Stalin que prevalece
Vai esmagar todo o efectivo, potencial ou imaginário concorrente por uma tirânica força que acontece
O cancro soviético, dito comunista, tinha sido alastrado internacionalmente
Em 1921, uma sua filial, o Partido Comunista Português é fundado como semente

E o líder do braço armado do Partido Democrático
A Guarda Nacional Republicana
A sua poderosa guarda pretoriana
Liberato Pinto, lidera novo governo a que pediam para ser autocrático

Quando cai e é afastado da força pretoriana
Despoleta-se uma violenta revolta
O novo regime é demasiado horrível e real para se poder chamar uma anedota
Pela violência apareceu, pela violência viveu, pela violência teria uma finalização espartana

Criou-se um monstro de poder sem controlo
E o ex líder da Guarda acaba por ser preso em 1922 por desvio de fundos
A lógica oligárquica e a pobreza impera
Enquanto que nos liberais Estados Unidos da América se prospera

Em 1923 dá-se um golpe de Estado em Espanha, liderado por Miguel Primo de Rivera
Contra os «profissionais da política» vai instaurar uma ditadura com apoio real e sem Primavera
«Dictadura con rey» procura reafirmar o orgulho espanhol abalado pelo recente desastre em Marrocos
E pela perda em 1998, das colónias de Cuba, Porto Rico e Filipinas para os Estados Unidos

Ao contrário de Portugal, havia bases industriais em Espanha
Com destaque para o País Basco e para a Catalunha
Que vão se expandir e fazer com que a agricultura desça para 45% o seu peso no emprego
Incentivadas pela política económica seguida de forte intervenção do Estado e protecção do espanhol ego

Aversão à concorrência externa e interna, intensamente
Forte despesa pública em infraestruturas e burocracia, nomeadamente
Financiada com forte e público endividamento
Não vai ter na realidade sustento

Mas pior é a lusa desgraça económica manifesta na inflação ligada à desgraça política em evidência
Anarco sindicalistas e comunistas semeiam ainda mais violência
Com um golpe militar em 1926 triunfante, inspirado em Espanha e Itália, que tinha na ordem a sua certeza
Vai também haver censura, inexistência de greves, uma tirânica fortaleza

No Luso Latino Parlamento
As novas estátuas criadas em 1920, a Eloquência de Júlio Vaz e a Lei de Francisco dos Santos
Perante esta Res Publica, manifestam os seus espantos
O Povo e a Nação estão muito mal representados, vem aí a tirania contínua, que grande lamento

Do regime fica-nos a Arte
O esforço de Educação e Formação
Contudo sem resultados de parte a parte,
Continua baixíssimo o nível cultural, a qualificação e a alfabetização ...

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Representação da proclamação da República https://pt.wikipedia.org/wiki/Rep%C3%BAblica#/media/File:Estremoz13.jpg
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Nos Paços do Concelho de Lisboa foi proclamada a República
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/d/db/Carolina_Beatriz_%C3%82ngelo.jpg/800px-Carolina_Beatriz_%C3%82ngelo.jpgCarolina Beatriz Ângelo https://pt.wikipedia.org/wiki/Carolina_Beatriz_%C3%82ngelo#/media/File:Carolina_Beatriz_%C3%82ngelo.jpg
http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2008/05/republicaac-792751.jpg
http://www.centenariodarepublica.org/centenario/wp-content/uploads/2008/05/republicaac-792751.jpg
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Participação de Portugal na I «grande guerra mundial» (Exposição na Assembleia da República)
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Sidónio Pais torna-se um ditador, aqui jura como Presidente da República https://pt.wikipedia.org/wiki/Sid%C3%B3nio_Pais#/media/File:Sid%C3%B3nio_Pais_presta_juramento_no_Parlamento_ap%C3%B3s_a_sua_elei%C3%A7%C3%A3o_para_presidente_da_Rep%C3%BAblica,_1918.png

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/0/0a/Roman_Lictors.gif/300px-Roman_Lictors.gif
Fasces lictoriae, feixes do lictor, do período romano do dominato, monarquia despótica que prevaleceu a partir de 285 d.C. com Diocleciano até 565 d.C. com Justiniano https://pt.wikipedia.org/wiki/Lictor#/media/File:Roman_Lictors.gif


http://photos1.blogger.com/blogger/1669/1494/1600/IM000972b.jpg
«Lei e Justiça» António Teixeira Lopes (1903) 

«Alegoria à Pátria, às Artes, à Indústria, à Agricultura e à História de Portugal» Acácio Lino https://www.parlamento.pt/VisitaParlamento/Paginas/SalaAcacioLinoAlegoria.aspx

OMNIA PRO PATRIA Tudo pela Nação - escultor Simões de Almeida
http://www.parlamento.pt/VisitaParlamento/PublishingImages/frontao_triangular.jpg

https://www.parlamento.pt/VisitaParlamento/PublishingImages/estat_forca_jardim.jpghttps://www.parlamento.pt/VisitaParlamento/PublishingImages/estat_justica_jardim.jpg
LEX «Direito» e JVS «Justiça»


https://www.parlamento.pt/VisitaParlamento/PublishingImages/coroa_provinc_porta6.jpg
Frontão na escadaria nobre: obra do escultor Leopoldo de Almeida


Estátuas no hemiciclo que acompanham os trabalhos parlamentares:
https://www.parlamento.pt/VisitaParlamento/PublishingImages/lei_estatua.jpg«Lei» Francisco dos Santos (1920) https://www.parlamento.pt/VisitaParlamento/Paginas/SSessoesEstatuaLei.aspx
https://www.parlamento.pt/VisitaParlamento/PublishingImages/eloquencia_estatua.jpg«Eloquência» Júlio Alves de Sousa Vaz Júnior (1920) https://www.parlamento.pt/VisitaParlamento/Paginas/SSessoesEstatuaEloquencia.aspx
https://www.parlamento.pt/VisitaParlamento/PublishingImages/justica_estatua.jpg«Justiça» António Augusto da Costa Mota
http://museu.parlamento.pt/MatrizWebAR/CommonServices/ThumbnailDownloader.axd?Lang=PT&fileId=&IdReg=113&TipoReg=1&ThumbnailType=1&NoImageSize=150X150«República» Rodrigo Faria de Castro (1874) http://museu.parlamento.pt/MatrizWebAR/CommonServices/ThumbnailDownloader.axd?Lang=PT&fileId=&IdReg=113&TipoReg=1&ThumbnailType=1&NoImageSize=150X150
http://museu.parlamento.pt/MatrizWebAR/CommonServices/ThumbnailDownloader.axd?Lang=PT&fileId=&IdReg=2193&TipoReg=1&ThumbnailType=1&NoImageSize=150X150
«Alegoria à Pátria» Carlos Reis (1935) http://museu.parlamento.pt/MatrizWebAR/CommonServices/ThumbnailDownloader.axd?Lang=PT&fileId=&IdReg=2193&TipoReg=1&ThumbnailType=1&NoImageSize=150X150

https://www.pluricosmetica.com/pluriblog/wp-content/uploads/2014/07/a-brasileira-1.jpg
O café «A Brasileira» no Chiado que Pessoa frequentava


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