THEATRUM ROMANUM . OLISIPO https://documentariofundeadouroromano.wordpress.com/2013/07/31/documentario-fundeadouro-romano-em-olisipo/
http://www.museuteatroromano.pt/aexposicao/ruinasteatro/Paginas/OqueseconhecedoantigoTeatrodeOlisipo.aspx
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Por Portugal Romano
(com base nos conteúdos do site do Museu do Teatro Romano da autoria de Lídia Fernandes, Coordenadora do Museu do Teatro Romano)

O teatro romano da cidade de
Olisipo foi edificado nos
inícios do séc. I, possivelmente em época do Imperador Augusto. Apesar
de não existir qualquer inscrição que nos confirme esta cronologia,
existem indícios suficientes para que seja considerada segura.
Em contrapartida, encontra-se epigraficamente documentada a
remodelação do teatro ocorrida em 57 d.C., comprovada pela inscrição do
muro do
proscaenium que refere as obras de renovação dessa mesma estrutura, bem como da
orchaestra, custeadas pelo seviro augustal
Caius Heius Primus.
Este tipo de financiamento de obras públicas, que é antes de mais um
acto de propaganda para quem as custeia, integra-se nas correntes
beneméritas habituais por todo o Império, tendo em
Olisipo atingido o auge na época julio-cláudia.
A Descoberta
O Teatro romano foi descoberto em 1798, na fase de reconstrução da
cidade após o terramoto de 1755. Tradicionalmente deve-se ao arquitecto
italiano Francisco Xavier Fabri a sua descoberta. Apesar dos seus
esforços, novos edifícios foram construídos sobre as ruínas, tendo
progressivamente sido esquecida a memória de ali ter existido um teatro
romano.
As primeiras campanhas de escavação arqueológica iniciaram-se em
1964, com D. Fernando de Almeida e foram continuadas, entre 1965 e 1967 e
por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, pela investigadora
Irisalva Moita, então conservadora dos museus municipais.

Para o efeito, foram demolidos vários dos edifícios que se sobrepunham ao monumento.
Os trabalhos coincidiram com a parte principal do espaço cénico: a
orchaestra, o
hyposcaenium e primeiros degraus da
cavea. Na ocasião foram recuperados inúmeros elementos arquitectónicos, alguns dos quais hoje em exposição no Museu do Teatro Romano.
Aspectos construtivos
Edificado a meio da encosta, na actual colina do Castelo de S. Jorge, a construção do teatro de
Olisipo aproveitou o declive natural para o assentamento da parte inferior das suas bancadas. Os primeiros degraus da
imma cavea foram talhados na rocha e a zona inferior – área da
orchaestra e
hyposcaenium
– foi rebaixada, desbastando-se o afloramento rochoso aí existente. Com
a matéria-prima resultante desse desbaste, foram talhados grande parte
dos elementos arquitectónicos que decorariam o monumento, assim como as
cantarias que formavam os degraus e as estruturas feitas em
opus quadratum ou
semi-quadratum. O mesmo material foi utilizado para a realização do
opus caementicium, empregue neste monumento de forma intensiva.
O
opus caementicium utilizava a pedra local, o
biocalcarenito, conjuntamente com areia de rio, sobretudo quartzítica,
formando um material de extrema coesão e durabilidade. Este cimento tem
também a vantagem de ter uma produção rápida, não exigindo operários
especializados e, sobretudo, de ser bastante mais económico que a
utilização do
opus quadratum, que obrigava ao talhe individual de cada um dos elementos.
O emprego deste material é evidente em diversas áreas do teatro de
Olisipo:
degraus superiores da imma cavea;
estrutura norte do aditus maximus nascente;
infra-estrutura do teatro: muros semicirculares;
preenchimento dos espaços ocos deixados pelo afloramento rochoso;
estrutura interna do muro do postcaenium.
As campanhas arqueológicas de 2001, 2005 e 2006 possibilitaram a descoberta do enorme muro do
postcaenium.

Esta estrutura tinha uma dupla função: por um lado a de suportar a
fachada cénica, de cariz simplesmente decorativo, por outro, a de
sustentar a colina, de grande declive, onde o teatro se implantou.
O aparecimento desta estrutura constitui um dos elementos mais
importantes das últimas campanhas, permitindo esclarecer qual a solução
adoptada para vencer o enorme desnível topográfico existente neste local
entre a R. de São Mamede, a norte – onde se localiza o edifício cénico –
e a R. Augusto Rosa, a sul – situada a cerca de16 mde profundidade em
relação à rua a anterior e que deverá respeitar uma antigo traçado
viário de época romana.
Foram, assim, construídos grandes patamares ou terraços, com uma
orientação sensivelmente E/W, suportados por enormes muros alicerçados
no próprio afloramento rochoso. Este ambicioso projecto de engenharia,
alterou e marcou até aos nossos dias a topografia desta área da cidade
de Lisboa, tal como pautou algumas das soluções urbanísticas aqui
adoptadas.
Aspectos Decorativos
Da decoração do teatro romano de
Olisipo, poucos elementos
chegaram aos nossos dias. No entanto, é perceptível a diferença entre a
época de fundação do teatro – inícios do séc. I – e a altura em que a
orchaestra e a estrutura do
proscaenium
sofreram remodelações em 57 d.C, custeadas por um elemento do colégio
de sacerdotes do culto Imperial. Estes actos beneméritos eram normais no
Império romano, tendo as acções de propaganda realizadas no teatro
romano de
Olisipo, contribuído para acentuar a vocação destes edifícios públicos para tais acções.

Em 57d.C. foi inaugurado um novo
frons pulpitum empregando materiais e técnicas distintas das usadas anteriormente. Também a
orchaestra
foi pavimentada com lajes de mármore de cor cinza e rosa (as mesmas
cores das usadas no muro do proscénio), formando um padrão quadrangular.
Para a imagética decorativa foi escolhido o mármore branco. Os poucos
exemplares de estatuária que sobreviveram resumem-se a duas
representações de sileno e um fragmento de cabeça, possivelmente
masculina. A escolha deliberada da matéria-prima a utilizar em cada um
dos elementos, procurou um efeito cenográfico óbvio, de características
bastante distintas do empregue na fase anterior.

Fustes de coluna e capitéis jónicos realizados em pedra local,
biocalcarenito, que seriam depois estucados e pintados, abundam no local
encontrando-se alguns em exposição no museu. Esta técnica decorativa
foi frequentemente empregue antes da utilização generalizada do mármore e
de outras pedras coloridas. Estes elementos, assim como outros
elementos decorativos, como é o caso de frisos decorados com óvulos e
lancetas (peças em reserva), pertencem à primeira fase de edificação do
monumento.
Abandono
A partir do séc. IV o teatro de
Olisipo foi abandonado, não
como resultado de qualquer destruição repentina ou cataclismo, mas antes
por já ter cumprido a sua função. Terão sido as mudanças de gostos e de
atitudes que levaram a que estes espaços fossem lentamente abandonados.
Neste período, a construção de outros edifícios públicos de carácter
lúdico na cidade de
Olisipo, como é exemplo o circo (séc.
III/IV) edificado na actual Praça D. Pedro IV (Rossio), significa antes
de mais, que a população passou a preferir divertimentos de cariz mais
imediato, mais emotivos e audaciosos.

Após o abandono, o espaço do teatro foi sendo compartimentado e
aproveitado para servir de habitação a uma população empobrecida,
resultado das dificuldades económicas e da instabilidade social que
caracterizaram a época tardo romana.
O Museu
O Museu do Teatro Romano de Lisboa, inaugurado em 2001, pretende dar a
conhecer um dos monumentos mais emblemáticos da antiga cidade romana de
Felicitas Iulia Olisipo. O espaço museológico é pertença da Câmara Municipal de Lisboa e está na dependência do Museu da Cidade.

Este espaço engloba múltiplas áreas expositivas onde podem ser
observados diversos testemunhos arqueológicos, quer referentes ao teatro
romano quer a outras construções que foram sendo edificadas no local ao
longo dos séculos.

A exposição permanente, dedicada exclusivamente ao teatro, está
instalada num edifício seiscentista que pertenceu ao Cabido da Sé.
Atravessando a porta do pátio e a Rua de S. Mamede, o espaço
museográfico prolonga-se pelo outro lado da rua, onde podem ser vistas
as ruínas do antigo teatro romano da cidade de
Olisipo.
Este último pólo museográfico culmina a viagem através de uma
multiplicidade de espaços e de tempos onde a informação é dada à medida
que o visitante encontra novos elementos e os visualiza
in situ.»
«Reabertura do Teatro da antiga cidade de Olisipo
Setembro 30, 2015

O Museu do Teatro Romano reabriu ao público, após dois anos de encerramento para obras de reabilitação. Paredes meias com o Museu do Aljube,
o Museu volta a abrir portas com uma nova exposição permanente, uma
nova museografia e várias alterações ao nível dos conteúdos e
acessibilidades.
Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de
Lisboa, acompanhado da vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto,
marcaram presença na cerimónia de reabertura, que teve lugar dia 30 de
setembro, na entrada do "Teatro da antiga cidade de Olisipo", descoberto
em 1798 "por ocasião da reconstrução da cidade após o terramoto de
1755".
Um "feliz acaso", considerou Lídia Fernandes, coordenadora do Museu do Teatro Romano,
sobre a descoberta de "um dos principias edifícios públicos da cidade"
de então. Para Lídia Fernandes, coordenadora do Museu desde há 25 anos, o
período de encerramento foi "demasiado tempo", mas um tempo
"necessário" para as obras de conservação e reabilitação.
Além de novas estruturas arqueológicas, que as
intervenções realizadas nos últimos 12 anos no interior do museu
colocaram a descoberto, os visitantes podem agora observar de perto os
vestígios e avaliar a complexa ocupação humana do local.
O novo projeto deu prioridade às acessibilidades: um
elevador e infraestruturas adaptadas a pessoas com mobilidade
reduzida. Legendas em braille e uma bancada com peças que podem ser manuseadas livremente garantem a fruição deste espaço renovado a qualquer público.
Lisboa tem a partir de hoje "mais uma demonstração do
que foi uma das mais fantásticas civilizações do mundo antigo", disse
Fernando Medina. Este é "porventura o núcleo mais importante da
expressão" da presença da civilização romana que se conhece em Lisboa.
"Todos os dias somos surpreendidos com a história da
cidade de Lisboa", sublinhou, numa referência ao trabalho dos
arqueólogos. Um relacionamento com a Câmara "nem sempre fácil",
reconheceu, não deixando de salientar a relevância do seu trabalho no
âmbito da política cultural da autarquia.
"A cultura não é um adereço", alertou Fernando Medina,
justificando os "investimentos grandes" realizados pela Câmara, nos
equipamentos culturais da cidade, com a "afirmação e valorização da
Cultura na Câmara de Lisboa como um elemento central da estratégia
politica".
O Teatro Romano, construído no início do século I, e
remodelado no ano 57, foi descoberto em 1798, nos trabalhos de
reconstrução da cidade após o terramoto de 1755. Anos mais tarde, foi
"novamente soterrado pelo edificado urbano". A sua recuperação
"prosseguiu a partir de 1964/67. O Museu do Teatro Romano, é um dos
cinco núcleos do Museu de Lisboa, dirigido por Joana Sousa Monteiro,
que integra ainda o Palácio Pimenta, Santo António, Torreão Poente e
Casa dos Bicos.»

http://www.cm-lisboa.pt/noticias/detalhe/article/reabertura-do-teatro-da-antiga-cidade-de-olisipo
«Museu do Teatro Romano conta 23 séculos da vida de Lisboa
por Marina Marques30 setembro 2015
Uma tela recria parte do teatro romano que está escondido pelos prédios sunjacentes
Fotografia © Filipe Amorim/Global Imagens
O Museu reabre hoje, a partir das 14.00, e mais do que o teatro mostra a história local, desde o século IV a. C. até ao XIX
Não
se espera que amanhã a cidade pare para a reabertura do Museu do Teatro
Romano de Lisboa tal como parava quando aí se realizavam espetáculos no
século I. A subida até ao princípio da Rua de São Mamede também já não
tem um significado religioso nem espiritual que então significava uma
ida ao teatro. Que certamente duraria uma tarde inteira, quando não um
dia. Mas é certamente um bom local para descobrir algumas das páginas da
história da cidade, ali apresentadas em camadas.
Não nos podemos
deixar enganar pelo nome: "Procurámos que isto não fosse um museu
exclusivamente dedicado ao teatro [romano], antes um museu de sítio e de
história local", explica Lídia Fernandes, coordenadora do Museu do
Teatro Romano de Lisboa que a partir de hoje, às 14.00, já pode ser de
novo visitado, depois de ter encerrado em maio de 2013. O preço da
entrada ainda poderá ser 1,5 euros pois está para aprovação em
Assembleia Municipal o novo preçário de 2 euros.
O pequeno núcleo
museológico que aí existia desde 2001 foi ampliado e enriquecido com
informação entretanto descoberta nas escavações realizadas entre 2005 e
este ano. E o teatro romano, que até então quase só se podia adivinhar
entre as várias camadas que sucessivamente foram construídas por cima do
monumento, está agora reduzido ao que era no século I. Apesar de agora
se saber, com segurança, que já existiria antes. "A separar o palco da
zona dos espetadores havia uma inscrição [recriada no interior do museu]
que diz que as obras de remodelação foram mandadas fazer em 57 d. C.
Ora, se são obras de remodelação quer dizia que já existia antes",
refere a arqueóloga que há 25 anos acompanha os trabalhos de escavação
no Teatro Romano. Mais: "As técnicas construtivas e decorativas
utilizadas indicam-nos essa data".
Deixar à vista apenas o que
pertence ao teatro foi uma decisão muito ponderada. "Achámos que esta
era a melhor opção porque agora podemos partir para outra fase do
trabalho que é tentar reconstituir em materiais leves algumas partes do
teatro romano. Não porque queiramos reconstituir tudo, até porque isso
implicaria a destruição de muitos prédios, mas pelo menos fazer alguma
simulação", justifica Lídia Fernandes.» http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=4806080

«O Teatro Romano» Canal História
https://www.youtube.com/watch?t=183&v=KgRO3C6lxkA

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