We understand German Persons, we don´t understood and understand German leaders: when they are against European interest they push Germany and Europe for disasters or bad ways. When they are harmonised with Europe like Willy Brandt and Helmut Schimdt they share good ways for all Europe.
The cultural problem of continental leaders is that they don´t have open mind, they have to much rigidity as Greek leaders created to much problems to Greece and to Europe. We wil never forget submarines from Germany to Greece and to Portugal with corruption. All have responsabilities, we must share a more flexible way, with responsability.
António Costa, leader of Partido Socialista (Portugal) - Jornal
Público 05-02-2015 with him potentialities and vulnerabilities, with him shades of grey, never sometimes black, sometimes white: http://www.publico.pt/politica/noticia/sempre-recusei-que-a-renegociacao-da-divida-fosse-a-unica-e-a-necessaria-solucao-1685056?page=-1:
«(...) o que é fundamental é assegurar um equilíbrio entre as condições de
pagamento da nossa dívida, de cumprimento das obrigações
constitucionais, designadamente com os pensionistas, e a necessidade de
termos meios financeiros para realizar os investimentos para o futuro (...)
Pode ser efectivamente por uma redução da dívida, do serviço da dívida
pela redução das taxas de juro, isso o BCE tem assegurado. Pode ser
teoricamente sobre o montante do capital em dívida, mas pode ser também
por via do aumento dos recursos de liquidez para investimento seja pelos
mecanismos da
quantitative easing ou por um reforço das
transferências comunitárias ou por um outro mecanismo. O que tem sido a
involução das posições do Syriza desde o início da campanha eleitoral
até às eleições e das eleições até ao dia de hoje demonstra bem que
temos sido bem avisados em não nos amarrarmos a uma única solução,
porque quando se vai para uma mesa de negociações tem que se ter claro
qual é o objectivo, mas tem que se ter a disponibilidade de trabalhar
com as diferentes variáveis e encontrar as melhores soluções para
alcançar esse objectivo. (...)
O que é claro hoje na Europa? É claro que a ideia de austeridade como
caminho para o crescimento económico foi um fracasso e que é necessário
travar a austeridade para criarmos condições de crescimento económico.
Primeiro, isso passa por deixar de ter uma estratégia assente no
esmagamento dos custos com base na desvalorização salarial, passa pela
necessidade de repor condições de funcionamento da procura interna como
condição de travar esta espiral deflacionária e criar condições para
poder ser competitivo. Em segundo lugar, a competitividade da Europa
varia de país para país e aquilo que é necessário fazer em cada país é
bastante diferente. Esta ideia de que mexendo na legislação laboral a
competitividade europeia generalizadamente melhora é um erro, como se
tem verificado. Em Portugal o que é prioritário para melhorar a nossa
competitividade é investir na formação, na educação, na inovação, no
apoio às indústrias exportadoras. Sim, isso é decisivo. A necessidade de
termos reformas à medida das necessidades de cada país para conseguir
uma comunidade sustentável é a melhor condição para dar confiança aos
credores da solvabilidade e da sustentabilidade da dívida. Temos neste
momento uma situação de emergência social em vários países. (...)
A necessidade de travar a austeridade, combater a crise social e apostar
nos investimentos estruturantes da competitividade da nossa economia. A
dívida não é causa, é consequência de um problema de fundo, que tem a
ver com a insuficiente arquitectura da zona euro e com a dificuldade que
as economias menos competitivas têm tido desde o início do século de se
adaptarem a este novo ambiente resultante da globalização, do
alargamento a Leste, do choque do euro. (...)
Nós até 2008 tínhamos uma dívida pública abaixo da média europeia. A
nossa dívida pública cresceu sobretudo a partir do início da crise e
menos por um aumento da despesa e mais por uma queda abrupta das
receitas. Ao contrário, do que a direita procurou construir ao longo
destes anos, a raiz do problema não está na dívida. Ela é infelizmente
mais um dos sintomas de um problema de fundo: as uniões monetárias não
reforçam a convergência das economias; acentuam pelo contrário as suas
assimetrias. Por isso são acompanhadas por dois mecanismos de
ajustamento. Um, maior mobilidade interna dos factores, estamos a pagar
duramente através da imigração. E o outro que é o reforço da
solidariedade orçamental. (...)
O trabalho está feito em relação à União Bancária, mas há uma parte
essencial por fazer que tem a ver com a política de reforço de coesão.
Quando Dellors criou o mercado único em 1992, a então CEE compreendeu
que o acréscimo de competitividade decorrente do mercado interno carecia
necessariamente de uma política de coesão. Quando foi criada a moeda
única, a política de coesão devia ter sido reforçada e não foi porque se
entendeu que o simples efeito da baixa taxa de juro iria permitir aos
países sujeitos a maior pressão competitiva realizarem os seus
investimentos através do recurso ao crédito.
E o resultado foi endividamento. Hoje sabemos que esse não é o caminho.
Que é preciso voltarmos atrás e corrigir o erro inicial e reforçar a uma
Europa com coesão. Essa é uma das razões pela qual tem de haver um
acordo agora entre as instituições europeias e os 28 Estados-membros.
Quando se olha para o que acontece nas nossas fronteiras externas da
Ucrânia à margem Sul do Mediterrâneo, vemos como seria suicidário
qualquer resultado que fragilizasse a União Europeia.
Tudo o que enfraqueça e contribua para a dissolução da União Europeia
acresce ao risco geoestratégico quer na relação com o Leste como com a
zona do Mediterrâneo. O Presidente Obama percebeu isso e percebeu outra
coisa. Enquanto a União Europeia prosseguir a política económica que tem
vindo a seguir não acompanhará nem contribuirá para o relançamento da
economia mundial que neste momento é basicamente sustentado pelo
crescimento dos Estados Unidos, visto que em outras zonas, como a Ásia,
tem vindo a haver um certo arrefecimento.
(...) fragmentação do mercado financeiro. Esta ideia, que foi doutrina durante
muitos anos, de que no quadro de uma moeda única os desequilíbrios
externos de um país eram irrelevantes e o que contava era o equilíbrio
externo do conjunto da União, foi uma verdade sobre a qual foram
assentes as políticas dos vários Estados da União Europeia, até ao belo
dia em que a senhora Merkel disse 'não, não é assim porque a divida de
cada um é a dívida de cada qual'. E quando a Europa quebrou a
solidariedade com a Grécia, entrámos na crise das dívidas soberanas. E
que foi uma forma de resolver o problema de grande parte do sistema
bancário europeu e alemão.
O problema da dívida privada é bastante recente, dos últimos 30 anos. E
resulta essencialmente do triunfo do capitalismo financeiro a partir dos
anos oitenta do século XX e resulta da ideia de que o recurso ao
crédito era a forma adequada de os Estados não terem de aumentar
impostos podendo continuar a realizar despesa, de as empresas poderem
investir sem terem capital e de os consumidores poderem continuar a
consumir num cenário de grande diminuição do seu quadro salarial. Esta
crise começou quando o capitalismo deixou de assentar numa ideia
fundamental do senhor Ford.
A ideia de que era necessário pagar a cada um dos seus operários o
ordenado suficiente para que eles pudessem comprar os carros que ele
produzia. E a partir do momento em que se considerou que não era
necessário pagar a um operário o necessário para ele comprar os carros,
não se deixou de fazer carros, a mudança foi dizer basta-me pagar o
suficiente para ele pagar a prestação do crédito que pediu para comprar o
carro. E nos últimos 30 anos, o peso do rendimento dos salários na
economia global caiu significativamente e o peso financeiro aumentou
exponencialmente. Portanto, vir-se agora falar de risco moral, quando o
sistema gerou este polvo tentacular do endividamento que tomou conta das
famílias, das empresas e finalmente dos Estados...
Se fosse um jogo, poderíamos fazer o
reset. Como não é, não
podemos, mas temos de aprender com a experiência e corrigir e a
correcção passa por perceber que hoje temos de retomar uma economia
assente na produção, assente no rendimento e isso implica, de facto, uma
revalorização dos rendimentos do trabalho e não continuar a alimentar
uma economia assente no crédito.
Não podemos aceitar a ideia de que só a Grécia é soberana e que só o
eleitor grego tem valor democrático. Não, o eleitor alemão também tem.
Por isso é que a União Europeia sempre se fez e tem de continuar a
fazer-se pela identificação dos pontos de convergência entre aquilo que
são os legítimos interesses nacionais de cada um e aquilo que é o
interesse conjunto resultantes desse ponto de encontro. Ao contrário do
Governo português, que entende sempre que não temos interesse nacional a
defender e temos simplesmente de nos sujeitar à opinião dos outros,
temos de procurar esse ponto de convergência.
Quem é o grande beneficiário da existência do euro é a Alemanha. No dia
em que a Alemanha saísse do euro o marco alemão sofria certamente uma
apreciação como a do franco há pouco tempo. E a famosa competitividade
da economia alemã sofreria um seríssimo retrocesso. No próprio circuito
dos fundos comunitários convém registar que todos os estudos têm
demonstrado como a maior coesão no conjunto dos Estados-membros tem sido
benéfico para todos e em particular para os contribuintes líquidos.
(...) A Europa não nasceu com a moeda única, a Europa nasceu para defender e
garantir a democracia na Europa depois de duas guerras mundiais. E essa
democracia consolidou-se graças a um sistema de prosperidade partilhada
que a Europa conseguiu construir ao longo de vários anos. Estamos a
viver uma crise mais extensa do que as anteriores e muito pelo facto de a
visão europeia sobre a crise ter sido substituída por uma visão
nacional, e muito contaminada por uma opção ideológica.
A direita europeia acreditou que tinha aqui uma oportunidade histórica
de fazer regredir no conjunto da União um modelo social que as
democracias-cristãs construíram com as sociais-democracias nos 50 anos
pós-guerra. Agora as consequências estão demonstradas. O modelo social
nunca foi um modelo de caridade foi um modelo de eficiência económica. E
é precisamente esta crise social que tem vindo a comprometer a economia
europeia.
O modelo social europeu não é um entrave ao crescimento, é uma condição
do crescimento. Que crescimento é que a Europa pode ambicionar? Pode
ambicionar um crescimento assente na competição de baixos salários com
outras zonas de miséria absoluta que existem no mundo? Não, porque essa
competitividade não tem futuro. A Europa que tem futuro é uma Europa que
aposta numa economia assente no conhecimento, que aposta na inovação,
na eficiência energética, nas infra-estruturas de alta qualidade, que
aposta nessa nova economia. Se essa Europa não existir, não conseguirá
relançar a sua própria reindustrialização, nem conseguirá assegurar
serviços de alta qualidade. Esse é o caminho.
O grande desafio que a Europa tem é mesmo de enfrentar o risco de uma
estagnação prolongada e de deflação. Isso é um risco que hoje já está
assumido pela Comissão, pelo Parlamento Europeu, até pelo próprio
Conselho, mas isso tem que se traduzir numa mudança de política. E essa
mudança de política tem vindo a existir; o Plano Juncker é um bom sinal,
a comunicação da Comissão sobre a interpretação do PEC é um bom sinal, o
quantitative easing é um bom sinal. A verdade é que todos
estes passos, sendo todos eles insuficientes, marcaram uma viragem
importante, que foi o sentido da marcha. E o que é extraordinário é que,
perante esta inversão de marcha, em vez de termos um Governo que se
bata por essa inversão, pelo contrário, procura contrariar essa
inversão. Estão convencidos - são os últimos convencidos - de que
prosseguir a lógica da austeridade é a lógica salvífica da economia
nacional e da economia europeia. (...)
(...) só terá consequências práticas na nossa economia se o aumento de
liquidez dos bancos se traduzir num aumento de liquidez ao serviço da
economia produtiva. E para que isso aconteça é necessário, em primeiro
lugar, que haja um aumento do investimento privado. Ora, o inquérito de
conjuntura do INE já veio dizer que o que se perspectiva é uma nova
diminuição do investimento privado durante este ano de 2015 e,
sobretudo, do investimento da indústria transformadora, a indústria
sobre a qual deveria assentar esse novo paradigma que o Governo apregoou
assente nas exportações. Teve uma quebra no ano passado e vai ter uma
nova quebra este ano. E quando perguntam aos empresários o porquê de não
haver um aumento do investimento, a resposta que dão é que têm uma
perspectiva negativa quanto à venda dos seus produtos. Portanto,
enquanto a Europa não der sinais de que vai relançar, e não haver um
aumento de poder de compra efectivo no nosso mercado interno, esse
investimento não vai existir. Em segundo lugar, as dificuldades enormes
que os bancos têm hoje para disponibilizar mais crédito é o gravíssimo
nível de endividamento das empresas portuguesas. E portanto, apostar na
capitalização das empresas é absolutamente essencial. Ora, o Governo até
agora não tem dado nenhum sinal…
(...) estamos num país onde o cidadão comum está pouco disponível para
investir no mercado de capitais, e onde as estruturas das empresas são
basicamente PME, muitas de natureza familiar, e portanto com pouca
apetência para a abertura do capital. Portanto nós temos que encontrar
mecanismos de capitalização que não impliquem a intervenção na gestão e
no funcionamento da empresa. Depois temos que criar instrumentos
financeiros que o permitam fazer. E entre as verbas disponibilizadas no
quadro da Europa 2020, há a mobilização de certificados de aforro com
uma lógica de criação de um produto de aforro-investimento. A
reorientação dos vistos gold da especulação imobiliária para o
investimento produtivo, através da criação deste tipo de fundos, são
formas de atrair capital. E hoje o que não falta no mundo é liquidez
disponível para aplicações.
É incompreensível, mesmo do ponto de vista fiscal, o Governo
continuar a insistir que a redução do IRC é o que mais vai promover o
crescimento. Em vez de, por exemplo, olhar para o tratamento fiscal dos
suprimentos que seria certamente uma forma mais interessante de os
sócios investirem na capitalização das empresas. (...) capitalização das
empresas é essencial, e também o investimento público. (...) é necessário
encontrar um novo equilíbrio entre os recursos que temos alocados ao
cumprimento do serviço da dívida, os recursos que temos de alocar ao
cumprimento das nossas obrigações internas, as nossas obrigações
constitucionais e, em particular, relativamente aos nossos pensionistas.
Porque garantir aos pensionistas de hoje a confiança nas suas pensões é
garantir a todos os activos confiança nos descontos que fazem no futuro
das suas pensões.»