
«Paz e Amor» http://pensamentosversusmomentos.blogspot.pt/2010/12/paz-e-amor.html
ANA, ANA, como é que fostes vendida?
Tua missão nacional perdida
Sem que a Nação fosse atendida
Alienação por poucos decidida
Monopólio numa localização
Pode aumentar rendas até mais não?
De facto, na realidade tem um senão
De Madrid para Barcelona é uma lição
Tanto foi o fluxo de pessoas transferido
Pode estar o trabalho de décadas comprometido?
Que deu a Lisboa um destino com sentido
Pode muito ser perdido?
Há que ter cuidado
Com os milhões que entraram
E depressa se estafaram
Sem uma reforma do Estado se perdaram
O ex-ministro Amaral
Ao seu País Portugal
Já tinha feito muito mal
Infraestruturas mal feitas afinal
Daí saltou para a representação
Da empresa que controla as pontes
Sendo construturas as suas fontes
E o grupo que ganhou a negociação
Que parece Lisboa parasitar
Sobre a a água e sobre o ar
Que elite de ligações indecentes
Que atira tantos pesos sobre inocentes
E tantas regalias sobre os afortunados
Desde há muitos séculos passados
Com os interesses nacionais coitados
A serem completamente desprezados
Qual é a alternativa?
Aprofundar a Democracia
Mudar o sistema de decisão
Para defender a Nação!
Impressionante a desvalorização do Partido Socialista como alternativa vinda de socialistas ...
«Em relação ao Partido Socialista, que é um tema a que eu não vou fugir, eu acho que o Partido Socialista não é neste momento ainda a alternativa que pudesse motivar uma alteração radical do panorama político português (...) o problema não está só na questão do Partido Socialista ter que formular a sua alternativa e tem que a formular, designadamente apresentando as suas próprias ideias sobre a reforma do Estado e como é que é possível fazer um ajustamento das finanças públicas (...) mas há um problema político no nosso sistema partidário, nós historicamente sabemos que há uma bipolarização imperfeita em Portugal, as coligações à direita são mais fáceis do que as coligações à esquerda. (...)
Não há democracia sem partidos, não há cá soluções de democracia directa, nem de voto electrónico on line que resolvam os problemas da democracia representativa» António Vitorino (28-11-2013, entrevista TSF)
Isabel Moreira e Mário Soares na apresentação do seu livro «A Esperança é Necessária».
«Quem hoje manda são os mercados usurários (...) Estamos a caminho de uma segunda ditadura (...) A situação do país é insustentável (...). A própria troika, quando quer por força que o Partido Socialista entre, é para evitar, é para que haja alguém responsável que modere as coisas, mas não há. (...) se o PS fosse um bocadinho mais activo, tinha 90 por cento com certeza»
«Sou um grande fã do Papa, não por o ter copiado, ele disse que isto vai resultar numa grande violência dois dias depois de eu dizer (...) Disse
isso na Aula Magna, disseram que estava a impor uma explosão, que
queria que o povo português entrasse em luta, que eu estava a querer a
violência (...) Claro que ele já tinha
pensado e escrito antes, quando me chamavam malandro e diziam que tinha
apelado à violência (....)
Mário Soares (27-11-2013)
«O Presidente e o Governo devem demitir-se (...) enquanto podem ir ainda para as suas casas e por seu pé, caso contrário serão responsáveis pela onda de violência que aí virá e necessariamente os vai atingir. (...) Estamos, por muito que me custe dizer isso, a caminho de uma nova ditadura. É preciso ter a consciência que a violência está à porta (...) ora é isso que é necessário evitar.» Mário Soares (Aula Magna, 21-11-2013)
«(...) os desrespeitos vão-se multiplicar, porque quando a situação é tão complexa e se agrava todos os dias, isto não tem remédio senão com alguma violência (...) eu espero que não, que não degenere em violência, mas não me espantaria se degenerasse». António de Almeida Santos (Aula Magna, 21-11-2013)
«(...) a violência é legítima para pôr cobro à violência» Helena Roseta (Aula Magna, 21-11-2013)
Portugal é há muito tempo um dos países com menor violência no Mundo por mérito das Portuguesas e dos Portugueses que há muito tempo suportam as leviandades que as elites (autocráticas ou democráticas) na gestão de Portugal, lançando os pesos das suas políticas sobre as Pessoas. Vem agora esta esquerda caduca falar em violência quando estão ameaçadas as bases que ajudaram a ergueram de um monstro estatal que compromete o próprio «Estado Social»? O que fizeram antes para o evitar? Agravaram antes a situação.
Não existe violência política em Portugal, existe sim a continuidade da péssima gestão que as elites têm feito no País, geradora de desvalorização da Nação. Falar de violência futura em Portugal é leviano e preverso é como lançar mais pressão sobre a forte pressão que tem sido continuamente lançada. Lutaram contra as fortes mexidas no IRS em 2013? Não! Lutam a favor da manutenção de despesas públicas insustentáveis protegidas pelo Tribunal Constitucional que usufrui das mesmas, um gigante mundo de pensões públicas atribuídas com base em dívida pública e sem ter sido criado valor para as justificar ao longo de décadas. Fizeram alguma reforma de fundo? Não. O sistema de pensões, com os recentes contributos dos fundos de pensões de instituições financeiras e de monopólios estatais entretanto privatizados, são um atentado à justiça e solidariedade intergeracional. Não se desperdiçam hoje dinheiros públicos, nomeadamente em remunerações de alguns empregados públicos e de prestadores de serviços ao Estado? Claro que sim, com responsabilidade deste Governo e dos anteriores. Essa esquerda para defender os seus valores deveria ter propostas muito concretas de reforma da Sociedade Política e do Estado. Não as tem. E boicotaram a possibilidade de se terem negociado as condições para haverem eleições antecipadas e se preparem caminhos mais saudáveis de relação com as condicionantes existentes criadas pela Sociedade Política e pelo Estado. A dívida privada pressiona os privados, que só são ajudados se forem instituições financeiras. A dívida pública também decorrente desse apoio às instituições financeiras tem caído pesadamente sobre as Famílias e as Empresas (os privados de protecção), e muito menos sobre as entidades públicas e seus empregados, que continuam a ser protegidos, nomeadamente na defesa do emprego público que em certos em casos, não tem qualquer sustentação e que está a vulneribilizar a maioria dos empregos públicos que têm mérito e são essenciais à Nação. É esta a ilusão, é este o erro que o Tribunal Constitucional, a Presidência da República, a Assembleia da República, o Governo e esta esquerda caduca têm alimentado. A Nação, todos nós pagam bem caro esta ilusão, com mais desvalorização, mais insolvências, mais desemprego do que aconteceriam se os caminhos de reforma profunda estivessem a ser realizados e não fossem ainda um guião, discussão, um grande vazio que é até agora e com o qual o Governo anda a queimar, a prejudicar e alimentar anticorpos sociais, misturando-se o justo com o injusto, o mérito com o demérito e não se realizando nada de saudável, porventura cortes cegos sem estratégia, sem orientação senão a de dar mais negócios e influências a certos interesses, sejam eles de lucro ou de «caridade» e «misericórdia».
Mas então quais foram as palavras do novo Papa que tem encantado tantas pessoas com a sua postura diferente no seio do catolicismo, tão fomentador de violência e hipocrisia no passado? Alertamos a esquerda caduca para o facto de o Papa estar a falar para um Mundo que está cheio de violência política e social:
«Evangelii Gaudium» Jorge Mario Bergoglio - «Papa Francisco» (2013-11-26 Rádio Vaticana http://www.news.va/pt/news/primeira-exortacao-apostolica-de-papa-francisco-te)
«1. A ALEGRIA DO EVANGELHO enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. (...)
1. Alguns desafios do mundo actual
52. A
humanidade vive, neste momento, uma viragem histórica, que podemos
constatar nos progressos que se verificam em vários campos. São
louváveis os sucessos que contribuem para o bem-estar das pessoas, por
exemplo, no âmbito da saúde, da educação e da comunicação. Todavia não
podemos esquecer que a maior parte dos homens e mulheres do nosso tempo
vive o seu dia a dia precariamente, com funestas consequências. Aumentam
algumas doenças. O medo e o desespero apoderam-se do coração de
inúmeras pessoas, mesmo nos chamados países ricos. A alegria de viver
frequentemente se desvanece; crescem a falta de respeito e a violência, a
desigualdade social torna-se cada vez mais patente. É preciso lutar
para viver, e muitas vezes viver com pouca dignidade. Esta mudança de
época foi causada pelos enormes saltos qualitativos, quantitativos,
velozes e acumulados que se verificam no progresso científico, nas
inovações tecnológicas e nas suas rápidas aplicações em diversos âmbitos
da natureza e da vida. Estamos na era do conhecimento e da informação,
fonte de novas formas dum poder muitas vezes anónimo.
Não a uma economia da exclusão 53.
Assim como o mandamento «não matar» põe um limite claro para assegurar o
valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer «não a uma
economia da exclusão e da desigualdade social». Esta economia mata. Não é
possível que a morte por enregelamento dum idoso sem abrigo não seja
notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na Bolsa. Isto é
exclusão. Não se pode tolerar mais o facto de se lançar comida no lixo,
quando há pessoas que passam fome. Isto é desigualdade social. Hoje,
tudo entra no jogo da competitividade e da lei do mais forte, onde o
poderoso engole o mais fraco. Em consequência desta situação, grandes
massas da população vêem-se excluídas e marginalizadas: sem trabalho,
sem perspectivas, num beco sem saída. O ser humano é considerado, em si
mesmo, como um bem de consumo que se pode usar e depois lançar fora.
Assim teve início a cultura do «descartável», que aliás chega a ser
promovida. Já não se trata simplesmente do fenómeno de exploração e
opressão, mas duma realidade nova: com a exclusão, fere-se, na própria
raiz, a pertença à sociedade onde se vive, pois quem vive nas favelas,
na periferia ou sem poder já não está nela, mas fora. Os excluídos não
são «explorados», mas resíduos, «sobras».
54. Neste contexto, alguns
defendem ainda as teorias da «recaída favorável» que pressupõem que todo
o crescimento económico, favorecido pelo livre mercado, consegue por si
mesmo produzir maior equidade e inclusão social no mundo. Esta opinião,
que nunca foi confirmada pelos factos, exprime uma confiança vaga e
ingénua na bondade daqueles que detêm o poder económico e nos mecanismos
sacralizados do sistema económico reinante. Entretanto, os excluídos
continuam a esperar. Para se poder apoiar um estilo de vida que exclui
os outros ou mesmo entusiasmar-se com este ideal egoísta, desenvolveu-se
uma globalização da indiferença. Quase sem nos dar conta, tornamo-nos
incapazes de nos compadecer ao ouvir os clamores alheios, já não
choramos à vista do drama dos outros, nem nos interessamos por cuidar
deles, como se tudo fosse uma responsabilidade de outrem, que não nos
incumbe. A cultura do bem-estar anestesia-nos, a ponto de perdermos a
serenidade se o mercado oferece algo que ainda não compramos, enquanto
todas estas vidas ceifadas por falta de possibilidades nos parecem um
mero espectáculo que não nos incomoda de forma alguma.
Não à nova idolatria do dinheiro
55.
Uma das causas desta situação está na relação estabelecida com o
dinheiro, porque aceitamos pacificamente o seu domínio sobre nós e as
nossas sociedades. A crise financeira que atravessamos faz-nos esquecer
que, na sua origem, há uma crise antropológica profunda: a negação da
primazia do ser humano. Criámos novos ídolos. A adoração do antigo
bezerro de ouro (cf.
Ex 32, 1-35) encontrou uma nova e cruel
versão no fetichismo do dinheiro e na ditadura duma economia sem rosto e
sem um objectivo verdadeiramente humano. A crise mundial, que investe
as finanças e a economia, põe a descoberto os seus próprios
desequilíbrios e sobretudo a grave carência duma orientação
antropológica que reduz o ser humano apenas a uma das suas necessidades:
o consumo.
56. Enquanto os lucros de poucos crescem
exponencialmente, os da maioria situam-se cada vez mais longe do
bem-estar daquela minoria feliz. Tal desequilíbrio provém de ideologias
que defendem a autonomia absoluta dos mercados e a especulação
financeira. Por isso, negam o direito de controle dos Estados,
encarregados de velar pela tutela do bem comum. Instaura-se uma nova
tirania invisível, às vezes virtual, que impõe, de forma unilateral e
implacável, as suas leis e as suas regras. Além disso, a dívida e os
respectivos juros afastam os países das possibilidades viáveis da sua
economia, e os cidadãos do seu real poder de compra. A tudo isto vem
juntar-se uma corrupção ramificada e uma evasão fiscal egoísta, que
assumiram dimensões mundiais. A ambição do poder e do ter não conhece
limites. Neste sistema que tende a fagocitar tudo para aumentar os
benefícios, qualquer realidade que seja frágil, como o meio ambiente,
fica indefesa face aos interesses do mercado divinizado, transformados
em regra absoluta.
Não a um dinheiro que governa em vez de servir
57.
Por detrás desta atitude, escondem-se a rejeição da ética e a recusa de
Deus. Para a ética, olha-se habitualmente com um certo desprezo
sarcástico; é considerada contraproducente, demasiado humana, porque
relativiza o dinheiro e o poder. É sentida como uma ameaça, porque
condena a manipulação e degradação da pessoa. Em última instância, a
ética leva a Deus que espera uma resposta comprometida que está fora das
categorias do mercado. Para estas, se absolutizadas, Deus é
incontrolável, não manipulável e até mesmo perigoso, na medida em que
chama o ser humano à sua plena realização e à independência de qualquer
tipo de escravidão. A ética – uma ética não ideologizada – permite criar
um equilíbrio e uma ordem social mais humana. Neste sentido, animo os
peritos financeiros e os governantes dos vários países a considerarem as
palavras dum sábio da antiguidade: «Não fazer os pobres participar dos
seus próprios bens é roubá-los e tirar-lhes a vida. Não são nossos, mas
deles, os bens que aferrolhamos».
58. Uma reforma financeira que
tivesse em conta a ética exigiria uma vigorosa mudança de atitudes por
parte dos dirigentes políticos, a quem exorto a enfrentar este desafio
com determinação e clarividência, sem esquecer naturalmente a
especificidade de cada contexto. O dinheiro deve servir, e não governar!
O Papa ama a todos, ricos e pobres, mas tem a obrigação, em nome de
Cristo, de lembrar que os ricos devem ajudar os pobres, respeitá-los e
promovê-los. Exorto-vos a uma solidariedade desinteressada e a um
regresso da economia e das finanças a uma ética propícia ao ser humano.
Não à desigualdade social que gera violência
59.
Hoje, em muitas partes, reclama-se maior segurança. Mas, enquanto não
se eliminar a exclusão e a desigualdade dentro da sociedade e entre os
vários povos será impossível desarreigar a violência. Acusam-se da
violência os pobres e as populações mais pobres, mas, sem igualdade de
oportunidades, as várias formas de agressão e de guerra encontrarão um
terreno fértil que, mais cedo ou mais tarde, há-de provocar a explosão.
Quando a sociedade – local, nacional ou mundial – abandona na periferia
uma parte de si mesma, não há programas políticos, nem forças da ordem
ou serviços secretos que possam garantir indefinidamente a
tranquilidade. Isto não acontece apenas porque a desigualdade social
provoca a reacção violenta de quantos são excluídos do sistema, mas
porque o sistema social e económico é injusto na sua raiz. Assim como o
bem tende a difundir-se, assim também o mal consentido, que é a
injustiça, tende a expandir a sua força nociva e a minar,
silenciosamente, as bases de qualquer sistema político e social, por
mais sólido que pareça. Se cada acção tem consequências, um mal
embrenhado nas estruturas duma sociedade sempre contém um potencial de
dissolução e de morte. É o mal cristalizado nas estruturas sociais
injustas, a partir do qual não podemos esperar um futuro melhor. Estamos
longe do chamado «fim da história», já que as condições dum
desenvolvimento sustentável e pacífico ainda não estão adequadamente
implantadas e realizadas.
60. Os mecanismos da economia actual
promovem uma exacerbação do consumo, mas sabe-se que o consumismo
desenfreado, aliado à desigualdade social, é duplamente daninho para o
tecido social. Assim, mais cedo ou mais tarde, a desigualdade social
gera uma violência que as corridas armamentistas não resolvem nem
poderão resolver jamais. Servem apenas para tentar enganar aqueles que
reclamam maior segurança, como se hoje não se soubesse que as armas e a
repressão violenta, mais do que dar solução, criam novos e piores
conflitos. Alguns comprazem-se simplesmente em culpar, dos próprios
males, os pobres e os países pobres, com generalizações indevidas, e
pretendem encontrar a solução numa «educação» que os tranquilize e
transforme em seres domesticados e inofensivos. Isto torna-se ainda mais
irritante, quando os excluídos vêem crescer este câncer social que é a
corrupção profundamente radicada em muitos países – nos seus Governos,
empresários e instituições – seja qual for a ideologia política dos
governantes.»