quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

PARTIDOS POLÌTICOS - FACTIONES POLITICAE - POLITICAL PARTIES

Os partidos políticos Portugueses da III República têm muitas limitações, criaram um sistema político viciado, onde são juízes em causa própria, mas é uma situação em Democracia passível de alteração por vontade da Sociedade Civil, ao contrário da II República autocrática, que não o permitia. É de salientar que muito foi feito pelos partidos democráticos no sentido de melhorar Portugal, cultural e materialmente, principalmente com o apoio da Europa, mas também dos Estados Unidos da América. O ponto de partida era muito mau, o País estava muito empobrecido, tinha sido puxado para baixo, apesar do seu enorme potencial. Com outra visão os actuais Países de Expressão Portuguesa tinham sido há muito tempo desenvolvidos e Portugal teria sido também há muito mais tempo desenvolvido. As próprias limitações culturais dos partidos nascem das limitações culturais da autocracia onde os seus dirigentes nasceram e cresceram, muitas vezes aculturados em outros Países. Por exemplo, o estranho peso do PCP só foi possível através da ditadura que lhe deu força e hoje tem um papel bloqueador e destrutivo.

Partido Socialista (PS)
É o verdadeiro Partido Social Democrata (Socialismo Democrático), apoiado pelo Partido Social Democrata da Alemanha (SPD) e pelo Partido Socialista Françês vai ser determinante em vários momentos históricos:
1974-1975: Implementação e consolidação da Democracia em Portugal, nomeadamente na sua luta e vitória contra o Partido Comunista Português (PCP) e a sua natureza totalitária e subserviente em relação à URSS, em ascensão na década de 70 do século XX; Contributo decisivo para a Constituição da III República, que lança os fundamentos de um novo Estado, com tudo o que terá de bom e de mau;
1977: Pedido de Adesão à CEE («Europa connosco»)
1978: Criação das bases para o futuro Serviço Nacional de Saúde (1979), que universaliza o acesso aos cuidados de saúde;
1983-1985: Remendo dos buracos criados pela AD liderada pelo PSD que provocaram a 3.ª Intervanção do FMI, para Portugal ficar preparado para a adesão à CEE, com a Espanha, em 1986; ironicamente vai ser o PSD a liderar e muito mal, os ventos favoráveis que sopraram da Europa (pelo golpe oportunista do seu líder, que era responsável como Ministro das Finanças da AD, pelo início de uma política económica expansionista que levou à terapia de choque do FMI);
1995-2002: Política fortemente expansionista de betão e alcatrão levada até à exaustão, na continuidade da política do PSD de 1985-1995; a Construção fortemente empolada, que permitia financiar os partidos e ser irresponsavelmente financiada pelos Bancos, num círculo vicioso desastroso para Portugal; Após um laxismo  fiscal no Cavaquistão, são lançadas as bases (inversão do ónus de prova do Estado para as Empresas e Famílias), da futura caça ao imposto  à coima, à multa, à penhora automática num conluio Banca-Estado, que vão ser tristemente realizadas no Governo PSD+CDS de 2003-2004;
2005-2011: Tal como o PSD+CDS o tinham feito, o PS não respeita as promessas eleitorais e a primeira medida é o aumento da taxa do IVA, que afasta ainda mais Portugal da Espanha. Tenta-se proceder a uma reforma do Estado, que se vai concretizar essencialmente, na modernização dos serviços públicos, na desburocratização, na simplificação administrativa, mas não vai para além disso; aposta-se fortemente nas novas tecnologias e nas energias renováveis; a resposta europeia keynesiana à crise que se começou a manifestar em 2007, que o Governo abraçou, vai tornar Portugal muito vulnerável à «crise das dívidas soberanas», que ainda hoje vivemos; a irresponsabilidade do anterior Governo (PS) é fortemente amplificada pelo actual Governo (PSD+CDS).




Partido Popular Democrático (PPD) / Partido Social Democrata (PSD):
Na Madeira era uma festa
No BPN faziam a sesta

O maior equívoco partidário (não é Social Democrata é Conservador, Liberal e Reformista, mal definido ideologicamente), o partido mais fraco de Portugal, o mais oportunista, o mais instrumentalista e desrespeitador da autêntica Democracia e das Pessoas (o autêntico saca votos), que mais responsabilidades tem na actual situação, apesar de importantes contributos de muitos políticos do PS, que têm a mesma cultura mesquinha do jogo de interesses e de influências e que querem viver eternamente «acima das suas possibilidades».

Curriculum Vitae:
1980-1983 - a sua Política Económica desastrosa, iniciada pelo seu Ministro das Finanças Aníbal Cavaco Silva e continuada pelo seu Ministro das Finanças João Salgueiro, lança Portugal na 3.ª Intervenção do FMI. O desaparecimento do seu único líder com valor, Francisco Sá Carneiro, tornou a situação ainda mais problemática.
1985-1995 - Após o FMI «limpar» o País para a sua adesão formal à CEE (com liderança do PS em coligação com o PSD, 1983-1985), o «Oportunista dos Oportunistas», grande estatista e péssimo estadista, o referido ex-Ministro das Finanças com nome Cartaginês, aproveita o falhanço da Troika do PSD, a impopularidade das receitas do FMI e a debilidade de João Salgueiro, para triunfar e sustentar a afirmação do PPD/PSD como um partido instrumentalista do Estado, contribuindo fortemente para agigantar o «monstro». Mesmo com os ventos favoráveis que sopravam do Mundo e da Europa, desperdiçam as oportunidades e utilizam muito mal os financiamentos obtidos, conseguindo o Primeiro Ministro e ex-Ministro das Finanças, com grandes certezas e grande autismo, lançar o País no «Oásis» de um dos seus Ministros das Finanças, com os dois anteriores a tecerem duras críticas à Política Económica estatista de reprodução de poder que foi seguida, à má maneira de 1980.
Alcatrão e betão vão ter continuadores no PS ...
2002-2005 - O ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros de Cavaco Silva, o actual Presidente da Comissão Europeia, ex-MRPP, vai liderar um Governo muito derrotista e extremamente pessimista, que tem contudo, a terrível herança das «boas vontades» de António Guterres, aproveitadas por muitos oportunistas do PS, que tentam esticar até ao limite, o seu líder, para continuarem com betão e alcatrão («the business must go on»). Apesar do «monstro do Estado e do Sistema Político» estarem muito empolados, ainda dá para encomendar submarinos a um consórcio Alemão. Aliás as terríveis Políticas Externa e de Defesa permitem ao Primeiro-Ministro dar o salto para Bruxelas, deixando o País entregue a Pedro Santana Lopes, por pouco tempo ... o PSD estava de novo na «mó de baixo» ... afinal nem sequer as Finanças Públicas conseguiram melhorar ...
2011-? Golpe oportunista com o apoio do ex-Ministro das Finanças, do ex-Primeiro Ministro e actual Presidente da República reeleito: as Pessoas indignadas contra José Sócrates e os seus «excessos», acreditam mais uma vez no PSD, que tudo fez para o FMI regressar a Portugal e que aproveita as fortes vulnerabilidades do anterior Governo, facilmente culpável de toda a situação. Perante isso, os sinais de não existência de ideias claras sobre o que o PSD ia fazer para além do acordo com a Troika, não eram nada e agora são tudo: um grande vazio, uma grande desilusão para os iludidos e a certeza que o País está mais uma vez, mal liderado.

Centro Democrático Social (CDS) - Partido Popular (PP).
Partido que se inicia como defensor da Democracia Cristã, assume-se posteriormente, como Conservador e Liberal. Os seus contributos no Governo são os seguintes:
1978: Coligação com o PS;
1980-1981: Coligação com o PSD e o PPM (Aliança Democrática);
2002-2005: Coligação com o PSD;
2011-?: Coligação com o PSD, participa na dramatização da situação de Portugal para ascender ao poder e quando aí chega, deixa correr a liderança do PSD subserviente ao Governo da Alemanha, não exige condições prévias de Reforma do Estado, que eram fundamentais para que não existisse uma escalada da carga fiscal contraditória com as promessas eleitorais e com as ideias defendidas pelo CDS. O Orçamento do Estado para 2013 faz estalar todas as contradições e as públicas divergências com o PSD não evitam o péssimo Orçamento que foi aprovado. A Reforma do Estado fica para mais tarde, mais uma vez adiada e colocada numa óptica de não pôr em causa um status quo do sistema, mas sim de pôr em causa, mais uma vez, os interesses dos contribuintes que pagam cada vez mais impostos e irão ter, segundo as perspectivas anunciadas, cada vez menos serviços públicos essenciais em qualidade e quantidade (Saúde, Educação, Segurança Social). A cumplicidade do CDS no desastre governativo é incontornável, por muito que seja defendido em nome de não existirem rupturas que comprometam os interesses de Portugal, é óbvio que o CDS não tinha que ficar refém de uma perspectiva PSD «mais papista que o papa» em certas questões e claramente ineficiente e ineficaz, geradora de círculos viciosos muito perigosos e desnecessários. O Orçamento de 2013 foi extremamente mal preparado, mal negociado e mal decidido. O desastre na execução orçamental de 2012 deveria ter tido uma clara reorientação de rumo, não outra vez para a carga fiscal, mas sim para a redução da despesa pública que não contribui para as Empresas criarem Valor, nem para as Famílias melhorarem a sua qualidade de vida. Em termos estratégicos, ficar na zona cinzenta costuma ser sempre desastroso. Se o CDS tivesse tido outro comportamento e outro líder, poderia ter ganho espaço político ao PSD e fazer com que mais pessoas pensassem da mesma forma que vós. Era importante que a única alternativa de coligação não fosse com o PSD e que podesse ser também com o PS, como em 1978.  


Partido Comunista Português (PCP)) «Lenin e Stalin forever»: o País indignado protesta pela vossa mudança, que precisariam de fazer e nunca farão.
_ Democracia?
_ Não. «Centralismo Democrático» autocrata.
_ Socialismo?
_ Não. «Socialismo Real» Estatista
_ O actual Governo é melhor que o anterior?
_ Não. Mas tinha que cair.
_ Com a vossa ajuda ...
_ Claro. Quanto pior melhor ...
_ Mas claramente que apoiaram o PSD a ultrapassar a sua «fome de poder» ...
com resultados desastrosos para os trabalhadores que dizem defender ...
_ Não, nada disso ...
_ Até rima e tudo!
_ Se tivéssemos ascendido em 1975 iam todos para a Sibéria ...
_ E agora? Íamos para onde? Para a Coreia do Norte que o vosso líder parlamentar apelidou de «Democrática»?

Bloco de Esquerda: «Vencer a Troika» e vencer Trotsky: nascido do PSR (Trotskista), da UDP, de ex MDP e de ex PCP, é um «bloco» que não cumpriu a necessidade histórica de esvaziar o PCP e criar uma alternativa de coligação de Esquerda Democrática com o PS, precisamente porque a sua Cultura Política não é democrática.

O Movimento Democrático Português (MDP) / Coligação Democrática Eleitoral (CDE) foi assaltado pelo PCP e ficou na sua órbita, mas com muitas pessoas democráticas, que não concordavam com essa situação e defendiam uma Democracia Participativa, uma Cultura de Esquerda democrática, incompatível com o PCP. A sua libertação tardia em 1987 não teve viabilização eleitoral e desapareceu essa hipótese de criação de uma alternativa para a Esquerda Democrática, que evitaria por exemplo, a aliança entre o PSD, o CDS, o PCP e o Bloco de Esquerda para inviabilizar o PEC IV e viabilizar o desastre que tem sido este Governo. Para o PCP quanto pior melhor, mas para os trabalhadores que diz querer defender, a situação tornou-se muito pior. O PCP e o Bloco de Esquerda são ilusões para parte do eleitorado, sem qualquer consequência, qualquer efectividade criativa e construtiva. Portugal necessitava de outro tipo de partidos ou de movimentos com possibilidade de coligação com o PS.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

NÃO MINISTRO III - NON MINISTER III - NO MINISTER III


O «quadrático» Ministro voltou a atacar:

«Intervenção do Ministro de Estado e das Finanças no encerramento do debate do Orçamento do Estado para 2013 - Assembleia da República, 27 de novembro de 2012» (http://www.portugal.gov.pt/media/780376/20121127-mef-oe2013-encerramento.pdf)

«(...) Dado que referi o contexto da Europa, quero sublinhar a importância da reunião do
Eurogrupo ontem e na madrugada de hoje. O Eurogrupo conseguiu um acordo político –
envolvendo o FMI – para desbloquear o financiamento oficial à Grécia. Conclui-se
assim um processo que se arrastou desde o início de Julho. Serão libertadas três tranches
com um valor de 43,7 mil milhões de euros. Esta decisão culmina um processo de cinco
meses de intensas e difíceis negociações que ocorreram em paralelo com uma
pronunciada deterioração das condições económicas, sociais e financeiras na Grécia.
Este acordo limita os riscos para a Grécia e para a área do euro. A tomada de decisões
muito difíceis pelas autoridades gregas e o apoio europeu oferecem a promessa de
quebra de uma tradição de fraca capacidade de execução do programa e das suas
medidas.
Portugal e a Irlanda – países de programa – serão – de acordo com o princípio de
igualdade de tratamento adoptado na cimeira da área do euro em Julho de 2011 –
beneficiados pelas condições abertas no quadro do Fundo Europeu de Estabilidade
Financeira. Mas quero sublinhar que o progresso de Portugal e Irlanda foi importante
para a avaliação positiva das perspectivas de ajustamento na área do euro. (...)»

Jean-Claude Juncker, Presidente do Eurogrupo, afirmou na madrugada de 27-11-2012: «Tomámos a decisão há meses ou até há mais de uma ano, de que as mesmas regras teriam de ser aplicadas a outros Países do programa e isso será discutido na próxima reunião. Se havia alguém nesta sala que fosse um amigo de Portugal e da Irlanda, que fazem parte dos Países Europeus que são os meus preferidos, por motivos óbvios, sentimentais e pessoais, sou eu e, assim, isso será tratado de uma forma que não irá desagradar nem a Portugal nem à Irlanda». 
Após a referida reunião em 3-12-2012, Juncker falou que tinha existido um «mal entendido» e referiu que o Eurogrupo «não está em condições de dar igual tratamento para a Irlanda e Portugal».

Por sua vez o Ministro das Finanças da Alemanha, Wolfang Schäuble, afirmou sobre o mesmo tema: «Não aconselharia Portugal a fazer isso e porque se fosse de outro país do euro não gostaria que me comparassem com a Grécia. Para a Irlanda e Portugal, que estão no processo de regressar, passo a passo, aos mercados seria um sinal bem chocante, e por isso é que aconselho mesmo a não insistir neste ponto.»

Por outro lado, o Ministro das Finanças da França, Pierre Moscovici, afirmou: «Não aconselho a copiar o plano da Grécia para Portugal e Irlanda.» O programa de Portugal «está a correr de acordo com o esperado, é possível cumpri-lo e, nesse sentido, terão sempre o nosso apoio.»

E o «quadrado» o que disse, como visualiza o tema? «(...) como uma oportunidade para facilitar o regresso ao mercado de obrigações em situações normais», em 2013. A «questão será discutida a nível técnico», a «dramatização pública conduz a uma situação em que os agentes agentes políticos ficam condicionados pelos seus públicos domésticos». O Ministro das Finanças da Irlanda, Michael Noonan referiu que «a ideia do dinheiro do FEEF ser cedido a taxas de juro nominais e que as maturidades serem alargadas a 15 anos é uma ideia interessante como parte de uma estratégia de saída.»                    

O «mercado de obrigações em situações normais» é o BCE a comprar directa ou indirectamente essas obrigações? E até lá, destruímos ainda mais a Economia Portuguesa e Europeia? Que vergonha «quadrados», que nem sequer formarão alguma vez um cubo, quanto mais uma esfera! 

Entretanto Juncker já anunciou a sua próxima saída da Presidência do Eurogrupo e o Vice-Presidente do partido da actual Chanceler da Alemanha (CDU), Fuchs Michael, defendeu a nomeação de Wolfang Schäuble, pelo peso que a Alemanha tem na Europa e no suporte do euro. O SPD, o Partido Social Democrata da Alemanha (o PSD de Portugal de Social Democrata só tem o nome), que poderá ganhar as eleições que vão determinar o novo Governo da Alemanha em 2013, referiu através do seu porta voz Carsten Schneider, que o ministro das Finanças alemão não é qualificado para essa Presidência: «Precisamos neste momento de um economista ou de alguém com uma grande compreensão das relações económicas.» Diremos nós, não de financeiros que não defendem profundamente a realidade mundial e europeia, nomeadamente a Alemã, nem as relações entre as dimensões Macro-Meso-Micro da Economia e não têm sensibilidade Sócio-Política, estando a prejudicar fortemente a Europa, com maior incidência nos Países mais vulneráveis, como é o caso de Portugal. A insensibilidade do Ministro das Finanças da Alemanha em relação a esses Países foi realçada por Carsten Schhneider.


O Ministro de Estado e das Finanças no encerramento do debate do Orçamento do Estado para 2013 (27-12-2012), tinha afirmado antes do tema do Acordo em relação à Grécia e a sua incidência em Portugal e na Irlanda: 
«A contracção da actividade económica em termos reais no biénio 2011-2012 foi de cerca
de 4,6%, valor próximo da queda de 4% inicialmente prevista no Programa para este
período. Em 2013, o Produto Interno Bruto irá contrair 1% em média anual. Porém, em
termos intra-anuais, prevê-se que já no segundo semestre de 2013 se inicie a
recuperação da actividade económica. Esta evolução tem lugar num quadro de forte
deterioração do enquadramento europeu e mundial. A economia europeia entrou de
novo em recessão no segundo trimestre de 2012 e, de acordo com as recentes previsões
da Comissão Europeia, deverá registar um enfraquecimento adicional na segunda
metade do ano.
A correcção do desequilíbrio externo tem vindo a processar-se a um ritmo surpreendente.
A balança de bens e serviços irá verificar um saldo positivo de 0,3% do PIB já este ano
(dois anos antes do previsto inicialmente no programa). O saldo conjunto da balança
corrente e de capital, que indica as necessidades líquidas de financiamento externo da
economia, deverá ser positivo já em 2013. No programa inicial admitia-se a persistência
de um défice da balança corrente e de capital significativo até ao final do horizonte
considerado (que era 2016). Estamos a inverter a situação crónica de necessidade de
financiamento e a passar para uma situação de capacidade de financiamento necessária
para a diminuição do endividamento externo. A melhoria da situação financeira geral e
da capacidade de financiamento do sistema bancário perspectivam uma melhoria das
condições de financiamento do sector privado. Para isso, deverá também contribuir a
evolução a nível europeu. Em particular, é urgente que na área do euro empresas com as
mesmas características de risco e potencial de negócio tenham acesso ao crédito em
condições semelhantes.»

É INADMISSÍVEL A INSISTÊNCIA NUM CENÁRIO MACROECONÓMICO, NUM ORÇAMENTO IRREALISTAS E NUMA POLÍTICA QUE NÃO VAI À RAÍZ DOS CÍRCULOS VICIOSOS, QUE COMPROMETEM SERIAMENTE O OBJECTIVO DE PORTUGAL RESOLVER O SEU PROBLEMA. É INCRÍVEL QUE SÓ AGORA SE FALE E MAL DA REFORMA DO ESTADO, QUE DEVERIA TER SIDO A BASE FUNDAMENTAL DO PROGRAMA E NÃO DE ATIRAR PARA CIMA DA NAÇÃO MAIS FARDOS PESADOS E DESNECESSÁRIOS. ESTES QUADRADOS ACABARÃO POR DESAPARECER DA CENA POLÍTICA, MAS QUANTO MAIS TARDE ISSO ACONTECER, MAIS AGRAVADO ESTARÁ O PROBLEMA ...

Jornal «A Bola» de 19-12-2012

O Ministro das Finanças voltou a dizer as suas barbaridades na sua audição na Comissão de Acompanhamento das Medidas do Programa de Assistência Financeira a Portugal, de que salientamos: «É um problema político incontornável: não é possível financiar funções e prestações do Estado, que a mesma sociedade que deseja essas funções e prestações não as está disposta a pagar». «Não é um problema económico e financeiro exclusivamente. É fundamentalmente um problema político. (...) O mais urgente com que nos confrontamos.»
Que funções e prestações do Estado? As que não acrescentam Valor? As que contribuem para a criação de Valor? As despesas públicas supérfluas vão continuar pelo mão do seu péssimo Orçamento do Estado de 2013 e a Sociedade Civil vai ser obrigada a continuar a financiá-las por vossa vontade e com a cumplicidade de todos os Orgãos de Soberania. Tamanha leviandade continua a ser paga por Impostos cada vez mais pesados e injustos. Se houvesse neste momento um referendo iria ver o que as Portuguesas e os Portugueses pensam do vosso Orçamento.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

BRITÂNIA - BRITANNIA - BRITANY

Representada pela estátua de Britânia na Academia de Perth (Escócia).

Júlio César invade a Britânia em 55 a.C. e em 54 a.C. como prolongamento da guerra da Gália e comenta na sua obra «Commentarii de Bello Gallico»:

«Britanniae pars interior ab eis incolitur quos natos in insula ipsi memoria proditum dicunt, maritima ab eis, qui praedae ac belli inferendi causa ex Belgio transierunt (qui omnes fere eis nominibus civitatum appellantur, quibus orti ex civitatibus eo pervenerunt) et bello illato ibi permanserunt atque agros colere coeperunt. Hominum est infinita multitudo creberrimaque aedificia fere Gallicis consimilia, pecorum magnus numerus. Vtuntur aut aere aut nummo aureo aut taleis ferreis ad certum pondus examinatis pro nummo. Nascitur ibi plumbum album in mediterraneis regionibus, in maritimis ferrum, sed eius exigua est copia; aere utuntur importato. Materia cuiusque generis ut in Gallia est, praeter fagum atque abietem. Leporem et gallinam et anserem gustare fas non putant; haec tamen alunt animi voluptatisque causa. Loca sunt temperatiora quam in Gallia, remissioribus frigoribus.
Insula natura triquetra, cuius unum latus est contra Galliam. Huius lateris alter angulus, qui est ad Cantium, quo fere omnes ex Gallia naves appelluntur, ad orientem solem, inferior ad meridiem spectat. Hoc pertinet circiter mila passuum quingenta. Alterum vergit ad Hispaniam atque occidentem solem; qua ex parte est Hibernia, dimidio minor, ut aestimatur, quam Britannia, sed pari spatio transmissus atque ex Gallia est in Britanniam. In hoc medio cursu est insula, quae appellatur Mona: complures praeterea minores subiectae insulae existimantur, de quibus insulis nonnulli scripserunt dies continuos triginta sub bruma esse noctem. Nos nihil de eo percontationibus reperiebamus, nisi certis ex aqua mensuris breviores esse quam in continenti noctes videbamus. Huius est longitudo lateris, ut fert illorum opinio, septingentorum milium. Tertium est contra septentriones; cui parti nulla est obiecta terra, sed eius angulus lateris maxime ad Germaniam spectat. Hoc milia passuum octingenta in longitudinem esse existimatur. Ita omnis insula est in circuitu vicies centum milium passuum.
Ex his omnibus longe sunt humanissimi qui Cantium incolunt, quae regio est maritima omnis, neque multum a Gallica differunt consuetudine. (...)» 


«The interior portion of Britain is inhabited by those of whom they say that it is handed down by tradition that they were born in the island itself: the maritime portion by those who had passed over from the country of the   Belgae for the purpose of plunder and making war; almost all of whom are called by the names of those states from which being sprung they went thither, and having waged war, continued there and began to cultivate the lands. The number of the people is countless, and their buildings exceedingly numerous, for the most part very like those of the Gauls: the number of cattle is great. They use either brass or iron rings, determined at a certain weight, as their money. Tin is produced in the midland regions; in the maritime, iron; but the quantity of it is small: they employ brass, which is imported. There, as in Gaul, is timber of every description, except beech and fir. They do not regard it lawful to eat the hare, and the cock, and the goose; they, however, breed them for amusement and pleasure. The climate is more temperate than in Gaul, the colds being less severe. 
The island is triangular in its form, and one of its sides is opposite to Gaul. One angle of this side, which is in Kent, whither almost all ships from Gaul are directed, to the east; the lower looks to the south. This side extends about 500 miles. Another side lies toward Spain and the west, on which part is Ireland, less, as is reckoned, than Britain, by one half: but the passage into Britain is of equal distance with that from Gaul. In the middle of this voyage, is an island, which is called Mona: many smaller islands besides are supposed to lie [there], of which islands some have written that at the time of the winter solstice it is night there for thirty consecutive days. We, in our inquiries about that matter, ascertained nothing, except that, by accurate measurements with water, we perceived the nights to be shorter there than on the continent. The length of this side, as their account states, is 700 miles. The third side is toward the north, to which portion of the island no land is opposite; but an angle of that side looks principally toward Germany. This side is considered to be 800 miles in length. Thus the whole island is 2,000 miles in circumference.
The most civilized of all these nations are they who inhabit Kent, which is entirely a maritime district, nor do they differ much from the Gallic customs. Most of the inland inhabitants do not sow corn, but live on milk and flesh, and are clad with skins. (...).»

Em 43 d.C. os Romanos invadem o Sudoeste, a zona mais interessante em termos económicos, e passam a controlá-lo. Entre 60 e 61 d.C. a Rainha Boadicea dos Icenii, lidera-os numa revolta contra os Romanos, com o apoio de aliados bretões, após Roma não ter cumprido o acordado com o Rei dos Icenii após o seu falecimento e desrespeitar a sua mulher e as suas filhas e o seu povo. Após ganharem uma vantagem inicial e se dirigirem a Londinium (actual London), o abandono e a destruição da cidade por parte dos Romanos, muito inferiores em número, vai-lhes permitir enfrentar os Bretões em melhores condições. Boadicea, segundo Tacitus na sua obra «Annales», fala desta forma ao seu povo: 
«But now it is not as a woman descended from noble ancestry, but as one of the people that I am avenging lost freedom, my scourged body, the outraged chastity of my daughters. Roman lust has gone so far that not our very persons, nor even age or virginity, are left unpolluted. But heaven is on the side of a righteous vengeance; a legion which dared to fight has perished; the rest are hiding themselves in their camp, or are thinking anxiously of flight. They will not sustain even the din and the shout of so many thousands, much less our charge and our blows. If you weigh well the strength of the armies, and the causes of the war, you will see that in this battle you must conquer or die. This is a woman's resolve; as for men, they may live and be slaves.»
O líder Romano, por sua vez, terá dito segundo Tacitus:
«Ignore the racket made by these savages. There are more women than men in their ranks. They are not soldiers - they're not even properly equipped. We've beaten them before and when they see our weapons and feel our spirit, they'll crack. Stick together. Throw the javelins, then push forward: knock them down with your shields and finish them off with your swords. Forget about plunder. Just win and you'll have everything.»
«Boadicea Haranguing the Britons» do pintor John Opie. A partir da pintura William Sharp realizou uma gravura pubblicada em 1793.


«Boadicea and her Daughters» do escultor Thomas Thornycroft (1885).

Os Bretões serão derrotados pela fragilidade dos seus equipamentos militares e os Romanos reforçarão a sua posição na Grã Bretanha.

É nessa mesma obra, «Annales», que Tacitus se refere aos Cristãos e a Jesus Cristo, a propósito da horrível  culpabilização do grande incêndio de Roma em 64 d.C., por parte do horroroso Nero: 
«(...) Sed non ope humana, non largitionibus principis aut deum placamentis decedebat infamia, quin iussum incendium crederetur. ergo abolendo rumori Nero subdidit reos et quaesitissimis poenis adfecit, quos per flagitia invisos vulgus Chrestianos appellabat. auctor nominis eius Christus Tibero imperitante per procuratorem Pontium Pilatum supplicio adfectus erat; repressaque in praesens exitiablilis superstitio rursum erumpebat, non modo per Iudaeam, originem eius mali, sed per urbem etiam, quo cuncta undique atrocia aut pudenda confluunt celebranturque. igitur primum correpti qui fatebantur, deinde indicio eorum multitudo ingens haud proinde in crimine incendii quam odio humani generis convicti sunt. et pereuntibus addita ludibria, ut ferarum tergis contecti laniatu canum interirent aut crucibus adfixi [aut flammandi atque], ubi defecisset dies, in usu[m] nocturni luminis urerentur. hortos suos ei spectaculo Nero obtulerat, et circense ludicrum edebat, habitu aurigae permixtus plebi vel curriculo insistens. unde quamquam adversus sontes et novissima exempla meritos miseratio oriebatur, tamquam non utilitate publica, sed in saevitiam unius absumerentur.»

«(...) But all human efforts, all the lavish gifts of the emperor, and the propitiations of the gods, did not banish the sinister belief that the conflagration was the result of an order. Consequently, to get rid of the report, Nero fastened the guilt and inflicted the most exquisite tortures on a class hated for their abominations, called Christians by the populace. Christus, from whom the name had its origin, suffered the extreme penalty during the reign of Tiberius at the hands of one of our procurators, Pontius Pilatus, and a most mischievous superstition, thus checked for the moment, again broke out not only in Judaea, the first source of the evil, but even in Rome, where all things hideous and shameful from every part of the world find their centre and become popular. Accordingly, an arrest was first made of all who pleaded guilty; then, upon their information, an immense multitude was convicted, not so much of the crime of firing the city, as of hatred against mankind. Mockery of every sort was added to their deaths. Covered with the skins of beasts, they were torn by dogs and perished, or were nailed to crosses, or were doomed to the flames and burnt, to serve as a nightly illumination, when daylight had expired. Nero offered his gardens for the spectacle, and was exhibiting a show in the circus, while he mingled with the people in the dress of a charioteer or stood aloft on a car. Hence, even for criminals who deserved extreme and exemplary punishment, there arose a feeling of compassion; for it was not, as it seemed, for the public good, but to glut one man's cruelty, that they were being destroyed.»
«Nero nach dem Brande Roms» por Karl Theodor von Piloty (1861)

Em 150 depois de Cristo os Romanos não dominam aprnas a Caledónia, a futura Escócia, as «Highlands», onde colocam duas grandes muralhas: 


«Roman Roads in Britain around 150 AD/CE» por Andrei Nacu (Wikipedia)
«The Romans Cause a Wall to be Built for the Protection of the South» por William Bell Scott (1857)
Muralha de Adriano e vestígios do castelo Milecastle: Fotografia de Adam Cuerden (Wikipedia)

Uma emocionante e extraordinária ficção relativa à ligação entre Celtas e Romanos na Britânia é a excelente obra de Marion Zimmer Bradley «The Forest House» (1994), em que o Amor entre Eilan, Sacerdotisa Druídica e Gaius, Oficial Romano, evidencia como a Sociedade pode dialecticamente, com as suas horríveis  e cruéis imposições político-religiosas, separar e unir eternamente uma Mulher e um Homem que se Amam!

Em 410 d.C os Romanos retiram-se da Britânia e deixam os Bretões Celtas Latinizados à mercê das bárbaras invasões de Anglos, Saxões e Jutos vindos da Germânia, que os limitam à Cambria (Wales), à Cornubia (Cornwall) e os fazem emigrar para a Aremoricae cerca de 500 a.C., que passa a designar-se por
Britannia Minor, Bretagne, Brittany.
«Britain 500 CE» por Briangotts com a licença de utilização Creative Commons (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/deed.fr)
«Peoples of Britain circa 600» HHel-hama/IMeowbot/Everyking
 (Wikipedia) Criative Commons (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/deed.en)

Mas o carácter indelével da Cultura Latina na BRITANNIA e na GALLIA vai-se manifestar no desenvolvimento da Língua Inglesa (English Language), que actualmente tem mais influência do Latim e das suas Línguas derivadas (Latinas) do que da Línguas Germânicas.
Thomas Finkenstaedt e Dieter Wolff na sua obra «Ordered profusion; studies in dictionaries and the English lexicon» (1973) (http://en.wikipedia.org/wiki/English_language) estimaram que a origem das palavras em Inglês teriam as seguintes origens em termos relativos:
- Langue d´oil (Língua Galo-Românica), incluindo o Françês e Normando antigo (28,3%);
- Latim, incluindo o científico e técnico da Idade Moderna (28,24%);
- Línguas Germânicas, incluindo as derivadas do Inglês antigo, mas não incluindo palavras Germânicas que têm origem no Latim, no Françês ou em outras Línguas Latinas (25%);
- Grego (5,32%);
- Sem etimiologia definida (4,03%);
- Nomes próprios (3,28%);
- Outras línguas (menos de 1%).

Nos mapas criados por Notuncurious (Wikipedia) com a licença de utilização Creative Commons (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/deed.en) poderemos observar as actividades económicas dos Romanos na Britânia:

domingo, 25 de novembro de 2012

TIRANIA, IGNORÂNCIA E FANATISMO - TYRANNIDEM IGNORANTIA ET FANATICUM - TYRANNY, IGNORANCE AND FANATICISM


Representada por «Liberty striking down Ignorance and Fanaticism» de Louis-Simon Boizot (1793)

«Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, Grão-Mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos – a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania» 
«To always keep in mind the martyr  Jacques de Molay, Grand-Master of the Templars, and to fight, always and everywhere, his three assassins – Ignorance, Fanaticism and Tyranny»
Fernando Pessoa («Fernando Pessoa», 1935)

«Não tenhais medo, porque, se não o tiverdes, será o tirano que terá medo»
«Don´t be afraid, because of you don´t have it the tyrant will be have afraid.»   
General Humberto Delgado (campanha eleitoral para a Presidência da República, 1958)

«(...) ignorance more frequently begets confidence than does knowledge» 
Charles Darwin «The Descent of Man» (1871) 

«(...) Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus (...) atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los. (...)» 
«(...) Super cathedram Moysis sederunt scribae et pharisaei (...) Alligant autem onera gravia et importabilia et imponunt in umeros hominum, ipsi autem digito suo nolunt ea movere.(...)»
«The scribes and the Pharisees sit in Moses' seat (...) they bind heavy burdens and grievous to be borne, and lay on men's shoulders; but they will not move them with one of their fingers. (...)» 
Jesus Cristo segundo o «Evangelho de Mateus» (escrito provavelmente, depois do ano 70 depois de Cristo) 

sábado, 17 de novembro de 2012

TROIKA II - TRIGA II - TRIGAE II - TRIGA II

Declarações do Líder do Partido Socialista após reunião com os representantes da Troika (16-11-2012 http://www.ps.pt/noticias/noticias/governo-e-troika-nao-estao-conscientes-da-gravidade-da-situacao-do-pais.html):

«Há um consenso na Sociedade Portuguesa que a receita da austeridade custe o que custar falhou. Assim não vamos lá. E foi isso que mais uma vez dissemos à Troika. A austeridade do Primeiro Ministro não resolve nenhum problema, agrava as condições de vida dos Portugueses e os desequilíbrios no País. O Primeiro Ministro exige por um lado pesados sacrifícios aos Portugueses, mas falha nos objectivos essenciais desse Programa. O desemprego é o maior de sempre (...) 871 mil Portugueses desempregados. Mais de 100 mil Portugueses perderam o emprego desde o início (...) de 2012. 438 mil Portugueses estão desempregados há mais de um ano. Há cerca de 39% de desemprego jovem. E a população mais afectada é aquela que se situa entre 45 e mais anos e que neste momento atingem já cerca de 250 mil Portugueses. As Pessoas perdem rendimento, as Empresas entram em falência, a Economia continua a cair, a dívida pública a aumentar para níveis muito perigosos, e até o défice orçamental fica aquém daquilo que é projectado e garantido pelo Primeiro Ministro. As contas da Segurança Social (...) vão registar um saldo negativo de cerca de 800 milhões de euros. 

(...) Mudança foi o que dissemos à Troika. Mudança da estratégia de austeridade custe o que custar para outra estratégia que coloque a prioridade no crescimento da nossa Economia e na criação de emprego, que concilie essa prioridade com o rigor e a necessária disciplina das nossas contas públicas. Esta mudança é urgente e é urgente porque chegámos a um momento crítico da vida do País. Crítico porque estamos a discutir o principal instrumento de execução do programa de ajustamento para o próximo ano, o Orçamento do Estado, e porque chegaram ao conhecimento público elementos importantes, sinais de alerta, sobre a situação económica, social e das próprias contas públicas. O país está numa situação muito grave, mais grave do que o Governo e a própria troika têm consciência.»

«Nós questionámos a Troika (...) não há nenhuma exigência em relação às áreas ou funções do Estado onde esse corte deve ser feito. (...) Nós não estamos disponíveis para fazer um corte de 4 mil milhões de euros nas funções sociais do Estado.»
«(...) Há uma proposta (...) que é a necessidade de nós criarmos um Banco de Fomento no nosso País. (...) Será um Banco indispensável para canalizar os recursos que o País tem à sua disposição para apoiar as Empresas. As Empresas precisam de crédito mais adequado, precisam de se recapitalizar, as Empresas Exportadoras precisam de garantias para concorrer em mercados externos (...) só a Economia nos pode retirar da crise em que estamos.»    

«De um lado está a troika e o Governo e do outro está o PS e está o País. (...) é natural que tendo a Troika e o Governo a mesma posição, a mesma leitura da realidade e (...) de qual é a solução para essa realidade, que eles sejam insensíveis em relação às propostas do PS.»

«(...). Não tem nenhum sentido que a Directora do FMI fale em crescimento e depois o Programa aplicado a Portugal assente numa política de austeridade. (...) Esta oportunidade não pode ser perdida, esta é uma avaliação muito importante no sentido de o país mudar a sua trajectória de consolidação. Neste momento, a consolidação não está a ser feita do modo como foi previsto, impendem sobre os portugueses pesados sacrifícios, vivemos em situação de e pré-ruptura social, a nossa economia continua a cair. Esta realidade tem de obrigar o memorando a alterar-se, é o memorando que tem de se adaptar à realidade. O país precisa de negociar as condições do contexto do ajustamento, com mais tempo e menos juros. E temos que fazer o que temos que fazer no nosso País, isto é, definir com clareza uma estratégia nacional de desenvolvimento, uma estratégia sustentável que mobilize o País, que mobilize os Portugueses (...), que mobilize as Empresas (...) gerando riqueza nós estaremos em condições de satisfazer os nossos compromissos internacionais (...).


Dia 14 de Novembro houve um «greve geral» que uniu a Itália, a Espanha, a Grécia e Portugal contra as políticas de austeridade troikistas.

A manifestação em frente à Assembleia da República manifestou mais uma vez, a total insensibilidade deste Governo actual em relação às Pessoas: aos Polícias que suportaram uma chuva de pedras (inqualificável não se ter agido de imediato para evitar a mesma) e às Cidadãs e aos Cidadãos que têm direito à indignação, de permanecer na manifestação (sem atirar pedras obviamente) e que foram vítimas de uma carga policial indiscriminada, cega e bastante extensa e que acabou, não o querendo, por provocar ainda mais violência, nomeadamente em Pessoas que não tinham cometido qualquer acto de violência. Também nos pareceu que a perseguição ultrapassou em muito o perímetro à volta da Assembleia e acabou por provocar reacções de violência contra violência, num círculo vicioso que é fundamental e imperioso evitar. Não está em causa a Polícia, está em causa, mais uma vez, o Governo, péssimo!


A VIOLÊNCIA GERA A VIOLÊNCIA, A SEGURANÇA DOS CIDADÃOS, NOMEADAMENTE DOS POLÍCIAS, ESTÁ ACIMA DE TUDO, POR ISSO ERA NECESSÁRIO TER AGIDO IMEDIATAMENTE, LOGO APÓS A PRIMEIRA PEDRA TER SIDO ATIRADA. SE SE TIVESSE FEITO ISSO, NADA DO QUE DEPOIS ACONTECEU TERIA ACONTECIDO E AS PESSOAS PODERIAM TER CONTINUADO A MANIFESTAR-SE PACIFICAMENTE. EM NOSSA OPINIÃO O GOVERNO DEIXOU OS POLÍCIAS E OS CIDADÃOS NUMA SITUAÇÃO INTOLERÁVEL. RECORDAMOS AQUI UM ACONTECIMENTO HORROROSO NUM JOGO DE FUTEBOL, NO ESTÁDIO NACIONAL, EM QUE APÓS TEREM SIDOS ATIRADOS VÁRIOS «VERY LIGHT» NÃO HOUVE QUALQUER REACÇÃO (COMO FOI POSSÍVEL?!!!!) E QUANDO UM DESSES MEIOS PARA SALVAR A VIDA DE NÁUFRAGOS NO MAR SE CONVERTEU NUMA «ARMA MORTAL» NÃO FOI DE IMEDIATO PRESTADA A DEVIDA HOMENAGEM À VITIMA INOCENTE DESSE HORROROSO ERRO DE SEGURANÇA, QUE PODERIA TER VITIMADO QUALQUER OUTRA PESSOA, INCLUINDO O PRESIDENTE DA REPÚBLICA. SE TIVESSE SIDO O CASO O TRISTE ESPECTÁCULO NÃO TERIA CONTINUADO, CERTAMENTE (QUE HIPOCRISIA!). AGIR NO MOMENTO CERTO DE FORMA A QUE A LIBERDADE DE TODOS SEJA RESPEITADA É FUNDAMENTAL! À VÍTIMA E À SUA FAMÍLIA, MAIS UMA VEZ, A NOSSA PROFUNDA HOMENAGEM, QUE SE ESTENDE A TODAS AS VÍTIMAS DA FALTA DE RESPEITO PELAS PESSOAS, PELA SUA LIBERDADE E PELAS SUAS VIDAS SAGRADAS.



POR OUTRO LADO, CONSIDERAMOS QUE O GOVERNO ESTÁ SISTEMATICAMENTE A UTILIZAR A POLÍCIA DE UMA FORMA EXTREMAMENTE INCORRECTA PARA COM OS CIDADÃOS E A PRÓPRIA POLÍCIA, COM MEIOS E PESSOAS TOTALMENTE DESPROPORCIONADOS EM RELAÇÃO AO PAÍS MAIS PACÍFICO DO MUNDO. TANTO DINHEIRO GASTO PARA QUÊ? ESSENCIALMENTE PARA DEFENDER O GOVERNO, NÃO OS CIDADÃOS. O APARATO DE SEGURANÇA, A FALTA DE RESPEITO PELAS AUTORIDADES MILITARES EM SÃO JULIÃO DA BARRA, SEGUNDO OS ÓRGÃOS DE INFORMAÇÃO, FICARAM BEM VISÍVEIS NA SUBSERVIENTE RECEPÇÃO À CHANCELER ALEMÃ NO DIA 12. 

 O GOVERNO DEVE SER POSTO EM CAUSA ATRAVÉS DA LEGÍTIMA EXPRESSÃO DA VONTADE DA NAÇÃO, DE FORMA PACÍFICA E DEMOCRÁTICA! VIVA PORTUGAL, VIVAM AS PORTUGUESAS E OS PORTUGUESES!






terça-feira, 13 de novembro de 2012

REFORMA DO ESTADO - STATU REFORMATIONI - STATE REFORM


«O Estado precisa de muitas reformas com o objectivo de o tornar mais forte, eficiente e amigo das pessoas e das empresas. E o PS tem consciência disso e já começou esse debate, internamente, tendo começado pela criação do grupo de trabalho para a reforma do sistema fiscal, em funcionamento desde Janeiro.
O PS apresentou, esta semana, no Parlamento, uma proposta de metodologia para a reforma do Estado. Uma reforma estudada (designadamente pelas universidades) participada (pelos parceiros sociais, movimentos cívicos) debatida pelos portugueses e feita com o tempo adequado. Aguarda-se a decisão da maioria PSD/CDS.

(...) o PS quer uma verdadeira e profunda reforma do Estado, enquanto o Primeiro Ministro pretende arranjar um álibi e um cúmplice para cortar 4 mil milhões de euros no SNS, na educação e na segurança social.» 

António José Seguro, Secretário Geral do Partido Socialista, 10-11-2012


O quadrático Ministro das Finanças na sua apresentação do 6.º momento de avaliação do Programa de Assistência Financeira a Portugal pela Troika (BCE, CE, FMI) afirmou 19-11-2012: «Em Portugal, queremos assegurar um estado social mais justo, mais dirigido aos mais desfavorecidos e vulneráveis, mais eficaz e mais eficiente. Queremos assegurar a compatibilização das funções sociais com um nível de impostos e contribuições suficiente e politicamente tolerável.». 

Por outras palavras, a redução das despesas públicas vai passar na perspectiva do Governo, pelas classes de rendimentos intermédios irem beneficiar cada vez menos do Estado. Irão pagar cada vez mais pela Saúde e pela Educação a «privados» apoiados pelo Estado complementarmente, através dos impostos! É a táctica que o Governo tem executado: em nome da «protecção» dos mais vulneráveis, reduz o apoio do Estado a esse nível e vulnerabiliza «a classe média», transformando-a progressivamente, em «classe baixa», acentuando o carácter dual da Sociedade Portuguesa!! Enquanto na América Latina se fortalece a «classe média» e o Mercado Interno, aqui o Governo vai no sentido contrário, tornando Portugal muito vulnerável!

Entretanto o Governo pretende manter como até agora, um conjunto de despesas públicas que não criam Valor, mas que interessam à reprodução do seu poder mesquinho, e que deveriam ser as primeiras a serem cortadas: Veja-se o último exemplo das despesas dos Partidos nas campanhas eleitorais ... Os custos de oportunidade dessas despesas são muito elevados, ao não serem reduzidas implicam o corte de despesas que criam Valor ou aumento de impostos, taxas, sobretaxas, coimas, multas, ... que fragilizam a Sociedade Civil na sua capacidade de criação de Valor. O argumento do status quo é sempre o mesmo: «não ceder ao populismo», como se «populismo» fosse cortar em despesas supérfluas, aparecendo vozes a referir que isso não vai resolver o problema! Mas as famílias e as empresas ficarem cada vez mais empobrecidas já resolve!  

Um Governo que criou um grave problema nos portos e que não ata nem desata é um Governo que devia se demitir imediatamente. Mas não há honra neste Governo. Escutem as palavras do seu muito fraco e inepto líder (é consensual, mesmo para muitas pessoas do PSD): «O senhor deputado António José Seguro hoje está muito preocupado com o destino que nós vamos dar aos fundos comunitários que hão-de vir do próximo quadro comunitário de apoio, mas ainda não lhe ouvimos a versão socialista actual de como é que os fundos durante muitos anos foram utilizados em Portugal e do preço que vamos pagar por os termos utilizado mal». 
Estas afirmações foram realizadas no Parlamento no dia 21-11-2012, numa altura que o líder do PS já não podia responder. Foi o PSD, através do seu líder da altura e Primeiro-Ministro, o actual Presidente da República, que desperdiçou muitos subsídios a fundo perdido, na Formação Profissional por exemplo, mas também para deixarmos de pescar, de cultivar, para arrancar oliveiras da serra de excelente qualidade, para enterrar laranjas, com muito melhor qualidade do que a das importadas, que apareciam nos hipermercados e supermercados, bem como na construção de muitas estradas de péssima qualidade, como foi por exemplo a famigerada IP5. 
Vem agora o actual Presidente dizer o seguinte (21-11-2012): «Numa altura em que urge criar riqueza no país e gerar novas bases de crescimento económico, é necessário olhar para o que esquecemos nas últimas décadas e ultrapassar os estigmas que nos afastaram do mar, da agricultura e até da indústria, com vista a produzirmos, em maior gama e quantidade, produtos e serviços que possam ser dirigidos aos mercados externos.» Impressionante! Também impressionante é o Primeiro Ministro esquecer-se da sua administração numa empresa que segundo a investigação do Jornal Público, por nós já citada, dedicava-se à obtenção de subsídios para a Formação, numa utilização desses meios de financiamento de uma forma muito frágil em termos morais e de criação de Valor (http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/relvas-apoiou-empresa-ligada-a-passos-a-ter-monopolio-de-formacao-em-aerodromos-do-centro-1566812).
É impressionante que o cúbico António Borges, que contribuiu fortemente para a vulnerabilização da Indústria Portuguesa, seja um consultor de destaque do Governo. É impressionante que o Ministro da Economia tenha agora acordado para a Indústria, só depois da mesma ser badalada na Europa..
É também impressionante que o chefe da missão do FMI em Portugal designe como «impressionante» o quadrático Ministro das Finanças!

A Nação fica impressionada com toda esta falta de moral e de respeito pelas Pessoas e pelas Empresas.
Felizmente que muitos Industriais aproveitaram bem os Fundos estruturais para modernizarem e inovarem as suas empresas, que lhes permitiram ganhar quotas de mercado nos mercados internacionais. É de salientar que o Governo e a Troika ficaram muito surpreendidos com esse êxito, e quando se tornou evidente, colaram-se a ele, mas já o estão a conseguir estragar, com excessiva fragilização do mercado interno (recordamos que as empresas que exportam dependem em média de 2/3 desse mercado), com a questão dos portos e com toda a falta de apoio às Empresas. A verdadeira Reforma do Estado também deveria passar por aí. Por exemplo, há décadas que os Empresários denunciam a falta de certas qualificações para as suas necessidades, as deficiências da Burocracia, da Logística, da Energia, das Telecomunicações, etc.
    
O ORÇAMENTO DO ESTADO PARA 2013 QUE FOI FUNDAMENTADO DE UMA FORMA VERGONHOSA, FOI APROVADO POR UMA MAIORIA DE DEPUTADOS, CONTROLADOS POR UMA MINORIA DE PESSOAS QUE GANHOU PODER PELA NEGATIVA E AGORA, COM O «CHEQUE E A LIVRANÇA EM BRANCO», APOIADOS PELA TROIKA, ESTÃO A CONDUZIR O PAÍS POR CAMINHOS TENEBROSOS E DESTRUTIVOS, ALIMENTADORES DE CÍRCULOS VICIOSOS. 
DEPOIS DO BANCO DE PORTUGAL TER POSTO EM CAUSA A IRREALISTA E IRRESPONSÁVEL PREVISÃO DO GOVERNO RELATIVA À VARIAÇÃO REAL DO PIB PARA 2013 DE -1%, REALIZANDO UMA PREVISÃO DE -1,6%, A OCDE FEZ UMA PREVISÃO DE -1,8%, O ISEG/DELOITTE PREVÊ UMA VARIAÇÃO ENTRE -2,2% E 2,6%, E ASSIM SUCESSIVAMENTE ...
PARA O GOVERNO TANTO FAZ, ARRANJA SEMPRE FORMAS DE ATIRAR PARA CIMA DAS PESSOAS AS CONSEQUÊNCIAS DOS SEUS ERROS, DA SUA INCAPACIDADE E VONTADE DE ATACAR OS PROBLEMAS DE FUNDO, ANDA À SUPERFÍCIE, SEM ORIENTAÇÃO ESTRATÉGICA.
OS MEMBROS DO GOVERNO DEVIAM TER VERGONHA QUANDO APELAM À PARTICIPAÇÃO, QUANDO SISTEMATICAMENTE REJEITAM AS ALTERNATIVAS QUE SÃO APRESENTADAS: SÃO HIPÓCRITAS, MUITO INCOMPETENTES, MUITO FRACOS! 

Entretanto o tenebroso primeiro-ministro veio lançar mais umas trevas sobre Portugal, sobre as Portuguesas e sobre os Portugueses. Lembram-se de Durão Barroso no mesmo lugar? Fazia algo de semelhante, fazem parte da mesma cultura do negativo, não têm sensibilidade, não têm visão estratégica:
«O debate sobre a reforma do Estado não acaba nestes 4 mil milhões, nem acaba em Fevereiro. Vai prolongar-se para lá de Fevereiro. (...)
(...) Uma vez que o PS declinou participar nesta questão, vamos fazer a nossa própria avaliação com o Banco Mundial, a OCDE. Vamos promover um amplo debate e, em Fevereiro, apresentaremos as nossas conclusões e medidas à troika. Medidas que deverão somar, pelo menos, 4 mil milhões.
Mas o debate vai durar até ao verão do próximo ano. Se até lá aparecerem medidas melhores, nós propomos à troika a substituição dessas medidas (...)
(...) cortar nas despesas de modo a fazer corresponder a reforma do Estado com aquilo que os contribuintes podem pagar. (...)
Eu tenho de ser sério nisto. 70 por cento da nossa despesa é em prestações sociais e despesas com pessoal. Parece-me evidente que vamos ter de cortar nestas rubricas. É difícil rever despesa do Estado sem rever prestações sociais e salários. Temos de mexer nas pensões, na saúde, na educação e noutras de despesas que não estas. Não podemos também deixar de olhar para as despesas de soberania, como a reforma dos níveis de segurança.
[Na educação existe] alguma margem de liberdade para poder ter um sistema de financiamento mais repartido, entre os gastos dos cidadãos e do esforço do Estado (...) do lado da saúde temos menos liberdade para isso.»


Que pobreza de espírito ... necessitamos de líderes que defendam a Nação, não de pessoas submetidas ao Exterior sem garra, sem ideias próprias, aculturadas e funcionárias europeias, como o incompetente ministro das Finanças, que falhou brutalmente e que vai voltar a falhar,  «o nº 2 no Governo é o ministro das Finanças e terceiro é o ministro de Estados e dos Negócios Estrangeiros», afirmou o primeiro-ministro: o que é o CDS está a fazer no Governo? Toda a sua humilhação resignada é estranha ... outros interesses se levantaram que não os de Portugal, ao contrário do que afirmou o seu líder! 
Eis os deputados amestrados do PSD e do CDS a votarem favoravelmente uma brutal carga fiscal sobre a Nação, sem que tenham sido realizadas acções significativas de corte nas despesas que não criam Valor para Portugal! Não mereceram o voto das Pessoas que em vós confiaram! Como uma ilha neste mar de yes Troika, yes prime minister, yes minister of finances, uma Pessoa disse não e com isso honrou o seu eleitorado, o seu partido e a Democracia Portuguesa. Parabéns! A distância entre representantes e representados está-se a agigantar por responsabilidade desta cultura de representação baseada na caça ao voto e depois exerce-se com total desrespeito pelas promessas eleitorais, um mandato de total desfasamento em relação às Pessoas que votaram, na esperança de caminhos muito diferentes do que estão a ser percorridos, com grande irresponsabilidade ...
Fotografia em http://cantinhodomundo.blogspot.pt/2012/11/porque-coerencia-tem-custo.html


Mas estão todos amestrados? Nem todos como se pode observar, por exemplo, na declaração de voto do deputado do CDS João Almeida: «Na sua versão final, este Orçamento mesmo que funcione como exercício académico, terá graves problemas de aplicação prática, em resultado das enormes dificuldades que vai criar às pessoas (...) Se há coisa que o passado recente nos mostra claramente, é que a uma má solução, ainda que rejeitada, sucede uma pior. (...) Tenho a profunda convicção que a rejeição do Orçamento apenas agravaria a situação dos portugueses, principalmente dos que atravessam maiores dificuldades. Mais cedo ou mais tarde, com estes ou outros protagonistas, viria uma nova proposta com medidas idênticas em dose reforçada. (...) cinco riscos muito significativos (...) a carência de justificação clara para a dimensão do ajustamento necessário; a difícil sustentação do cenário macroeconómico; a desproporção entre o esforço do estado e o esforço solicitado às famílias; a insuficiência das alterações introduzidas, em sede de especialidade; e a introdução de medidas que comprometem reformas futuras (...)»
Em relação à primeira parte da declaração a mesma é muito pouco clara, manifestando a fragilidade com que o CDS engole o «quadrado», mas a segunda parte é muito clara! Deputado João Almeida, só faltou ter a coragem de votar contra este tenebroso Orçamento!

domingo, 11 de novembro de 2012

EXPORTAÇÃO III - EXPORTATIO III - EXPORT III

Porto de Lisboa

O desastroso Governo Português já conseguiu prejudicar fortemente as Exportações Portuguesas, por via da sua desastrada tentativa de diminuição dos custos nos Portos Nacionais a partir do início de Setembro, para aumentar a sua competitividade: até agora conseguiu que muitas mercadorias fiquem retidas face às greves dos portos (tendo conseguido acordo com os sindicatos dos trabalhadores dos portos de Sines e Leixões).  Em Lisboa e Setúbal nem consegue a diminuição dos custos nem consegue o fim das greves! A Volkswagen Autoeuropa tem 10.000 automóveis retidos em Setúbal, e a Portucel é outra das empresas lesadas, com efeitos nefastos nos clientes. Isto é intolerável!

Em Setembro de 2012 relativamente a Setembro de 2011, o Instituto Portuário e dos Portos Marítimos (IPTM) divulgou uma quebra de -10% na carga movimentada e o Instituto Nacional de Estatítica (INE) anunciou um diminuição de -6,5% nas Exportações de mercadorias, que justificou com a «paralisação de alguns portos nacionais». Entre as 0h do dia 19 de Setembro e as 8h do dia 21 de Setembro foi realizada uma greve dos trabalhadores das administrações portuárias. Nos dias 25 e 26 de Setembro os estivadores e os pilotos de barra paralisaram. O porto de Lisboa passou das cerca de 1000 milhões de toneladas de carga movimentada em Setembro de 2011 para as 589 milhões de toneladas em Setembro de 2012 (-41,21%). 80% das Exportações para Países extra União Europeia são efectuadas por via marítima. O desvio das mercadorias para os portos de Sines, de Leixões ou de Espanha ou o maior tempo de armazenagem, implicam aumento de custos para as empresas e prejudicam fortemente a posição dos exportadores perante os seus clientes internacionais.

As greves prolongaram-se por Outubro (em que a quebra homóloga da carga movimentada foi menor, -0,76% segundo o IPTM devido à quebra das importações) e vão continuar em Novembro. O IPTM argumenta que Sines e Leixões representam agora 73% da carga movimentada e 55% dos estivadores e anunciou a diminuição das taxas portuárias em -10%. Os empresários solicitam a «requisição civil».

Na nossa opinião é muito importante que os portos sejam competitivos, com o respeito pelas boas condições de trabalho, mas é inadmissível que estes bloqueios às Exportações estejam a acontecer. Nesse sentido, consideramos que o interesse Nacional é incompatível com a greve, pelo que o Governo teria que ou ter tido maior cuidado na reforma (a ser discutida na Assembleia da República) ou ter impedido as greves por via da «requisição civil». Nem uma coisa nem outra  demonstram a total incapacidade deste Governo!

Observemos agora com maior profundidade, as estatísticas do Comércio Internacional de Bens do INE e elaboremos os seguintes gráficos-quadros:

Apesar da diminuição homóloga das Exportações de bens em Setembro (-6,5%, -246 M€)), as mesmas foram acompanhadas por uma redução ainda mais acentuada das Importações (-8,4%), o que implicou uma melhoria no défice da Balança Comercial de bens (-1309 M€ em 2011, -1124 M€ em 2012). Se retirarmos os Combustíveis refinados exportados e os Combustíveis em bruto importados, o impacto é ainda maior: défice da Balança Comercial de apenas -277 M€ em 2012 face a um défice de -579 M€ em 2011. A quebra homóloga das Exportações sem o Petróleo refinado pela GALP foi de -5,9% (-205 M€).

No mês de Setembro a quebra das Exportações foi de -231 M€ (-8,3%) na U.E. e de apenas -15 M€ extra U.E., com a seguinte desagregação por Países:

- Finlândia (Finland) +17 M€;
- Itália (Italy) +13 M€;
- Espanha (Spain) -75 M€;
- Alemanha (Germany) -75 M€;
- França (France) -37 M€;
- Bélgica (Belgium) -27 M€;
- Reino Unido (United Kingdom) -24 M€;
- Polónia (Poland) -9 M€;
- Bulgária (Bulgary) -8 M€.

Em termos acumulados, até Setembro de 2012 as Exportações tiveram um aumento homólogo de 2425 M€ (+7,7%), 1621 M€ sem Combustíveis (+5,5%), 578 M€ na União Europeia (23,8%) e 1847 M€ (76,2%) extra União Europeia. O peso da União passou de 74,8% para 71,2%, com a seguinte desagregação por Países, por Continente (com baixos relevos do Hotel Ritz em Lisboa):
EUROPA
- França (France) +163 M€;
- Grécia (Greece) +161 M€;
- Reino Unido (United Kingdom) +134 M€;
- Holanda (Nederland) +126 M€;
- Bégica (Belgium) +98 M€;
- Itália (Italy) +55 M€;
- República Checa (Czech Republic) +33 M€;
- Roménia (Romania) +28 M€;
- Hungria (Hungary) +28 M€;
- Finlândia (Finland) +24 M€;
- Dinamarca (Denmark) +23 M€;
- Áustria (Austria) +17 M€;
- Bulgária (Bulgaria) +17 M€; 
- Espanha (Spain) -368 M€;
- Alemanha (Germany) -57 M€
- Turquia (Turkey) +45 M€;
- Rússia (Russia) +31 M€;
- Suiça (Switzerland) +26 M€;
- Gibraltar (Gibraltar) +27 M€;
- Noruega (Norway) +10 M€;
ÁFRICA
- Angola (Angola) +539 M€;
- Moçambique (Mozambique) +54 M€;
- Guiné Bissau (Guinea Bissau) +7 M€;
- Malawi (Malawi) +24 M€;
- Togo (Togo) +22 M€;
- África do Sul (South Africa) +13 M€;
- Nigeria (Nigeria) +13 M€;
- Senegal (Senegal) + 10 M€;
- Marrocos (Morocco) +66 M€;
- Mauritânia (Mauritania) +16 M€;
- Egipto (Egypt) +7 M€;

AMÉRICA
- Estados Unidos da América (USA) +371 M€;
- Canadá (Canada) -11 M€;
- México (Mexico) -186 M€;
- Brasil (Brazil) + 83 M€;
- Venezuela (Venezuela) +120 M€;
- Cuba (Cuba) +10 M€;
- Peru (Peru) +8 M€;
- Colômbia (Colombia) +7 M€;

ÁSIA
- China (China) +378 M€;
- Hong Kong (Hong Kong) +16 M€;
- Macau (Macao) +6 M€;
- República da Coreia (Korea Republic) +21 M€;
- Malásia (Malasya) +14 M€;
- Indonésia (Indonesia) +8 M€;
- Japão (Japan) +5 M€
- Timor Leste (East Timor) +3 M€.
- Israel (Israel) +22 M€;
- Omã (Oman) +34 M€;
- Arábia Saudita (Saudit Arabia) +32 M€;
- Kuwait (Kuwait) +16 M€;
- Emiratos Árabes Unidos (UAE) +11 M€;

Em termos de produtos a desagregação das variações acumuladas até 30-09-2012 é a seguinte:
- Máquinas, aparelhos e materiais mecânicos e eléctricos (+533 M€);
- Obras de ferro ou aço (+149 M€), de cobre (+20 M€) e de metais comuns (+20 M€);
- Obras de borracha (+119 M€) e de plástico (+33 M€);
- Da fileira Moda: tecidos impregnados revestidos (+20 M€), o vestuário - excepto malha (+58 M€) e o calçado (+19 M€) da fileira Moda;
- Da fileira alimentar (+281 M€): bebidas (+61 M€), gorduras e óleos alimentares (essencialmente azeite), +41 M€, sementes e frutos oleaginosos (+12 M€), frutas, hortícolas e sua preparação (+57 M€), preparações à base de cereais (+15 M€), de carnes e peixes (+15 M€), animais vivos (+24 M€), carnes e miudezas (+27 M€) e lacticínios e ovos (+29 M€);
- Da fileira Construção – Lar (predominantemente): obras de pedra (+18 M€), cerâmica e vidro (+9 M€), a cortiça (+10 M€), a madeira (7 M€) e o mobiliário (55 M€);
- Automóveis -112 M€ (essencialmente Volkswagen Autoeuropa);
- Combustíveis +804 M€ (Galp Energia);
- Metais preciosos (saliência para o ouro) +224 M€.