sábado, 29 de setembro de 2012

HISPÂNIA - HISPANIA - HISPANIA

File:Conquista Hispania.svg
Fases da conquista da Hispânia por parte de Roma em anos antes de Cristo por HansenBCN (Wikipedia) licença de utilização Creative Commons (http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/deed.en).

A cordilheira dos Pirinéus delimita claramente a Península Ibérica do resto da Europa, e definiu a Hispânia Romana, integralmente conquistada em 19 a.C. no tempo do imperador Augustus, e composta pelas seguintes Províncias: LUSITANIA dos Lusitanos, BAETICA do rio BAETIS e TARRACONENSIS de Tarraco.

A Lusitânia Latina foi a base fundamental do futuro Portugal e a Bética e a Tarraconense teve como resultante, após muitas mutações, o actual Reino de Espanha.

Portugal e Espanha enfrentam actualmente uma ameaça comum: após a adesão à CEE em 1986 e de décadas de abundante financiamento proveniente da Europa, que permitiu aos dois Países um inegável desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida, com amplificação dos seus mercados para os seus vizinhos mais desenvolvidos da Europa, mas também das suas vulnerabilidades a um corte abrupto desses financiamentos, a muitos desperdícios realizados e também a muitas oportunidades perdidas.

O Governo de Espanha através da sua Vice-Presidente Soraya Saenz de Santamaria, e dos seu Ministros das Finanças e da Economia, anunciou as seguintes opções e previsões da Proposta para o Orçamento de Estado de 2013:
- 58% do ajustamento previsto (13.400 M€) será realizado pelo lado das despesas e 42% pelo lado das receitas;
- Os juros irão aumentar 9.742 Milhões de euros (M€),+34%, para 38.600 Milhões de euros;
-  As despesas dos ministérios irão ser cortadas em 3.883 M€;
- 63,6% das despesas totais (169.775 M€, aumento de 5,6%, 8.933 M€) serão «sociais»;
- O IVA terá um incremento de 6.900 M€;
- Existirão novos impostos, por exemplo sobre a Lotaria, no valor de 4.375 M€;
- O total de receitas previstas é de 124.044 M€ (aumento de 4%);
- Vão ser utilizados 3.063 M€ do Fundo de Reservas da Segurança Social:
- As pensões irão aumentar 1%;
- As remunerações dos empregados públicos irão ficar congelada pelo 3.º ano consecutivo;
- Está previsto um Plano para incentivar a venda de automóveis;
- A variação real do PIB será de -0,5%.

Soraya Saenz de Santamaría (Emilio Naranjo/EFE)
a ministra porta-voz do governo, Soraya Sáenz de Santamaría

Entretanto a Auditoria ao Sistema Financeiro sinaliza uma necessidade de 53.745 M€ para sanear a debilitada banca espanhola, após uma longa «bolha imobiliária».

Castilla la Mancha poderá se juntar à Catalunha, a Valência, a Múrcia e à Andaluzia na utilização de financiamento de emergência dotado de 18.000 M€ para as 17 Comunidades Autónomas.

«De Espanha», dizem as Portuguesas e os Portugueses, «nem bom vento, nem bom casamento» ... face à experiência histórica de vizinhança com Leão, Castela e Aragão e posteriormente, com a Espanha, união de Nações pela força e não pelo consenso, o que a torna mais vulnerável.

Esperemos que Portugal e Espanha consigam ultrapassar os seus problemas no seio da União Europeia e prossigam o seu desenvolvimento democrático (só reiniciado respectivamente, em 1974 e 1975) de uma forma mais saudável, realizando o seu imenso potencial, nomeadamente na sua interacção e sinergia. As suas Nações Latinas e Bascas bem o merecem!


Manifestação em Madrid I (foto publicada no Diário de Notícias)

Manifestação em Madrid II (foto da Reuters)
Espanhóis «cercam» o congresso [Reuters]
Manifestação em Madrid III (foto da Reuters)

Após o voto, após a Nação delegar a sua soberania nos representantes, se os mesmos são incompetentes e atraiçoam os seus representados com impostos e mais impostos, o que podem fazer os representados, as Nações? Têm poucos meios de se exprimir com e muitos menos para dialogar com os representantes! As sucessivas manifestações em Espanha são um exemplo de dar viva voz à indignação. Indigna-nos a violência das forças de segurança sobre cidadãos indefesos que são a razão de ser da sua existência e que os deviam proteger, nomeadamente dos manifestantes violentos. Mas não, estão lá para proteger os representantes apenas, cumprem ordens dos representantes, os representados, os que deviam ser protegidos, já só contam para a próxima eleição, que como sempre, não lhe dá muitas alternativas. É necessário aprofundar as dimensões participativas da Democracia!

Em Portugal as manifestações de 15 de Setembro foram bonitas e extremamente eficazes, fizeram cair uma medida absurda! Esperemos que as próximas também o sejam, tanto em Portugal como em Espanha!

Em 22 de Março de 2012 existiu violência brutal de um agente da autoridade sobre jornalistas, que deve ter tido a consequência dos mesmos agentes que têm por missão garantir a segurança de todas as Pessoas e que lhes devem um respeito profundo, estarem agora mais alerta no sentido de não serem eles próprios fomentadores de violência, de círculos viciosos.


Felizmente, esta imagem extremamente revoltante é excepcional em Portugal e como referimos pode ter despoletado forças contrárias no sentido de não se repetir, nesta dialéctica mais civilizada no século XXI depois de Cristo, em que os valores e direitos democráticos dos Cidadãos são mais importantes que tudo, tendo por limites os mesmos direitos dos outros Cidadãos, à luz da Constituição, mesmo que o Ser ainda não acompanhe o Dever Ser, mesmo que o potencial seja diferente do real. Antes de 25 de Abril de 1974, não era assim, os Cidadãos tinham muitos deveres e poucos direitos. Com a «Revolução dos Cravos», que foi realizada sem violência, as Pessoas passaram a ter muitos direitos e poucos deveres. Ao longo de um processo de amadurecimento democrático, foram-se criando mais harmonias entre direitos/deveres, mas muito está por realizar... Que esta situação nunca mais aconteça: o abuso do poder não pode suceder, estas pessoas  estão ao Serviço da Nação, não do Estado, que é apenas um seu representante!

Em Lisboa, no Terreiro do Paço,  realizou-se uma nova manifestação em 29 de Setembro de 2012, que a imagem expressa.


Ficheiro:Heinrich Leutemann, Plünderung Roms durch die Vandalen (c. 1860–1880).jpg
«Plünderung Roms durch die Vandalen» («O saque de Roma pelos Vândalos») de Heinrich Leutemann (1860-1880)

Em Madrid, entretanto, no mesmo dia, as Pessoas reagiram às medidas anunciadas pelo Governo e à violência e vandalismo de certas «forças de segurança», que elementos da própria Polícia puseram em causa. O significante em causa que relembra os Vândalos germânicos (Vandalenque invadiram a Hispânia Romana em 409 d.C., se instalaram na Baetica, na designada Vandalusia, actual Andaluzia, antes de se dirigirem a Cartago (435 d.C.). Saquearam Roma em 455 d.C..

Migrações dos Vândalos - Wikipedia (http://de.wikipedia.org/w/index.php?title=Datei:Vandals_Migration_it.PNG&filetimestamp=20110527173119)
Ficheiro:Hispania 418 AD.PNG
Hispânia em 418 d.C. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Hispania_418_AD.PNG)

O cinzento finlandês da Comissão Europeia, Ohli Rehn, referiu a propósito da Proposta Orçamental de Espanha: «Este novo plano de reformas estruturais responde às recomendações específicas dirigidas a Espanha na abertura do semestre europeu e inclusive vai mais longe em alguns aspectos. O objectivo destas reformas é claramente dar respostas aos assuntos mais problemáticos.»
«No» disseram as Pessoas que se manifestaram! As Pessoas que não se manifestam podem ter muitas razões para não o fazer e mais uma vez, um político (o Primeiro-Ministro) joga com essa ambiguidade para tentar favorecer a sua posição. Em Portugal a manifestação de 15 de Setembro foi tão forte que não permitiu qualquer manipulação dos políticos da posição.

Protesto Madri (Foto: Andrés Kudacki/AP)
Manifestação em Madrid IV (foto de Andrés Kudacki/AP)

Os manifestantes em Madrid também referiram que os seus representantes não os representam: é impressionante a falta de respeito pela Nação, pelas suas pessoas, sendo as negociações com a Troika realizadas sem contemplar qualquer participação das Pessoas, cujas perspectivas são afuniladas nos «Parceiros Sociais», nos Partidos Políticos e nos «Mass Media», muito dependentes de quem os financia. Como se torna evidente para quase todos, esta terapêutica da Troika é um desastre para todas as partes interessadas e não defende os interesses dos credores, quanto mais dos endividados. A miopia dos mesmos que permitiram a elevada especulação financeira e o enchimento dos balões é a mesma que preside ao seu esvaziamento. Este «stop and go» é destrutivo e tem que ser regulado, os responsáveis e os beneficiários estão impunes, quem suporta os fardos são as Nações Latinas, Celtas e Gregas (Itália, Espanha, Portugal, Irlanda, Grécia, grande parte da França), as mais fragilizadas com a moeda forte que os Germânicos  impuseram com os seus traumas do marco muito fraco de há quase um século. O euro não necessitava de ser tão forte. As consequências sobre a insolvência de muitas empresas que concorriam com moedas fracas foi evidente e as que sobreviveram são agora submetidas a processos artificiais de contenção da Procura, quando a mesma já sem qualquer acção tenderia a retrair-se cada vez mais, com o fim do excesso de financiamento de actividades sem sustentação, que foram rendibilizar as empresas germânicas do Automóvel, dos Bens de Equipamento, da fileira Metálica, da Química, nomeadamente Farmacêutica, da cadeia de valor Alimentar, apoiada pelas cadeias de Distribuição alemãs.

A seguinte fotografia também de Andrés Kudacki é simbólica: o Amor pelas Nações Latinas e Basca da Hispânia Romana não existe nos corações de pedra dos seus representantes; no asfalto urbano, Hispânia espera e sonha por um futuro melhor em que os políticos e o Estados tenham Amor pelas Nações e realizem Obra Verdadeira de realização do imenso potencial das Nações Portuguesa, Galega, Castelhana, Catalã-Valenciana, Basca, ... seja qual fôr o modelo político que as envolva! Que o Amor prevaleça nos Corações, acima de todas as dificuldades que nos são comuns, que o que Jesus Cristo nos deu seja concretizado em cada um de Nós: Amor e Respeito profundo pela Outra Pessoa, mesmo que seja nossa inimiga! «Dar a outra face» é esvaziar toda a força bruta que os Seres Humanos têm dentro de si próprios e que os induzem, em última instância, a criarem círculos viciosos de violência, mas não significa passividade, bem pelo contrário, é uma acção forte que mostra o Amor que prevalece sobre tudo e que é o mais importante na Vida Humana e no Universo!

Protesto Madri (Foto: Andrés Kudacki/AP)
Manifestação em Madrid V (foto de Andrés Kudacki/AP)






terça-feira, 25 de setembro de 2012

NÃO PRIMEIRO MINISTRO II

Hilary Clinton, com muita lucidez, afirmou em 24 de Setembro de 2012:
«Um dos assuntos que abordo, nas minhas deslocações pelo mundo, é a cobrança de impostos de maneira equitativa, designadamente junto das elites de todos os países (...)  é um facto: as elites em todo o mundo ganham muito dinheiro.»

Em contraste, o Primeiro-Ministro de Portugal, como é possível que ainda o seja, afirmou no mesmo momento histórico, referindo-se inicialmente à justificação da desistência da aberrante medida «TSU» proposta pelo Governo e da excelente reacção de muitos líderes de Empresas relativamente à mesma, que mais força deu à fortíssima reacção de repúdio por parte das Portuguesas e dos Portugueses (não referidas pelo arrogante líder do actual e péssimo Governo), o seguinte:
«(...) não faria sentido que o Estado lhes agravasse os seus custos, menos sentido ainda faria que elas próprias decidissem aumentar os seus custos e penalizar a sua competitividade, para anular o efeito de uma medida que o Governo pretendia adoptar para justamente que o crescimento pudesse ocorrer mais cedo e conseguíssemos conservar o emprego. Por essa razão manifestei abertura para encontrar uma alternativa a essa alteração (...) 
(...) o Governo está nesta altura a preparar uma proposta que vise devolver parcialmente os subsídios de Natal e de férias ao sector público e ao reformados e pensionistas, compensando essa devolução parcial, com a distribuição por todos os Portugueses, por todo o sector não público e por não reformados e pensionistas portanto, pelo sector privado também, das medidas que deverão compensar esta perda de poupança. Isto significa que o governo está a trabalhar numa proposta que vise em primeiro lugar procurar um elemento adicional noutros factores de rendimento que não apenas o trabalho, nomeadamente de tributação sobre o capital e sobre o património que ajude a fazer esta compensação, mas não ignora que uma parte desta compensação terá de ser obtida através dos impostos directos, nomeadamente através do esforço que já estava pensado para o reescalonamento do IRS e portanto, através de um instrumento fiscal que abrange não apenas os rendimentos do trabalho, mas também outras categorias de rendimentos como é público. É crítico (...) que esse novo desenho (...) possa ser aceite pelos nossos credores internacionais (...) dado que Portugal está numa situação, como todos sabem, de não autonomia financeira (...).
Finalmente, dado que a alteração à TSU sendo removida, não removemos os problemas que tínhamos esperado resolver com ela (...) o Governo comprometeu-se em explorar (...) medidas que possam de alguma forma, apresentar-se como favoráveis ao combate ao desemprego e à melhoria da competitividade das empresas. (...) o próprio Programa de Ajustamento que estamos a fazer tem uma componente de reforma estrutural (...) que visa justamente conseguir custos de contexto mais baixos para a actividade económica (...) O que sabemos no entanto, é que os efeitos dessas reformas demoram algum tempo a produzir na Sociedade Portuguesa o impacto suficiente para contrariar no curto prazo os efeitos negativos que a crise está a registar (...)
(...) esse excesso de endividamento atinge as Famílias de um modo geral, as Empresas e o próprio Estado e não é possível ultrapassar esta situação de dívida a mais sem reduzir as nossas necessidades e a despesa que fazemos para as satisfazer. Essa é a razão porque nós temos vindo de uma forma importante a ser reconhecidos externamente como um País e uma Sociedade que está empenhada em vencer estas dificuldades. Enquanto Portugal mantiver este nível de cumprimento, sabemos que teremos da parte dos parceiros externos e em particular dos nossos financiadores e do Banco Central Europeu, mecanismos de garantia e de seguro que nos permitirão se cumprirmos regressar a mercado e reganhar capacidade para nos financiarmos e portanto, para poder voltar a investir e a crescer (...)

Mais impostos para os trabalhadores do sector privado, nem uma palavra sobre a diminuição da despesa pública, uma nebulosa referência ao apoio à competitividade e ao emprego, uma vaga ideia da generalização dos impostos que envolverão também o capital e o património! CDS? Onde estás? Fazes parte da coligação? Não podes fazer nada em nome de Portugal? És cúmplice? És hipócrita? O poder? A estabilidade? Tanta arrogância no assalto ao poder e agora? Este Governo é muito fraco, muito mau, merece ser substituído!!

Gostaríamos de compreender porque é que o Emprego Público é considerado intocável por este Governo e por esta coligação... porque é que se protegem funcionários públicos que não o merecem ser e se desvalorizam Empregados públicos que o merecem ser. Ao proteger-se uma minoria de mediocridade no serviço público, está-se a desproteger a maioria das pessoas que no quadro ou em situação «precária» sustentam a modernização do Estado e permitem a existência de serviços de qualidade. Face à situação de Portugal seria óbvio que finalmente, já que não se tinha realizado anteriormente, se transformassem remunerações em subsídios sociais e se iniciasse a grande reforma do Estado, que terá provavelmente, cerca de 150.000 funcionários desfasados das necessidades da Nação.

Do ano de adesão à Comunidade Económica Europeia (1986) até 2005 existe um aumento colossal do emprego público de 464321 para 747880 pessoas, como poderemos observar no gráfico que criámos a partir de dados da Direcção Geral da Administração e do Emprego Público. Na União Europeia Portugal posiciona-se acima da média do peso das despesas com empregados da Administração Pública no Produto Interno Bruto (Gross Domestic Product - GDP), com 12,2% contra 11,1% em 2010, antes das medidas tomadas ao nível do Orçamento para 2011 e do Programa de Assistência Financeira a Portugal. Esse valor idêntico ao da Grécia, contrasta com os pesos existentes em países como a Roménia (Romania) ou a Alemanha (Germany), para referir apenas estes exemplos.  

A Constituição não prevê essa situação de protecção completamente desfasada da grande e crescente vulnerabilidade no sector privado. Quando o Governo tenta lançar mais uma vez, sobre os trabalhadores privados pesos que vêm dos excessos de despesa e de endividamento públicos, com origem parcial em contratações ao longo de décadas e de criação de carreiras, remunerações e pensões desfasadas da criação de Valor por Portugal (ouve-nos senhor Presidente da República?).

A Constituição também não prevê a protecção de Oligopólios através de regulações que não funcionam em processos de privatização e liberalização que lançaram sobre a Nação pesos insuportáveis através de preços e rendas imorais.

A Constituição também não prevê a protecção de Elites que como referia Hilary Clinton ganham muito dinheiro em todo o Planeta e foram as grandes beneficiárias deste excesso de materialismo, de individualismo, de transferência excessiva de indústrias para a China, de desregulação, de empolamento artificial e não sustentado de procuras através de créditos (até se chegou a emprestar dinheiro para comprar acções que já tinham no seu «salto mortal», menos valias garantidas para os seus infelizes compradores), em todo o Mundo, nomeadamente em Portugal. São os mentores de tudo isto que agora advogam a desvalorização do trabalho das Pessoas, que já se encontra bastante desvalorizado em muitos Países.

Voltamos a dizer não a este péssimo Primeiro-Ministro!

P.S.: os dados da execução orçamental de Agosto comprovam bem a grande incompetência do Governo e do seu Ministro das Finanças, que consegue o seguinte: «O saldo da Administração Central e da Segurança Social relevante para efeitos do Programa de Ajustamento Económico e financeiro (PAEF) situou-se em –5.493 milhões de euros, no final do mês de Agosto»
(http://www.dgo.pt/execucaoorcamental/Paginas/Sintese-da-Execucao-Orcamental-Mensal.aspx?Ano=2012&Mes=Setembro)




domingo, 23 de setembro de 2012

LUSITÂNIA - LUSITANIA - LUSITANIA

De forma a representarmos e enquadrarmos a LUSITÂNIA, sobre uma imagem da Península Ibérica de satélite da NASA (domínio público), representámos as Províncias e importantes Cidades Romanas, com a data da sua fundação ou conquista.
Complementarmente, sobre um mapa da Lusitânia na Península Ibérica (http://www.eb1-taipa.rcts.pt/primeirospovos.htm), explicitámos as designações dos rios e a designação Romana das cidades.
Finalmente, apresentamos o mapa de Andrei Nacu «Roman Empire 125 a.C.» (Wikipedia - domínio público), com localizações de minas de ouro (Au) e de prata (Ag), abundantes na Península, nomeadamente na Lusitânia, e de vias romanas.
A Lusitânia era delimitada a Norte pelo Rio Douro, a Oeste e a Sul pelo Oceano Atlântico e a Leste por um território para além o Rio Guadiana e numa linha Sul-Norte que atravessava esse rio´e o Rio Tejo e terminava no Rio Douro junto a Zamora. E foi precisamente em Zamora que o Reino de Leão reconheceu por Tratado, o Reino de Portugal em 5 de Outubro de 1143 depois de Cristo.
Podemos aqui ver uma magnífica fotografia da cidade, banhada pelo Rio Douro.

http://rubencalvoruizinformationsystems.blogspot.pt/2010/10/zamora-my-town.html

A cidade tem uma estátua do escultor Eduardo Barrón (1883) de homenagem ao grande Líder Lusitano Viriato - VIRIATHUS
File:Viriato.JPG
Diodorus Silicus na sua obra «Bibliotheca Historica», escrita até 30 antes de Cristo, referiu-se a Viriato e aos Lusitanos da seguinte forma:
«Enquanto ele comandava foi mais amado do que alguma vez alguém foi antes dele.» «Os mais valentes entre os cimbros são os conhecidos como Lusitanos».

Appianus Alexandrinus disse-nos na sua obra «Romanarum Historiarum» concluída antes de 165 depois de Cristo, traduzida para inglês:

«Emulating the example of Viriathus, many other guerilla bands made incursions into Lusitania and ravaged it. Sextus Junius Brutus, who was sent against them, despaired of following them through the extensive country bounded by the navigable rivers Tagus, Lethe, Durius, and Baetis, because he considered it extremely difficult to overtake them while flying from place to place after the manner of robbers, and yet disgraceful not to do so, and a task not very glorious even if he should conquer them. He therefore turned against their towns, thinking that thus he should take vengeance on them, and at the same time secure a quantity of plunder for his army, and that the robbers would scatter, each to his own place, when their homes were threatened. With this design he began destroying everything that came in his way. Here he found the women fighting and perishing in company with the men with such bravery that they uttered no cry even in the midst of slaughter. Some of the inhabitants fled to the mountains with what they could carry, and to these, when they asked pardon, Brutus granted it, taking their goods as a fine.»
«So great was the longing for Viriathus after his death - a man who had the highest qualities of a commander as reckoned among barbarians, always foremost in facing danger and most exact in dividing the spoils. He never consented to take the lion's share, even when friends begged him to, but whatever he got he divided among the bravest. Thus it came about (a most difficult task and one never before achieved by any other commander so easily) that in the eight years of this war, in an army composed of various tribes, there never was any sedition, the soldiers were always obedient and fearless in the presence of danger

Viriato liderou os Lusitanos entre 147 a.C. e 138 a.C. no combate aos Romanos, obtendo importantes vitórias sobre os mesmos, bem como a sua admiração, sendo a sua derrota apenas conseguida por traição de lusitanos da sua confiança, comprados pelos Romanos. As suas qualidades de liderança contrastam com os actuais líderes políticos e a traição de que foi vítima, lembra as contínuas traições cometidas em relação à Nação Portuguesa e às suas valorosas Pessoas por agentes com poder, ao longo de muitos séculos.

Tal como outras Nações Latinas (de Itália, de França, de Espanha, da Roménia, ...) a Nação Luso-Portuguesa beneficiou da integração plena no Império Romano durante cerca de V séculos, que lhe deu uma  identidade Luso-Latina de cariz marítimo, aberta ao exterior, à realidade (flexibilidade, adaptabilidade, improvisação) e à Universalidade. A musicalidade do seu Ser é mais influenciada pelo Jazz do que pela «Música Clássica», com uma forte acentuação da sua especificidade, o Fado, o «Fatum» latino, o destino, cheio de Saudade, significante Português e Galego de profundo significado, cuja tradução para outras línguas implica a utilização de vários significantes (por exemplo no Inglês, «Longing», «Missing», ...), com excepção do Romeno com o seu significante «Dor». A Saudade foi beber ao Latim SOLITUDE (solidão) e SALUTATIONE (saudação) e expressa um profundo sentimento e emoção ligados à distância em relação à Pessoa, Família ou Pátria Amada, numa intensa ausência presente, com esperança numa futura presença presente, aqui representada pelo pintor Almeida Júnior em 1899, na sua obra «Saudade»:
Ficheiro:Almeida Júnior - Saudade, 1899.jpg


Vamos ao baú da Pessoa chamada Fernando, buscar mais alguns poemas:

«MAR PORTUGUÊS»

«Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.»



«SONHO SAUDADE»
 

«Estou só e sonho saudade.
E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!»



«O AMOR QUANDO SE REVELA»


«O amor, quando se revela, 

Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar.»



Vamos à poesia e musica sem fim
de Vinicius e de António Carlos Jobim,
Vamos à «Bossa Nova» enfim,
na voz de Elizeth Cardoso
e do Gilberto saudoso
de nome João
Vamos buscar esta canção
através do seu violão
e saudar o coração: 

«CHEGA DE SAUDADE» - 1958 (http://www.youtube.com/watch?v=rZ13bQvvHEY)


«Vai minha tristeza e diz a ela que sem ela
Não pode ser, diz-lhe numa prece
Que ela regresse, porque eu não posso
Mais sofrer. Chega de saudade a realidade
É que sem ela não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Mas se ela voltar, se ela voltar,
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei
Na sua boca, dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser, milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim.
Não quero mais esse negócio de você longe de mim.»

Isto é Lusofonia muito bonita!

Portuguesas e Portugueses:

Ergam bem alto o Nosso grande Valor 
Afastem de Nós esta imensa dor
Calem pelo Nosso Trabalho e Criatividade
A colossal mediocridade
Dos nossos pseudo representantes
Que estão e são tão distantes ...
Passai da palavra ao acto
Como tão bem o realizou Viriato
Afirmai no pequeno grande Portugal
A Nossa Nação Luso-Latina de vocação Universal! 




CONSELHO DE ESTADO - STATE COUNCIL


COMUNICADO DO CONSELHO DE ESTADO após o PSD ter manifestado a sua elevada «vontade de poder» para continuar a realizar aquilo que o excelente Miguel Sousa Tavares designa por «A Grande Conspiração», a forte diminuição do Valor dos Empregados e da acção estratégica, reguladora e solidária do Estado, aproveitando as condicionantes de Ajustamento Financeiro (Expresso de 22 de Setembro de 2012):
«1) O Presidente da República reuniu hoje o Conselho de Estado, para efeitos do artº 145º, alínea e), segunda parte, da Constituição, tendo como ordem de trabalhos o tema "Resposta europeia à crise da Zona Euro e a situação portuguesa"
2) Na fase inicial da reunião do Conselho de Estado, que contou com a presença de todos os seus membros, participou nos trabalhos, a solicitação do Presidente da República, o Ministro de Estado e das Finanças, que fez uma exposição sobre o tema da agenda e prestou os esclarecimentos solicitados.
3) O Conselho debruçou-se sobre as medidas já tomadas pelas instituições europeias visando combater a crise da Zona Euro e a suas implicações para Portugal e manifestou o desejo de que a criação da União Bancária Europeia, a disponibilidade do BCE para intervir no mercado secundário da dívida soberana de países sujeitos a estrita condicionalidade e as políticas europeias para o crescimento e o emprego sejam concretizadas tão rapidamente quanto possível.
4) No quadro da situação do País, os conselheiros sublinharam a importância crucial do diálogo político e social e da procura de consensos de modo a encontrar soluções que, tendo em conta a necessidade de cumprir os compromissos assumidos perante as instâncias internacionais que asseguraram - e continuam a assegurar - os meios de financiamento essenciais à nossa economia, garantam a equidade e a justiça na distribuição dos sacrifícios bem como a protecção das famílias de mais baixos rendimentos e permitam perspectivar o crescimento económico sustentável.
5) Embora reconhecendo que Portugal depende muito do exterior para o financiamento do Estado e da sua economia, sendo por isso importante preservar a credibilidade externa do País e garantir avaliações positivas do esforço de ajustamento visando a correcção dos desequilíbrios económicos e financeiros, o Conselho de Estado considera que deverão ser envidados todos os esforços para que o saneamento das finanças públicas e a transformação estrutural da economia melhorem as condições para a criação de emprego e preservem a coesão nacional.
6) O Conselho de Estado foi informado da disponibilidade do Governo para, no quadro da concertação social, estudar alternativas à alteração da Taxa Social Única.
7) O Conselho de Estado foi igualmente informado de que foram ultrapassadas as dificuldades que poderiam afectar a solidez da coligação partidária que apoia o Governo.
Lisboa, 21 de Setembro de 2012»

Foram ultrapassadas as dificuldades da coligação? Foi garantido ao CDS que em vez de se ir no futuro estudar a redução substancial da despesa pública, para finalmente em 2014 se conseguirem resultados visíveis, vai ser feita no imediato e em 2013? As obscuras contas do «Quadrado» Gaspar já estão claras? Vamos verificar com atenção as movimentações dessas pessoas que estão a prejudicar fortemente os interesses da Nação.

Um porta voz do PS alertou para se fazer uma leitura atenciosa do Comunicado do Conselho de Estado e do seu sentido. Só indirectamente é que estão defendidas as classes intermédias de rendimento, decisivas para a sustentação do Mercado Interno e da Coesão Social em Portugal. Fala-se na despesa pública supérflua e do fim das benesses das pessoas com rendimentos mais elevados? Não. Fala-se na conciliação entre o financiamento de Portugal e os interesses dos seus financiadores, a «equidade e a justiça na distribuição dos sacrifícios bem como a protecção das famílias de mais baixos rendimentos», «o saneamento das finanças públicas», «a criação de emprego», «o crescimento económico sustentável» e «a coesão nacional». Como? O incompetente e mal intencionado Governo vai continuar a tentar fazer o seu pior, sempre pelo lado da receita, espera-se que limitado por grande parte do CDS, por parte do PSD, pelo PS (espera-se que mais unido), mas acima de tudo, limitado pelas Mulheres e Homens que levantaram bem alta a sua voz na defesa da Nação! Este Governo merecia ser demitido, traiu a confiança das Portuguesas e dos Portugueses que acreditavam nas suas boas intenções, ao contrário de nós todos que nunca acreditámos nelas. Caos? Caos criou este Governo, apoiado pelo Presidente da República, antes mesmo de ter nascido. Que credibilidade têm o Primeiro-Ministro, o Ministro das Finanças, o Ministro da Economia e quase todos o que foram nomeados pelo PSD? Que credibilidade tem o Assessor principal do Governo? Que credibilidade têm os seus apoiantes que influenciaram a opinião pública? Que credibilidade tem este Governo? Que credibilidade tem este Presidente da República? Que riscos estamos a correr desnecessariamente, que aumentam os elevados riscos que a Nação corre? É tempo de estarmos todos unidos na defesa da Nação! É tempo dos beneficiários do endividamento de Portugal serem responsabilizados pelo mesmo!

Observemos algumas análises internacionais:

«El Gobierno portugués cede y reconsidera el alza de cotizaciones de los trabajadores

La presión social y política fuerza al Ejecutivo de Passos Coelho a dar marcha atrás en el aumento de siete puntos de las retenciones en las nominas de los trabajadores


«El primer ministro portugués, el conservador Pedro Passos Coelho, acorralado por las críticas y, sobre todo, por la presión social y las protestas callejeras, ha dado marcha atrás en su polémica medida de recortar un 7% en los sueldos de todos los trabajadores de Portugal a base de subirles la cotización en la Seguridad Social. Ayer, tras una maratoniana reunión del Consejo de Estado (y con una protesta de miles de personas enfrente al palacio donde se desarrollaba que gritaban “ladrones”) este organismo consultivo impulsado y convocado por el Presidente de la República, Aníbal Cavaco Silva, aseguró, mediante un comunicado emitido de madrugada que el Gobierno “está disponible para estudiar alternativas” a esta medida, que ha despertado una ola de protesta y rechazo sin paragón en los últimos años en Portugal. Es decir: el Gobierno buscará en algún otro sitio para recortar, pero, de momento, se olvida de subir el 7% la cotización a todos los asalariados y bajársela a las empresas, como tenía previsto, en un trasvase con el que Passos Coelho se había ganado en Portugal el mote de “Robin Hood al revés”
La rebaja de los sueldos, anunciada el pasado siete de septiembre en una alocución solemne televisada, desató no sólo una imprevista e incontenible indignación callejera, empujando, el sábado pasado, a las plazas de 40 ciudades portuguesas a más de 600.000 personas (un millón según los organizadores); también acarreó un aluvión de críticas provenientes de todos lados que convirtieron al cada vez más fragilizado Gobierno de Passos Coelho, que se despeñaba en las encuestas, en un pin-pan-pún. Los sindicatos y los empresarios; el Partido Socialista portugués (PS) y el CDS, aliado gubernamental y parlamentario del PSD, el partido de Passos Coelho; un buen número de economistas, comentadores y toda la prensa portuguesa rechazaron la medida por considerarla no sólo impopular e injusta, sino también ineficiente. La gente de al calle, simplemente, tras un año y medio de medidas de austeridad, aseguraban que ya no podían más. A este respecto, el Consejo de Estado, en su comunicado, pidió al Gobierno “esfuerzos para consolidar las finanzas públicas a fin de que se mejore el empleo preservando la cohesión social” . Tras la reunión, con todo, parecen haber quedado zanjadas las divisiones políticas entre las dos formaciones que sustentan el Gobierno, según el comunicado: “Se dan por superadas las dificultades que podían afectar a la solidez”.
El lunes, según varios medios portugueses, el Gobierno explicará la alternativa a la rebaja de salarios. Según Passos Coelho, la situación de Portugal —rescatada en abril de 2011 con 78.000 millones de euros—, la hace inevitable. Hay quien especula con un recorte en las pagas extras o quien preconiza una subida de impuestos.»

BBC - REINO UNIDO
(http://www.bbc.co.uk/news/business-19684712)

Portugal backs down on social security tax rise


The centre-right government in Portugal has agreed to look for alternatives to a social security tax rise a week after huge anti-austerity street protests.
Portuguese President Anibal Cavaco Silva (C) heads a state council meeting at the Belem Palace in Lisbon, 21 SeptemberThe presidential state council met for eight hours
«Previously, it had planned to raise contributions next year from 11% to 18%, to meet the conditions of Portugal's international bailout.
Prime Minister Pedro Passos Coelho announced his decision at a meeting with President Anibal  Cavaco Silva.
Thousands of protesters chanted slogans outside the presidential palace.
Some firecrackers and bottles were thrown and five arrests made at the protest, as the presidential state council met late into the night in the capital Lisbon.

Portugal was recently given an extra year to reduce its deficit, following the latest quarterly review by international lenders overseeing its 78bn-euro (£62bn; $101bn) bailout.
Last Saturday, tens of thousands of protesters took to the streets of Lisbon and other Portuguese cities.
President Cavaco Silva called the meeting of his state council amid concern that Portugal's main trump card in the eyes of foreign investors, its cross-party consensus on austerity, was in tatters, the BBC's Alison Roberts reports from Lisbon.
A statement released afterwards said: "The council was informed of the government's readiness to study, within the framework of the social bargaining process, alternatives to changes in the social security rate."
It also said that differences between the two parties which make up the ruling coalition had been overcome, and they both remained committed to the bailout's targets.
The weekly newspaper Expresso said the prime minister was preparing a new cut in holiday subsidies for workers, in place of the tax rise.»
Se for o caso senhor Primeiro-Ministro, é evidente que é intolerável! As Pessoas sabem muito bem que não foram realizados cortes substanciais nas despesas supérfluas do Estado, que deveriam ter sido iniciados há muito tempo e que podem ser iniciados de imediato, a começar pela sua remuneração e do seu séquito de assessores e apoiantes e de todos os beneficiários da exploração do Estado e da Nação! 







segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A PESSOA E A SOCIEDADE POLÍTICA: ANTONIO GRAMSCI E PORTUGAL, HOJE

Representado pela fotografia da violinista russa Julia Schucht, mulher de Antonio Gramsci, com os filhos do seu Amor.

A propósito da actual situação Portuguesa, Europeia e Mundial, propomos algumas leituras dos «Quaderni del Carcere» do grande intelectual e político italiano Antonio Gramsci, salvos pela sua cunhada Tatiana Schucht, apoiada pelo grande economista italiano Piero Sraffa e aqui traduzidos para a língua castelhana por Ana María Palos, a partir da edição italiana de 1975 pelo Instituto Gramsci, bem como uma Carta de Gramsci a sua mulher e um artigo de um seu neto:

CRISE
«El aspecto de la crisis moderna que es
lamentado como "oleada de materialismo" está vinculado a lo que se Ilama
"crisis de autoridad". Si la clase dominante ha perdido el consenso,
o sea, si no es ya "dirigente", sino únicamente "dominante", detentadora
de la pura fuerza coercitiva, esto significa precisamente que las grandes
masas se han apartado de las ideologías tradicionales, no creen ya en
lo que antes creían, etcétera. La crisis consiste precisamente en el hecho
de que lo viejo muere y lo nuevo no puede nacer: en este interregno se
verifican los fenómenos morbosos más variados.» ANTONIO GRAMSCI «Cuadernos de la Cárcel» 3, 1930.


BLOCO HISTÓRICO
«Si la relación entre los
intelectuales y el pueblo-nación, entre dirigentes y dirigidos, entre gobernantes
y gobernados, es dada por una adhesión orgánica en la que el sentimiento-
pasión se convierte en comprensión y por lo tanto en saber (no
mecánicamente, sino en forma viva), sólo entonces la relación es de representación,
y se produce el intercambio de elementos individuales entre
gobernados y gobernantes, entre dirigidos y dirigentes, o sea que se
realiza la vida de conjunto que es la única fuerza social, se crea el "bloque
histórico".» ANTONIO GRAMSCI «Cuadernos de la Cárcel» 11, 1932-1933


AMÉRICA LATINA

«(...) las razas blancas que dominan en la América central y meridional
no pueden vincularse a patrias europeas que tengan una gran función
económica e histórica: Portugal, España (Italia)," comparable a la de
los Estados Unidos; aquéllas representan en muchos Estados una fase
semifeudal y jesuitica, por lo que puede decirse que todos los Estados
de la América central y meridional (exceptuando a la Argentina, quizá)
deben atravesar la fase del KuIturkampf y del advenimiento del Estado
moderno laico (la lucha de México contra el clericalismo ofrece un
ejemplo de esta fase). La difusión de la cultura francesa está ligada a
esta fase: se trata de la cultura masónica-iluminista, que ha dado lugar
a las llamadas Iglesias positivistas, en las que participan también muchos
obreros aunque se llamen anarcosindicalistas. Aportación de las diversas
culturas: Portugal, Francia, España, Italia. La cuestión del nombre:
¿América latina, o ibérica, o hispánica? Franceses e italiano? usan
"latina", los portugueses "ibérica", los españoles "hispánica". De hecho
la mayor influencia es la ejercida por Francia; las otras tres naciones
latinas tienen escasa influencia, no obstante la lengua, porque estas naciones
americanas surgieron en oposición a España y Portuga! y tienden
a crear su propio nacionalismo y su propia cultura. Influencia italiana:
caracterizada por el carácter social de la emigración italiana; por otra
parte, en ningún país americano son los italianos la raza hegemónica.» ANTONIO GRAMSCI «Cuadernos de la Cárcel» 3, 1930



AMOR: CARTA DE ANTONIO GRAMSCI A SUA MULHER JULIA SCHUCHT


«Mia carissima:

Querría besarte los ojos para secar las lágrimas que me parece ver en ellos y sentir yo en los labios, como otras veces que por maldad te he hecho llorar. Nos dañamos, nos atormentamos el uno al otro, porque estamos lejos uno de otro, y no podemos vivir así. Pero tú te desesperas demasiado. ¿Por qué? Tantas veces me has prometido que serías fuerte, y yo te he creído, y creo todavía que eres fuerte, más de lo que te crees: a menudo eres más fuerte que yo, pero yo estoy acostumbrado a la vida solitaria, que he vivido desde la infancia, a esconder mis estados de ánimo tras una máscara de dureza o una sonrisa irónica, y ésa es toda la diferencia. Eso me ha hecho daño durante mucho tiempo: durante mucho tiempo mis relaciones con los demás fueron enormemente complicadas, una multiplicación o división por siete de todos los sentimientos reales para evitar que los demás entendieran lo que yo sentía realmente. ¿Qué es lo que me ha salvado de convertirme en un pingo almidonado? El instinto de la rebelión, que desde el primer momento se dirigió contra los ricos porque yo, que había conseguido diez en todas las materias de la escuela elemental, no podía seguir estudiando, mientras que sí podían hacerlo el hijo del carnicero, el del farmacéutico, el del negociante en tejidos. Luego se extendió a todos los ricos que oprimían a los campesinos de Cerdeña, y yo pensaba entonces que había que luchar por la independencia nacional de la región. "¡Al mar los continentales!" ¡Cuántas veces he repetido esas palabras! Luego conocí la clase obrera de una ciudad industrial, y comprendí lo que realmente significaban las cosas de Marx que había leído antes por curiosidad intelectual. Así me he apasionado por la vida a través de la lucha de la clase obrera. Pero cuántas veces me he preguntado si era posible ligarse a una masa cuando nunca se había querido a nadie, ni siquiera a la familia, si era posible amar a una colectividad cuando no se había amado profundamente a criaturas humanas individuales. ¿No iba a tener eso un reflejo en mi vida de militante, no iba a esterilizar y reducir a puro hecho intelectual, a puro cálculo matemático, mi cualidad revolucionaria? He pensado mucho en todo eso, y he vuelto a pensarlo estos días porque he pensado mucho en ti, que has entrado en mi vida y me has abierto el amor, me has dado lo que me había faltado siempre y me hacía a menudo malo y torvo. Te quiero tanto, Julia, que no me doy cuenta de que te hago daño a veces, porque yo mismo estoy insensible.

Te he escrito, te he dicho que vinieras, porque en tus cartas había visto como una indicación de que tú misma querías venir. También yo he pensado en tu familia: pero, ¿no puedes venir por unos meses? ¿Incluso por un periodo determinado te parece imposible o difícil dejar a la familia? Qué bueno sería otro paréntesis de vida en común, en la alegría cotidiana, de cada hora, de cada minuto, de quererse y de estar cerca. Me parece ya sentirte la mejilla junto a la mía, y que la mano te acaricia la cabeza y te dice que te quiero aunque calle la boca. 


Me ha dado un vahído al leer tu carta. Ya sabes por qué. Pero tu indicación es vaga, y yo me consumo, porque querría abrazarte y sentir también yo una nueva vida que une las nuestras todavía más de lo que ya lo están, querido amor. 


(...)»

Gramsci.

Antonio Gramsci Jr. 

«Os muitos erros sobre meu avô»- L´Unità 20 de Novembro de 2007 
(Tradução: Josimar Teixeira - site «GRAMSCI E O BRASIL» 
«A leitura do último livro de Bruno Vespa, L’amore e il potere, me trouxe uma autêntica alegria [1]. Tive a sensação de que o autor nutre a mais sincera simpatia pelo meu avô e por toda a nossa família, e isso não é pouco. Mas devo constatar que o texto não está isento de erros factuais e de interpretação de alguns eventos, devidos, a meu ver, ao fato de que se baseia nas afirmações de Massimo Caprara, superficiais e muito distantes da verdade histórica [2]. Quanto às relações de Gramsci com o partido e com Togliatti, às tentativas de libertação, etc., não posso dizer mais do que está escrito nos livros e ensaios dos maiores estudiosos de Gramsci, sobretudo Giuseppe Vacca e Silvio Pons, aos quais Vespa também se refere.
Mas também tenho muito a dizer sobre a vida da nossa família na Rússia, baseando-me na minha experiência pessoal, nas lembranças do meu pai e, sobretudo, em alguns documentos do nosso arquivo que ainda não são conhecidos na Itália. Estes documentos, dos quais alguns são verdadeiramente sensacionais, farão parte do livro sobre a família Schucht, que estou escrevendo junto com Silvio Pons e que será organizado por Giuseppe Vacca.
Antes de mais nada, devo dizer que não encontrei nenhum documento sobre a “mão de Stalin” que teria “golpeado” a família de Gramsci na Rússia. A partir do final dos anos vinte, em sintonia com o desenvolvimento geral do país, os Schuchts começaram a viver bastante bem. Apollon [pai de Giulia] recebeu um apartamento espaçoso perto do centro de Moscou e obteve uma aposentadoria especial. Ele carregava muitos “pecados”: alemão de origem nobre, ex-emigrado, amigo de Lenin e, por fim, sogro do comunista italiano heterodoxo. Em 1933, este perfeito “inimigo do povo” morreu serenamente no hospital mais prestigioso da União Soviética, no Kremlin, assistido pelos parentes e por um pessoal atencioso.
Todos os membros da família, inclusive os meninos, Giuliano e Delio, iam até mesmo várias vezes por ano aos melhores estabelecimentos de saúde no Mar Negro e no Cáucaso. Nos anos trinta, quando já ninguém mais na família trabalhava, Giulia, sem que ninguém a impedisse, mandava regularmente a Tatiana [a cunhada de Gramsci, que havia ficado na Itália] somas consideráveis de dinheiro que serviam para assistir a Gramsci. De onde provinha este dinheiro? É pouco provável que se tratasse de economias da família e não podia nem mesmo ser dinheiro do PCI. Logo, a única hipótese plausível é que foram precisamente as autoridades soviéticas que tiveram o cuidado de aliviar os sofrimentos do “maldito trotskista” prisioneiro de Mussolini. Na falta de documentos, é difícil afirmar se o fizeram por sugestão de Togliatti ou de qualquer outro.
Mas será verdade que Gramsci era tão malvisto na União Soviética? Em 1926, Togliatti de fato fez chegar a Stalin a famosa carta de Gramsci? E, se o fez, por que durante sua permanência na Rússia demonstrou abertamente afeto e máxima atenção com Giulia e seus filhos, como também o fizeram todos os outros companheiros italianos que estavam então em Moscou? [3] 
Para mim a verdade está no meio. Por um lado, a divergência de Gramsci com o partido e com Togliatti, em particular, não era tão forte como dizem muitos historiadores; e, ainda que o fosse, em seguida seria pelo menos parcialmente “superada” (os conflitos de Gramsci com os companheiros de cárcere são coisa inteiramente diferente). Até o final dos anos quarenta e depois, graças também à habilidade de Togliatti, Gramsci permanecia no imaginário comunista tal como o recordavam desde os anos vinte, isto é, um leninista, perfeitamente sintonizado com o movimento comunista, tanto russo quanto italiano. Por isso, tenho muitas dúvidas sobre a plausibilidade da estranha pergunta que, segundo as recordações de Caprara, meu tio Delio teria feito aos companheiros italianos (“por que meu pai traiu vocês?”).
Por outro lado, o panteão comunista precisava dos seus santos. A santidade pressupõe falta de pecados e martírio. E Antonio Gramsci se prestava perfeitamente a tal representação. (Togliatti talvez tenha exagerado nesta obra, atribuindo ao meu avó até uma origem humilde). Gramsci também passou à historiografia soviética com tal imagem: um comunista-herói que sacrificara sua vida pela luta contra o fascismo.
Só um círculo muito restrito conhecia seu pensamento. Trata-se de alguns intelectuais que podiam ler Gramsci na língua original, sobretudo Grezki (o primeiro tradutor de Gramsci), Irina Grigorieva e Ilia Levin. Por isso, parece-me inconsistente a afirmação de Gabriele Nissim, segundo quem “a mãe dos rapazes e a tia Eugênia levaram Delio e Giuliano a estudar o pensamento de Stalin em vez do pensamento do pai deles” [4]. Os rapazes não conheciam o italiano. Como podiam estudar o pensamento do pai, se a primeira publicação na União Soviética de alguns escritos de Gramsci só ocorreria nos anos cinqüenta?
Também não corresponde à verdade a afirmação de que as autoridades soviéticas bloqueassem a correspondência de Tatiana com os familiares. Esta hipótese talvez derive da falta de cartas de Tatiana aos familiares nos anos 1935-1938. Com as últimas descobertas no nosso arquivo consegui preencher esta lacuna e agora toda a correspondência desta mulher excepcional se apresenta na sua íntegra. Lendo estas cartas, não encontrei nada que comprovasse a tarefa secreta, confiada a Tatiana, de “vigiar” o cunhado na prisão. As preocupações de Tatiana eram outras: cuidar das condições de saúde de Antonio, obter sua libertação, reunificar a família e, depois da morte de Gramsci, salvar suas obras.
Tatiana escrevia livremente e sem reticências sobre todos estes temas, como se a dupla censura — a fascista e a soviética — não existisse. Mas será que existia mesmo? Ou talvez não fosse assim tão rígida, como se costuma pensar? Do mesmo modo sincero e desembaraçado foram escritas as cartas de todos os familiares de Tatiana — Giulia, Eugenia, Apollon e Giulia Grigorievna.
Nos últimos anos da vida de Antonio, toda a família discutia acaloradamente sobre a viagem de Giulia à Itália. Segundo todos os documentos, as autoridades soviéticas não tinham nenhuma intenção de impedir esta iniciativa. A prova mais importante é a carta de Eugenia, a irmã mais rígida, a “mais bolchevique” de todos os Schuchts, inseparável de Giulia e, acima de tudo, desconfiada em relação a Gramsci. Nem mesmo ela era contrária a esta viagem e até escrevia que “era útil para ambos”. Escreveu mesmo que “alguém sugeriu que convém a ela [a Giulia] mudar-se para a Itália”. Tatiana, por seu turno, escrevia que a embaixada soviética “estava pronta para ajudar Giulia a se instalar em Roma”.
O verdadeiro obstáculo, no entanto, residia na doença de Giulia. Ela sofria de epilepsia orgânica, complicação da gripe espanhola contraída em 1927 (e não de esgotamento nervoso, de que falam os biógrafos de Gramsci). Penso que Apollon aludisse precisamente a esta doença, e não a alguma misteriosa pressão exercida sobre a família, quando escrevia com irritação a Tatiana que “Giulia escreve raramente porque muitas vezes não tem possibilidade de escrever” (Tatiana desconhecia a doença da irmã mais nova até o início dos anos trinta, e ainda não está claro se deu esta notícia a Gramsci).
Apesar da doença, Giulia continuou a trabalhar no serviço secreto até 1930. Também sobre este seu trabalho formularam-se hipóteses fantasiosas. A mais absurda é a do historiador russo Leontiev, citada por Caprara. Segundo esta hipótese, Giulia foi enviada pelo NKVD para “seduzir” Gramsci e depois mantê-lo sob controle constante. Mas a história de amor entre ambos começou em 1922, quando Giulia era uma simples professora de música numa escola provincial de Ivanovo! É verdade, já havia começado sua carreira na seção local do partido bolchevique, mas isso não significa que fosse ao encontro de Gramsci a mando das autoridades soviéticas. E não há nada de estranho ou de maldoso no fato de que, depois do casamento, quando Giulia começou a ter acesso ao amplo círculo dos comunistas estrangeiros, tenha sido empregada pelo serviço secreto, que, com toda a probabilidade, lhe deu a função de controlar os ambientes do Komintern (por exemplo, fornecer informações sobre a infiltração de elementos subversivos, traduzir documentos interceptados, etc.).
Depois da morte de Gramsci, as autoridades soviéticas continuaram a tratar minha avó com o máximo respeito. Desde 1968 até a morte, acontecida em 1980, ela viveu com Eugenia em Peredelkino, num sanatório muito privilegiado para velhos bolcheviques, visitada freqüentemente pelas delegações dos comunistas italianos. Seus filhos, Delio e Giuliano, também não foram marginalizados pelo regime soviético. Delio seguiu uma brilhante carreira científico-militar; Giuliano, a carreira musical. Ambos (inclusive mulheres e filhos) tinham acesso às estruturas de saúde privilegiadas do PCUS.
Todo verão, o PCUS nos oferecia gratuitamente uma belíssima dacha perto de Moscou (antes de 1968, Giulia e Eugenia iam para lá). Quando em 1983 a família de Giuliano mudou de casa, as autoridades de Moscou concederam um aposento a mais para “a preparação do museu dos objetos pessoais e dos documentos de Antonio Gramsci” (em seguida, doamos quase todo o material ao Museo di Casa Gramsci, em Ghilarza, e à Fundação Instituto Gramsci). Portanto, não se pode falar da pobreza em que “sempre viveu a família”, pelo menos no que diz respeito ao período soviético.
Alguns problemas começaram a se verificar nos anos noventa, durante a última grave crise econômica da União Soviética. Mas mesmo então, graças a alguns privilégios, a nossa família tinha condições de vida um pouco melhores do que a média. Para nós, o ano mais cruel foi 1992, quando o novo regime de Eltsin propiciou uma inflação vertiginosa, e nossa família, como muitas outras, perdeu quase todas as economias feitas nos anos anteriores. Mas nenhum de nós se deixou tomar pelo pânico, simplesmente começamos a trabalhar mais. Giuliano, até quase oitenta anos, ensinava ao mesmo tempo em duas escolas de música e no conservatório de Moscou. Seu esforço, e não o fato de ser filho de Antonio Gramsci, é que lhe permitiu manter um nível de vida digno, quando até mesmo muitos professores universitários iam vender jeans nas feiras de rua.
Em relação ao “abandono” da nossa família por parte do PCI e à atribulada história dos direitos de autor, temas que o sr. Vespa aborda de modo não inteiramente correto, falarei em outro lugar, por se tratar de questões de natureza totalmente diferente.
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[1] Bruno Vespa. L’amore e il potere. Da Rachele a Veronica, un secolo di storia italiana. Milão: Mondadori, 2007.
[2] De Massimo Caprara, veja-se, particularmente, Gramsci e i suoi carcerieri (Roma: Ares, 2001). Ex-secretário de Togliatti e com passagem pelo grupo de Il manifesto, uma dissidência do PCI no final dos anos 1960, Caprara aproximou-se da direita italiana e tem escrito vários livros ferozmente críticos em relação à tradição comunista. 
[3] Sobre a correspondência de 1926, em torno da crise do partido bolchevique, ver A. Gramsci. Escritos políticos. Organização, introdução e tradução de Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004, v. 2, p. 383-402.
[4] O jornalista Gabriele Nissim escreveu recentemente Una bambina contro Stalin. L’italiana che lottò per la verità su suo padre (Milão: Mondadori, 2007), cujo tema é a vida de Luciana De Marchi e sua luta para descobrir a verdade sobre o fim trágico do pai, comunista refugiado na URSS ainda nos anos 1920 e aí fuzilado em 1938, depois de delatado inclusive por alguns companheiros de partido.»


















domingo, 16 de setembro de 2012

A NAÇÃO EM MANIFESTAÇÃO DISSE NÃO!

Representado por fotografia «Fim de Tarde na Praça de Espanha» de José Sena Goulão (http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2012/09/251624_3963801377160_135791127_n.jpg)
«Mais de cem mil pessoas manifestaram-se neste sábado em Lisboa e outras milhares em várias cidades de Portugal para protestar contra a política de austeridade conduzida pelo governo em troca da ajuda financeira da chamada troika» (RFI-Radio France Internationale - 15-09-2012 http://www.portugues.rfi.fr/europa/20120915-mais-de-cem-mil-protestam-contra-austeridade-em-portugal-0)
De acordo com a Organização da Manifestação-OM (http://queselixeatroika15setembro.blogspot.pt/) e com a Polícia-PSP, a adesão das Pessoas e Famílias, teria sida a seguinte (fonte: Diário de Notícias de 16-09-2012):
LISBOA - 500.000 Pessoas (OM);
PORTO - 50.000 Pessoas (OM);
COIMBRA - 20.000 Pessoas (PSP);
AVEIRO - 10.000 Pessoas (PSP);
SETÚBAL - 3.000/4.000 Pessoas (PSP);
LEIRIA - 3.000 Pessoas (OM);
VISEU - 2.000 Pessoas (PSP);
MADEIRA - 2.000 Pessoas (PSP);
CASTELO BRANCO - 1.500 Pessoas (OM);
ÉVORA - 500 Pessoas (PSP);
AÇORES - 300 Pessoas (PSP);
VIANA DO CASTELO - 300 Pessoas (PSP);
BARCELONA ?, LONDRES ?, PARIS ?, BERLIM ?, FORTALEZA (BRASIL)?
Foram muitas Pessoas que disseram Não, que querem outra solução!

http://expresso.sapo.pt/imagens-aereas-no-auge-das-manifs-em-lisboa-e-porto=f753621
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=578823
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=578823
A distância entre Representantes e Representados e entre Governantes e Governados é colossal!

O CDS, partido político que faz parte da maioria que sustenta o Governo na Assembleia da República e que tem membros no mesmo, disse através de um dos seus Vice-Presidentes «O que é importante para nós no CDS que hoje ouvimos o presidente do partido é saber que o presidente do partido teve conhecimento da medida, discordou da medida, apresentou as razões da sua divergência, propôs alternativas, mas não quis, e bem, abrir uma crise política, assegurando a coesão de que Portugal precisa para atravessar um momento que é de verdadeira emergência nacional». Em nome da estabilidade governamental não entrou em ruptura com o seu parceiro da coligação, o PSD, mas a questão é a seguinte: a desestabilização está concretizada, nomeadamente porque o CDS não defendeu as suas alternativas até às últimas consequências, tal como não tinha conseguido até agora, influenciar uma maior ênfase na redução da despesa pública. Sendo assim, o CDS tem uma posição extremamente frágil na coligação, perante as Pessoas, perante a Nação e um outro dos seus Vice-Presidentes veio sugerir o seguinte: 

«Acho que há tempo até à entrega do Orçamento do Estado na Assembleia da República para que os dois partidos, os parceiros sociais, o principal partido da oposição, que deve ser envolvido, o senhor Presidente de República, encontrarem soluções para o país, designadamente, soluções financeiras e económicas melhores do que aquelas que foram anunciadas». 

Mas a posição do iluminado, missionário, autista, ardiloso e cada vez mais arrogante Primeiro-Ministro, no dia da Manifestação e da reunião do Conselho Nacional do CDS (15-09-2012), foi a seguinte, em relação às medidas anunciadas e amplamente contestadas:

«Temos de as fazer. Não podemos governar para satisfazer a opinião pública (...) aqueles com quem competimos têm custos mais baixos, nomeadamente custos do trabalho (...) [os portugueses têm] «de sonhar com os pés assentes na terra». 

Entretanto o líder do CDS finalmente afirmou por si próprio: 
«Se me perguntam se eu soube? Claro que soube. Se me perguntam se eu tive uma opinião diferente. Tive uma opinião diferente. Se me perguntam se eu alertei. Alertei. Se me perguntam se eu defendi que havia outros caminhos. Defendi. Se me perguntam se eu bloqueei a decisão. Não bloqueei pela simples razão de que fiquei inteiramente convencido que isso conduziria a uma crise nas negociações com a missão externa, a que se seguiria uma crise do Governo, a que se seguiria um caos que levaria a desperdiçar todo o esforço já feito pelos portugueses».

Mas que estabilidade é esta, que terra é esta, que areias movediças são estas? Deixaram que se fizesse um péssimo acordo com a Troika relativo ao Orçamento de Estado para 2013 e um Orçamento rectificativo para 2012, de uma forma não envolvente e aceitável, após um colossal falhanço na execução do Orçamento de 2012, provocaram a contestação generalizada e agora é que finalmente, se vai negociar para melhorar, com a imagem de Portugal a ficar ainda mais deturpada e negativa no Exterior? Mas com quem? Com os rígidos e autistas Primeiro-Ministro, Ministro das Finanças e «Principal Assessor do Governo», que nem com os parceiros da coligação criaram consenso? Tanta arrogância e ao mesmo tempo, tanta subserviência ao exterior, tanta incompetência, tanta impunidade, tanto egoísmo e materialismo, as Pessoas, os Portuguesas e os Portugueses estão cansados destes governantes e representantes que sistematicamente, as enganam, não defendem os seus interesses e o seu Bem Estar e demonstram-no «à Portuguesa»: com grande expressão, respeito e civismo em todo o País e também em Barcelona, Londres, Berlim, Paris, Fortaleza (Brasil)!

Com dizia Adolfo Coelho: «Entre nós há um facto que convém estudar: a existência dum povo, por cuja educação os governos… quase nada fizeram até hoje, e que todavia tem boas qualidades, que contrastam por vezes singularmente com as dos chamados dirigentes.»


Foto de Nuno Botelho - Expresso  a ilustrar a mensagem de «Paz na Rua, Histerismo na TV» de Marco Santos (http://www.bitaites.org/tag/vida/).