domingo, 23 de setembro de 2012

LUSITÂNIA - LUSITANIA - LUSITANIA

De forma a representarmos e enquadrarmos a LUSITÂNIA, sobre uma imagem da Península Ibérica de satélite da NASA (domínio público), representámos as Províncias e importantes Cidades Romanas, com a data da sua fundação ou conquista.
Complementarmente, sobre um mapa da Lusitânia na Península Ibérica (http://www.eb1-taipa.rcts.pt/primeirospovos.htm), explicitámos as designações dos rios e a designação Romana das cidades.
Finalmente, apresentamos o mapa de Andrei Nacu «Roman Empire 125 a.C.» (Wikipedia - domínio público), com localizações de minas de ouro (Au) e de prata (Ag), abundantes na Península, nomeadamente na Lusitânia, e de vias romanas.
A Lusitânia era delimitada a Norte pelo Rio Douro, a Oeste e a Sul pelo Oceano Atlântico e a Leste por um território para além o Rio Guadiana e numa linha Sul-Norte que atravessava esse rio´e o Rio Tejo e terminava no Rio Douro junto a Zamora. E foi precisamente em Zamora que o Reino de Leão reconheceu por Tratado, o Reino de Portugal em 5 de Outubro de 1143 depois de Cristo.
Podemos aqui ver uma magnífica fotografia da cidade, banhada pelo Rio Douro.

http://rubencalvoruizinformationsystems.blogspot.pt/2010/10/zamora-my-town.html

A cidade tem uma estátua do escultor Eduardo Barrón (1883) de homenagem ao grande Líder Lusitano Viriato - VIRIATHUS
File:Viriato.JPG
Diodorus Silicus na sua obra «Bibliotheca Historica», escrita até 30 antes de Cristo, referiu-se a Viriato e aos Lusitanos da seguinte forma:
«Enquanto ele comandava foi mais amado do que alguma vez alguém foi antes dele.» «Os mais valentes entre os cimbros são os conhecidos como Lusitanos».

Appianus Alexandrinus disse-nos na sua obra «Romanarum Historiarum» concluída antes de 165 depois de Cristo, traduzida para inglês:

«Emulating the example of Viriathus, many other guerilla bands made incursions into Lusitania and ravaged it. Sextus Junius Brutus, who was sent against them, despaired of following them through the extensive country bounded by the navigable rivers Tagus, Lethe, Durius, and Baetis, because he considered it extremely difficult to overtake them while flying from place to place after the manner of robbers, and yet disgraceful not to do so, and a task not very glorious even if he should conquer them. He therefore turned against their towns, thinking that thus he should take vengeance on them, and at the same time secure a quantity of plunder for his army, and that the robbers would scatter, each to his own place, when their homes were threatened. With this design he began destroying everything that came in his way. Here he found the women fighting and perishing in company with the men with such bravery that they uttered no cry even in the midst of slaughter. Some of the inhabitants fled to the mountains with what they could carry, and to these, when they asked pardon, Brutus granted it, taking their goods as a fine.»
«So great was the longing for Viriathus after his death - a man who had the highest qualities of a commander as reckoned among barbarians, always foremost in facing danger and most exact in dividing the spoils. He never consented to take the lion's share, even when friends begged him to, but whatever he got he divided among the bravest. Thus it came about (a most difficult task and one never before achieved by any other commander so easily) that in the eight years of this war, in an army composed of various tribes, there never was any sedition, the soldiers were always obedient and fearless in the presence of danger

Viriato liderou os Lusitanos entre 147 a.C. e 138 a.C. no combate aos Romanos, obtendo importantes vitórias sobre os mesmos, bem como a sua admiração, sendo a sua derrota apenas conseguida por traição de lusitanos da sua confiança, comprados pelos Romanos. As suas qualidades de liderança contrastam com os actuais líderes políticos e a traição de que foi vítima, lembra as contínuas traições cometidas em relação à Nação Portuguesa e às suas valorosas Pessoas por agentes com poder, ao longo de muitos séculos.

Tal como outras Nações Latinas (de Itália, de França, de Espanha, da Roménia, ...) a Nação Luso-Portuguesa beneficiou da integração plena no Império Romano durante cerca de V séculos, que lhe deu uma  identidade Luso-Latina de cariz marítimo, aberta ao exterior, à realidade (flexibilidade, adaptabilidade, improvisação) e à Universalidade. A musicalidade do seu Ser é mais influenciada pelo Jazz do que pela «Música Clássica», com uma forte acentuação da sua especificidade, o Fado, o «Fatum» latino, o destino, cheio de Saudade, significante Português e Galego de profundo significado, cuja tradução para outras línguas implica a utilização de vários significantes (por exemplo no Inglês, «Longing», «Missing», ...), com excepção do Romeno com o seu significante «Dor». A Saudade foi beber ao Latim SOLITUDE (solidão) e SALUTATIONE (saudação) e expressa um profundo sentimento e emoção ligados à distância em relação à Pessoa, Família ou Pátria Amada, numa intensa ausência presente, com esperança numa futura presença presente, aqui representada pelo pintor Almeida Júnior em 1899, na sua obra «Saudade»:
Ficheiro:Almeida Júnior - Saudade, 1899.jpg


Vamos ao baú da Pessoa chamada Fernando, buscar mais alguns poemas:

«MAR PORTUGUÊS»

«Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.»



«SONHO SAUDADE»
 

«Estou só e sonho saudade.
E como é branca de graça
A paisagem que não sei,
Vista de trás da vidraça
Do lar que nunca terei!»



«O AMOR QUANDO SE REVELA»


«O amor, quando se revela, 

Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de *dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar.»



Vamos à poesia e musica sem fim
de Vinicius e de António Carlos Jobim,
Vamos à «Bossa Nova» enfim,
na voz de Elizeth Cardoso
e do Gilberto saudoso
de nome João
Vamos buscar esta canção
através do seu violão
e saudar o coração: 

«CHEGA DE SAUDADE» - 1958 (http://www.youtube.com/watch?v=rZ13bQvvHEY)


«Vai minha tristeza e diz a ela que sem ela
Não pode ser, diz-lhe numa prece
Que ela regresse, porque eu não posso
Mais sofrer. Chega de saudade a realidade
É que sem ela não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Mas se ela voltar, se ela voltar,
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei
Na sua boca, dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser, milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim.
Não quero mais esse negócio de você longe de mim.»

Isto é Lusofonia muito bonita!

Portuguesas e Portugueses:

Ergam bem alto o Nosso grande Valor 
Afastem de Nós esta imensa dor
Calem pelo Nosso Trabalho e Criatividade
A colossal mediocridade
Dos nossos pseudo representantes
Que estão e são tão distantes ...
Passai da palavra ao acto
Como tão bem o realizou Viriato
Afirmai no pequeno grande Portugal
A Nossa Nação Luso-Latina de vocação Universal! 




CONSELHO DE ESTADO - STATE COUNCIL


COMUNICADO DO CONSELHO DE ESTADO após o PSD ter manifestado a sua elevada «vontade de poder» para continuar a realizar aquilo que o excelente Miguel Sousa Tavares designa por «A Grande Conspiração», a forte diminuição do Valor dos Empregados e da acção estratégica, reguladora e solidária do Estado, aproveitando as condicionantes de Ajustamento Financeiro (Expresso de 22 de Setembro de 2012):
«1) O Presidente da República reuniu hoje o Conselho de Estado, para efeitos do artº 145º, alínea e), segunda parte, da Constituição, tendo como ordem de trabalhos o tema "Resposta europeia à crise da Zona Euro e a situação portuguesa"
2) Na fase inicial da reunião do Conselho de Estado, que contou com a presença de todos os seus membros, participou nos trabalhos, a solicitação do Presidente da República, o Ministro de Estado e das Finanças, que fez uma exposição sobre o tema da agenda e prestou os esclarecimentos solicitados.
3) O Conselho debruçou-se sobre as medidas já tomadas pelas instituições europeias visando combater a crise da Zona Euro e a suas implicações para Portugal e manifestou o desejo de que a criação da União Bancária Europeia, a disponibilidade do BCE para intervir no mercado secundário da dívida soberana de países sujeitos a estrita condicionalidade e as políticas europeias para o crescimento e o emprego sejam concretizadas tão rapidamente quanto possível.
4) No quadro da situação do País, os conselheiros sublinharam a importância crucial do diálogo político e social e da procura de consensos de modo a encontrar soluções que, tendo em conta a necessidade de cumprir os compromissos assumidos perante as instâncias internacionais que asseguraram - e continuam a assegurar - os meios de financiamento essenciais à nossa economia, garantam a equidade e a justiça na distribuição dos sacrifícios bem como a protecção das famílias de mais baixos rendimentos e permitam perspectivar o crescimento económico sustentável.
5) Embora reconhecendo que Portugal depende muito do exterior para o financiamento do Estado e da sua economia, sendo por isso importante preservar a credibilidade externa do País e garantir avaliações positivas do esforço de ajustamento visando a correcção dos desequilíbrios económicos e financeiros, o Conselho de Estado considera que deverão ser envidados todos os esforços para que o saneamento das finanças públicas e a transformação estrutural da economia melhorem as condições para a criação de emprego e preservem a coesão nacional.
6) O Conselho de Estado foi informado da disponibilidade do Governo para, no quadro da concertação social, estudar alternativas à alteração da Taxa Social Única.
7) O Conselho de Estado foi igualmente informado de que foram ultrapassadas as dificuldades que poderiam afectar a solidez da coligação partidária que apoia o Governo.
Lisboa, 21 de Setembro de 2012»

Foram ultrapassadas as dificuldades da coligação? Foi garantido ao CDS que em vez de se ir no futuro estudar a redução substancial da despesa pública, para finalmente em 2014 se conseguirem resultados visíveis, vai ser feita no imediato e em 2013? As obscuras contas do «Quadrado» Gaspar já estão claras? Vamos verificar com atenção as movimentações dessas pessoas que estão a prejudicar fortemente os interesses da Nação.

Um porta voz do PS alertou para se fazer uma leitura atenciosa do Comunicado do Conselho de Estado e do seu sentido. Só indirectamente é que estão defendidas as classes intermédias de rendimento, decisivas para a sustentação do Mercado Interno e da Coesão Social em Portugal. Fala-se na despesa pública supérflua e do fim das benesses das pessoas com rendimentos mais elevados? Não. Fala-se na conciliação entre o financiamento de Portugal e os interesses dos seus financiadores, a «equidade e a justiça na distribuição dos sacrifícios bem como a protecção das famílias de mais baixos rendimentos», «o saneamento das finanças públicas», «a criação de emprego», «o crescimento económico sustentável» e «a coesão nacional». Como? O incompetente e mal intencionado Governo vai continuar a tentar fazer o seu pior, sempre pelo lado da receita, espera-se que limitado por grande parte do CDS, por parte do PSD, pelo PS (espera-se que mais unido), mas acima de tudo, limitado pelas Mulheres e Homens que levantaram bem alta a sua voz na defesa da Nação! Este Governo merecia ser demitido, traiu a confiança das Portuguesas e dos Portugueses que acreditavam nas suas boas intenções, ao contrário de nós todos que nunca acreditámos nelas. Caos? Caos criou este Governo, apoiado pelo Presidente da República, antes mesmo de ter nascido. Que credibilidade têm o Primeiro-Ministro, o Ministro das Finanças, o Ministro da Economia e quase todos o que foram nomeados pelo PSD? Que credibilidade tem o Assessor principal do Governo? Que credibilidade têm os seus apoiantes que influenciaram a opinião pública? Que credibilidade tem este Governo? Que credibilidade tem este Presidente da República? Que riscos estamos a correr desnecessariamente, que aumentam os elevados riscos que a Nação corre? É tempo de estarmos todos unidos na defesa da Nação! É tempo dos beneficiários do endividamento de Portugal serem responsabilizados pelo mesmo!

Observemos algumas análises internacionais:

«El Gobierno portugués cede y reconsidera el alza de cotizaciones de los trabajadores

La presión social y política fuerza al Ejecutivo de Passos Coelho a dar marcha atrás en el aumento de siete puntos de las retenciones en las nominas de los trabajadores


«El primer ministro portugués, el conservador Pedro Passos Coelho, acorralado por las críticas y, sobre todo, por la presión social y las protestas callejeras, ha dado marcha atrás en su polémica medida de recortar un 7% en los sueldos de todos los trabajadores de Portugal a base de subirles la cotización en la Seguridad Social. Ayer, tras una maratoniana reunión del Consejo de Estado (y con una protesta de miles de personas enfrente al palacio donde se desarrollaba que gritaban “ladrones”) este organismo consultivo impulsado y convocado por el Presidente de la República, Aníbal Cavaco Silva, aseguró, mediante un comunicado emitido de madrugada que el Gobierno “está disponible para estudiar alternativas” a esta medida, que ha despertado una ola de protesta y rechazo sin paragón en los últimos años en Portugal. Es decir: el Gobierno buscará en algún otro sitio para recortar, pero, de momento, se olvida de subir el 7% la cotización a todos los asalariados y bajársela a las empresas, como tenía previsto, en un trasvase con el que Passos Coelho se había ganado en Portugal el mote de “Robin Hood al revés”
La rebaja de los sueldos, anunciada el pasado siete de septiembre en una alocución solemne televisada, desató no sólo una imprevista e incontenible indignación callejera, empujando, el sábado pasado, a las plazas de 40 ciudades portuguesas a más de 600.000 personas (un millón según los organizadores); también acarreó un aluvión de críticas provenientes de todos lados que convirtieron al cada vez más fragilizado Gobierno de Passos Coelho, que se despeñaba en las encuestas, en un pin-pan-pún. Los sindicatos y los empresarios; el Partido Socialista portugués (PS) y el CDS, aliado gubernamental y parlamentario del PSD, el partido de Passos Coelho; un buen número de economistas, comentadores y toda la prensa portuguesa rechazaron la medida por considerarla no sólo impopular e injusta, sino también ineficiente. La gente de al calle, simplemente, tras un año y medio de medidas de austeridad, aseguraban que ya no podían más. A este respecto, el Consejo de Estado, en su comunicado, pidió al Gobierno “esfuerzos para consolidar las finanzas públicas a fin de que se mejore el empleo preservando la cohesión social” . Tras la reunión, con todo, parecen haber quedado zanjadas las divisiones políticas entre las dos formaciones que sustentan el Gobierno, según el comunicado: “Se dan por superadas las dificultades que podían afectar a la solidez”.
El lunes, según varios medios portugueses, el Gobierno explicará la alternativa a la rebaja de salarios. Según Passos Coelho, la situación de Portugal —rescatada en abril de 2011 con 78.000 millones de euros—, la hace inevitable. Hay quien especula con un recorte en las pagas extras o quien preconiza una subida de impuestos.»

BBC - REINO UNIDO
(http://www.bbc.co.uk/news/business-19684712)

Portugal backs down on social security tax rise


The centre-right government in Portugal has agreed to look for alternatives to a social security tax rise a week after huge anti-austerity street protests.
Portuguese President Anibal Cavaco Silva (C) heads a state council meeting at the Belem Palace in Lisbon, 21 SeptemberThe presidential state council met for eight hours
«Previously, it had planned to raise contributions next year from 11% to 18%, to meet the conditions of Portugal's international bailout.
Prime Minister Pedro Passos Coelho announced his decision at a meeting with President Anibal  Cavaco Silva.
Thousands of protesters chanted slogans outside the presidential palace.
Some firecrackers and bottles were thrown and five arrests made at the protest, as the presidential state council met late into the night in the capital Lisbon.

Portugal was recently given an extra year to reduce its deficit, following the latest quarterly review by international lenders overseeing its 78bn-euro (£62bn; $101bn) bailout.
Last Saturday, tens of thousands of protesters took to the streets of Lisbon and other Portuguese cities.
President Cavaco Silva called the meeting of his state council amid concern that Portugal's main trump card in the eyes of foreign investors, its cross-party consensus on austerity, was in tatters, the BBC's Alison Roberts reports from Lisbon.
A statement released afterwards said: "The council was informed of the government's readiness to study, within the framework of the social bargaining process, alternatives to changes in the social security rate."
It also said that differences between the two parties which make up the ruling coalition had been overcome, and they both remained committed to the bailout's targets.
The weekly newspaper Expresso said the prime minister was preparing a new cut in holiday subsidies for workers, in place of the tax rise.»
Se for o caso senhor Primeiro-Ministro, é evidente que é intolerável! As Pessoas sabem muito bem que não foram realizados cortes substanciais nas despesas supérfluas do Estado, que deveriam ter sido iniciados há muito tempo e que podem ser iniciados de imediato, a começar pela sua remuneração e do seu séquito de assessores e apoiantes e de todos os beneficiários da exploração do Estado e da Nação! 







segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A PESSOA E A SOCIEDADE POLÍTICA: ANTONIO GRAMSCI E PORTUGAL, HOJE

Representado pela fotografia da violinista russa Julia Schucht, mulher de Antonio Gramsci, com os filhos do seu Amor.

A propósito da actual situação Portuguesa, Europeia e Mundial, propomos algumas leituras dos «Quaderni del Carcere» do grande intelectual e político italiano Antonio Gramsci, salvos pela sua cunhada Tatiana Schucht, apoiada pelo grande economista italiano Piero Sraffa e aqui traduzidos para a língua castelhana por Ana María Palos, a partir da edição italiana de 1975 pelo Instituto Gramsci, bem como uma Carta de Gramsci a sua mulher e um artigo de um seu neto:

CRISE
«El aspecto de la crisis moderna que es
lamentado como "oleada de materialismo" está vinculado a lo que se Ilama
"crisis de autoridad". Si la clase dominante ha perdido el consenso,
o sea, si no es ya "dirigente", sino únicamente "dominante", detentadora
de la pura fuerza coercitiva, esto significa precisamente que las grandes
masas se han apartado de las ideologías tradicionales, no creen ya en
lo que antes creían, etcétera. La crisis consiste precisamente en el hecho
de que lo viejo muere y lo nuevo no puede nacer: en este interregno se
verifican los fenómenos morbosos más variados.» ANTONIO GRAMSCI «Cuadernos de la Cárcel» 3, 1930.


BLOCO HISTÓRICO
«Si la relación entre los
intelectuales y el pueblo-nación, entre dirigentes y dirigidos, entre gobernantes
y gobernados, es dada por una adhesión orgánica en la que el sentimiento-
pasión se convierte en comprensión y por lo tanto en saber (no
mecánicamente, sino en forma viva), sólo entonces la relación es de representación,
y se produce el intercambio de elementos individuales entre
gobernados y gobernantes, entre dirigidos y dirigentes, o sea que se
realiza la vida de conjunto que es la única fuerza social, se crea el "bloque
histórico".» ANTONIO GRAMSCI «Cuadernos de la Cárcel» 11, 1932-1933


AMÉRICA LATINA

«(...) las razas blancas que dominan en la América central y meridional
no pueden vincularse a patrias europeas que tengan una gran función
económica e histórica: Portugal, España (Italia)," comparable a la de
los Estados Unidos; aquéllas representan en muchos Estados una fase
semifeudal y jesuitica, por lo que puede decirse que todos los Estados
de la América central y meridional (exceptuando a la Argentina, quizá)
deben atravesar la fase del KuIturkampf y del advenimiento del Estado
moderno laico (la lucha de México contra el clericalismo ofrece un
ejemplo de esta fase). La difusión de la cultura francesa está ligada a
esta fase: se trata de la cultura masónica-iluminista, que ha dado lugar
a las llamadas Iglesias positivistas, en las que participan también muchos
obreros aunque se llamen anarcosindicalistas. Aportación de las diversas
culturas: Portugal, Francia, España, Italia. La cuestión del nombre:
¿América latina, o ibérica, o hispánica? Franceses e italiano? usan
"latina", los portugueses "ibérica", los españoles "hispánica". De hecho
la mayor influencia es la ejercida por Francia; las otras tres naciones
latinas tienen escasa influencia, no obstante la lengua, porque estas naciones
americanas surgieron en oposición a España y Portuga! y tienden
a crear su propio nacionalismo y su propia cultura. Influencia italiana:
caracterizada por el carácter social de la emigración italiana; por otra
parte, en ningún país americano son los italianos la raza hegemónica.» ANTONIO GRAMSCI «Cuadernos de la Cárcel» 3, 1930



AMOR: CARTA DE ANTONIO GRAMSCI A SUA MULHER JULIA SCHUCHT


«Mia carissima:

Querría besarte los ojos para secar las lágrimas que me parece ver en ellos y sentir yo en los labios, como otras veces que por maldad te he hecho llorar. Nos dañamos, nos atormentamos el uno al otro, porque estamos lejos uno de otro, y no podemos vivir así. Pero tú te desesperas demasiado. ¿Por qué? Tantas veces me has prometido que serías fuerte, y yo te he creído, y creo todavía que eres fuerte, más de lo que te crees: a menudo eres más fuerte que yo, pero yo estoy acostumbrado a la vida solitaria, que he vivido desde la infancia, a esconder mis estados de ánimo tras una máscara de dureza o una sonrisa irónica, y ésa es toda la diferencia. Eso me ha hecho daño durante mucho tiempo: durante mucho tiempo mis relaciones con los demás fueron enormemente complicadas, una multiplicación o división por siete de todos los sentimientos reales para evitar que los demás entendieran lo que yo sentía realmente. ¿Qué es lo que me ha salvado de convertirme en un pingo almidonado? El instinto de la rebelión, que desde el primer momento se dirigió contra los ricos porque yo, que había conseguido diez en todas las materias de la escuela elemental, no podía seguir estudiando, mientras que sí podían hacerlo el hijo del carnicero, el del farmacéutico, el del negociante en tejidos. Luego se extendió a todos los ricos que oprimían a los campesinos de Cerdeña, y yo pensaba entonces que había que luchar por la independencia nacional de la región. "¡Al mar los continentales!" ¡Cuántas veces he repetido esas palabras! Luego conocí la clase obrera de una ciudad industrial, y comprendí lo que realmente significaban las cosas de Marx que había leído antes por curiosidad intelectual. Así me he apasionado por la vida a través de la lucha de la clase obrera. Pero cuántas veces me he preguntado si era posible ligarse a una masa cuando nunca se había querido a nadie, ni siquiera a la familia, si era posible amar a una colectividad cuando no se había amado profundamente a criaturas humanas individuales. ¿No iba a tener eso un reflejo en mi vida de militante, no iba a esterilizar y reducir a puro hecho intelectual, a puro cálculo matemático, mi cualidad revolucionaria? He pensado mucho en todo eso, y he vuelto a pensarlo estos días porque he pensado mucho en ti, que has entrado en mi vida y me has abierto el amor, me has dado lo que me había faltado siempre y me hacía a menudo malo y torvo. Te quiero tanto, Julia, que no me doy cuenta de que te hago daño a veces, porque yo mismo estoy insensible.

Te he escrito, te he dicho que vinieras, porque en tus cartas había visto como una indicación de que tú misma querías venir. También yo he pensado en tu familia: pero, ¿no puedes venir por unos meses? ¿Incluso por un periodo determinado te parece imposible o difícil dejar a la familia? Qué bueno sería otro paréntesis de vida en común, en la alegría cotidiana, de cada hora, de cada minuto, de quererse y de estar cerca. Me parece ya sentirte la mejilla junto a la mía, y que la mano te acaricia la cabeza y te dice que te quiero aunque calle la boca. 


Me ha dado un vahído al leer tu carta. Ya sabes por qué. Pero tu indicación es vaga, y yo me consumo, porque querría abrazarte y sentir también yo una nueva vida que une las nuestras todavía más de lo que ya lo están, querido amor. 


(...)»

Gramsci.

Antonio Gramsci Jr. 

«Os muitos erros sobre meu avô»- L´Unità 20 de Novembro de 2007 
(Tradução: Josimar Teixeira - site «GRAMSCI E O BRASIL» 
«A leitura do último livro de Bruno Vespa, L’amore e il potere, me trouxe uma autêntica alegria [1]. Tive a sensação de que o autor nutre a mais sincera simpatia pelo meu avô e por toda a nossa família, e isso não é pouco. Mas devo constatar que o texto não está isento de erros factuais e de interpretação de alguns eventos, devidos, a meu ver, ao fato de que se baseia nas afirmações de Massimo Caprara, superficiais e muito distantes da verdade histórica [2]. Quanto às relações de Gramsci com o partido e com Togliatti, às tentativas de libertação, etc., não posso dizer mais do que está escrito nos livros e ensaios dos maiores estudiosos de Gramsci, sobretudo Giuseppe Vacca e Silvio Pons, aos quais Vespa também se refere.
Mas também tenho muito a dizer sobre a vida da nossa família na Rússia, baseando-me na minha experiência pessoal, nas lembranças do meu pai e, sobretudo, em alguns documentos do nosso arquivo que ainda não são conhecidos na Itália. Estes documentos, dos quais alguns são verdadeiramente sensacionais, farão parte do livro sobre a família Schucht, que estou escrevendo junto com Silvio Pons e que será organizado por Giuseppe Vacca.
Antes de mais nada, devo dizer que não encontrei nenhum documento sobre a “mão de Stalin” que teria “golpeado” a família de Gramsci na Rússia. A partir do final dos anos vinte, em sintonia com o desenvolvimento geral do país, os Schuchts começaram a viver bastante bem. Apollon [pai de Giulia] recebeu um apartamento espaçoso perto do centro de Moscou e obteve uma aposentadoria especial. Ele carregava muitos “pecados”: alemão de origem nobre, ex-emigrado, amigo de Lenin e, por fim, sogro do comunista italiano heterodoxo. Em 1933, este perfeito “inimigo do povo” morreu serenamente no hospital mais prestigioso da União Soviética, no Kremlin, assistido pelos parentes e por um pessoal atencioso.
Todos os membros da família, inclusive os meninos, Giuliano e Delio, iam até mesmo várias vezes por ano aos melhores estabelecimentos de saúde no Mar Negro e no Cáucaso. Nos anos trinta, quando já ninguém mais na família trabalhava, Giulia, sem que ninguém a impedisse, mandava regularmente a Tatiana [a cunhada de Gramsci, que havia ficado na Itália] somas consideráveis de dinheiro que serviam para assistir a Gramsci. De onde provinha este dinheiro? É pouco provável que se tratasse de economias da família e não podia nem mesmo ser dinheiro do PCI. Logo, a única hipótese plausível é que foram precisamente as autoridades soviéticas que tiveram o cuidado de aliviar os sofrimentos do “maldito trotskista” prisioneiro de Mussolini. Na falta de documentos, é difícil afirmar se o fizeram por sugestão de Togliatti ou de qualquer outro.
Mas será verdade que Gramsci era tão malvisto na União Soviética? Em 1926, Togliatti de fato fez chegar a Stalin a famosa carta de Gramsci? E, se o fez, por que durante sua permanência na Rússia demonstrou abertamente afeto e máxima atenção com Giulia e seus filhos, como também o fizeram todos os outros companheiros italianos que estavam então em Moscou? [3] 
Para mim a verdade está no meio. Por um lado, a divergência de Gramsci com o partido e com Togliatti, em particular, não era tão forte como dizem muitos historiadores; e, ainda que o fosse, em seguida seria pelo menos parcialmente “superada” (os conflitos de Gramsci com os companheiros de cárcere são coisa inteiramente diferente). Até o final dos anos quarenta e depois, graças também à habilidade de Togliatti, Gramsci permanecia no imaginário comunista tal como o recordavam desde os anos vinte, isto é, um leninista, perfeitamente sintonizado com o movimento comunista, tanto russo quanto italiano. Por isso, tenho muitas dúvidas sobre a plausibilidade da estranha pergunta que, segundo as recordações de Caprara, meu tio Delio teria feito aos companheiros italianos (“por que meu pai traiu vocês?”).
Por outro lado, o panteão comunista precisava dos seus santos. A santidade pressupõe falta de pecados e martírio. E Antonio Gramsci se prestava perfeitamente a tal representação. (Togliatti talvez tenha exagerado nesta obra, atribuindo ao meu avó até uma origem humilde). Gramsci também passou à historiografia soviética com tal imagem: um comunista-herói que sacrificara sua vida pela luta contra o fascismo.
Só um círculo muito restrito conhecia seu pensamento. Trata-se de alguns intelectuais que podiam ler Gramsci na língua original, sobretudo Grezki (o primeiro tradutor de Gramsci), Irina Grigorieva e Ilia Levin. Por isso, parece-me inconsistente a afirmação de Gabriele Nissim, segundo quem “a mãe dos rapazes e a tia Eugênia levaram Delio e Giuliano a estudar o pensamento de Stalin em vez do pensamento do pai deles” [4]. Os rapazes não conheciam o italiano. Como podiam estudar o pensamento do pai, se a primeira publicação na União Soviética de alguns escritos de Gramsci só ocorreria nos anos cinqüenta?
Também não corresponde à verdade a afirmação de que as autoridades soviéticas bloqueassem a correspondência de Tatiana com os familiares. Esta hipótese talvez derive da falta de cartas de Tatiana aos familiares nos anos 1935-1938. Com as últimas descobertas no nosso arquivo consegui preencher esta lacuna e agora toda a correspondência desta mulher excepcional se apresenta na sua íntegra. Lendo estas cartas, não encontrei nada que comprovasse a tarefa secreta, confiada a Tatiana, de “vigiar” o cunhado na prisão. As preocupações de Tatiana eram outras: cuidar das condições de saúde de Antonio, obter sua libertação, reunificar a família e, depois da morte de Gramsci, salvar suas obras.
Tatiana escrevia livremente e sem reticências sobre todos estes temas, como se a dupla censura — a fascista e a soviética — não existisse. Mas será que existia mesmo? Ou talvez não fosse assim tão rígida, como se costuma pensar? Do mesmo modo sincero e desembaraçado foram escritas as cartas de todos os familiares de Tatiana — Giulia, Eugenia, Apollon e Giulia Grigorievna.
Nos últimos anos da vida de Antonio, toda a família discutia acaloradamente sobre a viagem de Giulia à Itália. Segundo todos os documentos, as autoridades soviéticas não tinham nenhuma intenção de impedir esta iniciativa. A prova mais importante é a carta de Eugenia, a irmã mais rígida, a “mais bolchevique” de todos os Schuchts, inseparável de Giulia e, acima de tudo, desconfiada em relação a Gramsci. Nem mesmo ela era contrária a esta viagem e até escrevia que “era útil para ambos”. Escreveu mesmo que “alguém sugeriu que convém a ela [a Giulia] mudar-se para a Itália”. Tatiana, por seu turno, escrevia que a embaixada soviética “estava pronta para ajudar Giulia a se instalar em Roma”.
O verdadeiro obstáculo, no entanto, residia na doença de Giulia. Ela sofria de epilepsia orgânica, complicação da gripe espanhola contraída em 1927 (e não de esgotamento nervoso, de que falam os biógrafos de Gramsci). Penso que Apollon aludisse precisamente a esta doença, e não a alguma misteriosa pressão exercida sobre a família, quando escrevia com irritação a Tatiana que “Giulia escreve raramente porque muitas vezes não tem possibilidade de escrever” (Tatiana desconhecia a doença da irmã mais nova até o início dos anos trinta, e ainda não está claro se deu esta notícia a Gramsci).
Apesar da doença, Giulia continuou a trabalhar no serviço secreto até 1930. Também sobre este seu trabalho formularam-se hipóteses fantasiosas. A mais absurda é a do historiador russo Leontiev, citada por Caprara. Segundo esta hipótese, Giulia foi enviada pelo NKVD para “seduzir” Gramsci e depois mantê-lo sob controle constante. Mas a história de amor entre ambos começou em 1922, quando Giulia era uma simples professora de música numa escola provincial de Ivanovo! É verdade, já havia começado sua carreira na seção local do partido bolchevique, mas isso não significa que fosse ao encontro de Gramsci a mando das autoridades soviéticas. E não há nada de estranho ou de maldoso no fato de que, depois do casamento, quando Giulia começou a ter acesso ao amplo círculo dos comunistas estrangeiros, tenha sido empregada pelo serviço secreto, que, com toda a probabilidade, lhe deu a função de controlar os ambientes do Komintern (por exemplo, fornecer informações sobre a infiltração de elementos subversivos, traduzir documentos interceptados, etc.).
Depois da morte de Gramsci, as autoridades soviéticas continuaram a tratar minha avó com o máximo respeito. Desde 1968 até a morte, acontecida em 1980, ela viveu com Eugenia em Peredelkino, num sanatório muito privilegiado para velhos bolcheviques, visitada freqüentemente pelas delegações dos comunistas italianos. Seus filhos, Delio e Giuliano, também não foram marginalizados pelo regime soviético. Delio seguiu uma brilhante carreira científico-militar; Giuliano, a carreira musical. Ambos (inclusive mulheres e filhos) tinham acesso às estruturas de saúde privilegiadas do PCUS.
Todo verão, o PCUS nos oferecia gratuitamente uma belíssima dacha perto de Moscou (antes de 1968, Giulia e Eugenia iam para lá). Quando em 1983 a família de Giuliano mudou de casa, as autoridades de Moscou concederam um aposento a mais para “a preparação do museu dos objetos pessoais e dos documentos de Antonio Gramsci” (em seguida, doamos quase todo o material ao Museo di Casa Gramsci, em Ghilarza, e à Fundação Instituto Gramsci). Portanto, não se pode falar da pobreza em que “sempre viveu a família”, pelo menos no que diz respeito ao período soviético.
Alguns problemas começaram a se verificar nos anos noventa, durante a última grave crise econômica da União Soviética. Mas mesmo então, graças a alguns privilégios, a nossa família tinha condições de vida um pouco melhores do que a média. Para nós, o ano mais cruel foi 1992, quando o novo regime de Eltsin propiciou uma inflação vertiginosa, e nossa família, como muitas outras, perdeu quase todas as economias feitas nos anos anteriores. Mas nenhum de nós se deixou tomar pelo pânico, simplesmente começamos a trabalhar mais. Giuliano, até quase oitenta anos, ensinava ao mesmo tempo em duas escolas de música e no conservatório de Moscou. Seu esforço, e não o fato de ser filho de Antonio Gramsci, é que lhe permitiu manter um nível de vida digno, quando até mesmo muitos professores universitários iam vender jeans nas feiras de rua.
Em relação ao “abandono” da nossa família por parte do PCI e à atribulada história dos direitos de autor, temas que o sr. Vespa aborda de modo não inteiramente correto, falarei em outro lugar, por se tratar de questões de natureza totalmente diferente.
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[1] Bruno Vespa. L’amore e il potere. Da Rachele a Veronica, un secolo di storia italiana. Milão: Mondadori, 2007.
[2] De Massimo Caprara, veja-se, particularmente, Gramsci e i suoi carcerieri (Roma: Ares, 2001). Ex-secretário de Togliatti e com passagem pelo grupo de Il manifesto, uma dissidência do PCI no final dos anos 1960, Caprara aproximou-se da direita italiana e tem escrito vários livros ferozmente críticos em relação à tradição comunista. 
[3] Sobre a correspondência de 1926, em torno da crise do partido bolchevique, ver A. Gramsci. Escritos políticos. Organização, introdução e tradução de Carlos Nelson Coutinho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004, v. 2, p. 383-402.
[4] O jornalista Gabriele Nissim escreveu recentemente Una bambina contro Stalin. L’italiana che lottò per la verità su suo padre (Milão: Mondadori, 2007), cujo tema é a vida de Luciana De Marchi e sua luta para descobrir a verdade sobre o fim trágico do pai, comunista refugiado na URSS ainda nos anos 1920 e aí fuzilado em 1938, depois de delatado inclusive por alguns companheiros de partido.»


















domingo, 16 de setembro de 2012

A NAÇÃO EM MANIFESTAÇÃO DISSE NÃO!

Representado por fotografia «Fim de Tarde na Praça de Espanha» de José Sena Goulão (http://www.bitaites.org/wp-content/uploads/2012/09/251624_3963801377160_135791127_n.jpg)
«Mais de cem mil pessoas manifestaram-se neste sábado em Lisboa e outras milhares em várias cidades de Portugal para protestar contra a política de austeridade conduzida pelo governo em troca da ajuda financeira da chamada troika» (RFI-Radio France Internationale - 15-09-2012 http://www.portugues.rfi.fr/europa/20120915-mais-de-cem-mil-protestam-contra-austeridade-em-portugal-0)
De acordo com a Organização da Manifestação-OM (http://queselixeatroika15setembro.blogspot.pt/) e com a Polícia-PSP, a adesão das Pessoas e Famílias, teria sida a seguinte (fonte: Diário de Notícias de 16-09-2012):
LISBOA - 500.000 Pessoas (OM);
PORTO - 50.000 Pessoas (OM);
COIMBRA - 20.000 Pessoas (PSP);
AVEIRO - 10.000 Pessoas (PSP);
SETÚBAL - 3.000/4.000 Pessoas (PSP);
LEIRIA - 3.000 Pessoas (OM);
VISEU - 2.000 Pessoas (PSP);
MADEIRA - 2.000 Pessoas (PSP);
CASTELO BRANCO - 1.500 Pessoas (OM);
ÉVORA - 500 Pessoas (PSP);
AÇORES - 300 Pessoas (PSP);
VIANA DO CASTELO - 300 Pessoas (PSP);
BARCELONA ?, LONDRES ?, PARIS ?, BERLIM ?, FORTALEZA (BRASIL)?
Foram muitas Pessoas que disseram Não, que querem outra solução!

http://expresso.sapo.pt/imagens-aereas-no-auge-das-manifs-em-lisboa-e-porto=f753621
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=578823
http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=578823
A distância entre Representantes e Representados e entre Governantes e Governados é colossal!

O CDS, partido político que faz parte da maioria que sustenta o Governo na Assembleia da República e que tem membros no mesmo, disse através de um dos seus Vice-Presidentes «O que é importante para nós no CDS que hoje ouvimos o presidente do partido é saber que o presidente do partido teve conhecimento da medida, discordou da medida, apresentou as razões da sua divergência, propôs alternativas, mas não quis, e bem, abrir uma crise política, assegurando a coesão de que Portugal precisa para atravessar um momento que é de verdadeira emergência nacional». Em nome da estabilidade governamental não entrou em ruptura com o seu parceiro da coligação, o PSD, mas a questão é a seguinte: a desestabilização está concretizada, nomeadamente porque o CDS não defendeu as suas alternativas até às últimas consequências, tal como não tinha conseguido até agora, influenciar uma maior ênfase na redução da despesa pública. Sendo assim, o CDS tem uma posição extremamente frágil na coligação, perante as Pessoas, perante a Nação e um outro dos seus Vice-Presidentes veio sugerir o seguinte: 

«Acho que há tempo até à entrega do Orçamento do Estado na Assembleia da República para que os dois partidos, os parceiros sociais, o principal partido da oposição, que deve ser envolvido, o senhor Presidente de República, encontrarem soluções para o país, designadamente, soluções financeiras e económicas melhores do que aquelas que foram anunciadas». 

Mas a posição do iluminado, missionário, autista, ardiloso e cada vez mais arrogante Primeiro-Ministro, no dia da Manifestação e da reunião do Conselho Nacional do CDS (15-09-2012), foi a seguinte, em relação às medidas anunciadas e amplamente contestadas:

«Temos de as fazer. Não podemos governar para satisfazer a opinião pública (...) aqueles com quem competimos têm custos mais baixos, nomeadamente custos do trabalho (...) [os portugueses têm] «de sonhar com os pés assentes na terra». 

Entretanto o líder do CDS finalmente afirmou por si próprio: 
«Se me perguntam se eu soube? Claro que soube. Se me perguntam se eu tive uma opinião diferente. Tive uma opinião diferente. Se me perguntam se eu alertei. Alertei. Se me perguntam se eu defendi que havia outros caminhos. Defendi. Se me perguntam se eu bloqueei a decisão. Não bloqueei pela simples razão de que fiquei inteiramente convencido que isso conduziria a uma crise nas negociações com a missão externa, a que se seguiria uma crise do Governo, a que se seguiria um caos que levaria a desperdiçar todo o esforço já feito pelos portugueses».

Mas que estabilidade é esta, que terra é esta, que areias movediças são estas? Deixaram que se fizesse um péssimo acordo com a Troika relativo ao Orçamento de Estado para 2013 e um Orçamento rectificativo para 2012, de uma forma não envolvente e aceitável, após um colossal falhanço na execução do Orçamento de 2012, provocaram a contestação generalizada e agora é que finalmente, se vai negociar para melhorar, com a imagem de Portugal a ficar ainda mais deturpada e negativa no Exterior? Mas com quem? Com os rígidos e autistas Primeiro-Ministro, Ministro das Finanças e «Principal Assessor do Governo», que nem com os parceiros da coligação criaram consenso? Tanta arrogância e ao mesmo tempo, tanta subserviência ao exterior, tanta incompetência, tanta impunidade, tanto egoísmo e materialismo, as Pessoas, os Portuguesas e os Portugueses estão cansados destes governantes e representantes que sistematicamente, as enganam, não defendem os seus interesses e o seu Bem Estar e demonstram-no «à Portuguesa»: com grande expressão, respeito e civismo em todo o País e também em Barcelona, Londres, Berlim, Paris, Fortaleza (Brasil)!

Com dizia Adolfo Coelho: «Entre nós há um facto que convém estudar: a existência dum povo, por cuja educação os governos… quase nada fizeram até hoje, e que todavia tem boas qualidades, que contrastam por vezes singularmente com as dos chamados dirigentes.»


Foto de Nuno Botelho - Expresso  a ilustrar a mensagem de «Paz na Rua, Histerismo na TV» de Marco Santos (http://www.bitaites.org/tag/vida/).


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

LEGITIMIDADE - LEGITIMITATE - LEGITIMACY

Traída a confiança que as Portuguesas e os Portugueses depositaram no actual Governo, na sua subserviência a interesses que não são os da Nação, a sua Legitimidade Política de raízes morais, está posta em causa, sendo fundamental a sua substituição por outro Governo apoiado pela actual maioria PSD-CDS, apoiado pelo PSD, PS e CDS ou pela convocação de novas eleições, na certeza porém que enquanto for concedida confiança maioritária no Parlamento a este péssimo Governo, o mesmo tem «Legitimidade Formal», mas não Real: os representantes estarão claramente desfasados dos representados, os governantes estão fortemente afastados dos governados, o que poderia ser comprovado em novas eleições e pode ser escutado e visto em muitas dimensões. O «cheque em branco» foi passado e não existem mecanismos no actual Sistema Político, que permitam limitar a contínua tributação da Nação Portuguesa. A mesma devia exigir esses limites na Constituição Democrática, para obrigar os Governos a cortarem nas despesas supérfluas, que têm alimentado muitos interesses oligárquicos, mas obviamente, não comprometer as despesas que defendam a acção benéfica do Estado no desenvolvimento de Portugal. É altura das Pessoas da Nação se unirem na defesa democrática da mesma!

Seria razoável o Governo recuar perante a oposição generalizada ao aumento de impostos, taxas e demais confiscações, que tem sido constantemente realizada contra a vontade dos cidadãos ao longo de décadas, para cobrir imensos desperdícios sem que sejam tomadas medidas que os eliminem, sendo ainda agora realizados. Mas não é essa a posição do PM, bem pelo contrário, como podemos recentemente constatar.


O Primeiro-Ministro (PM) revelou mais uma vez o seu autismo na entrevista que concedeu à RTP em 13-09-2012 (ver e ouvir em http://www.rtp.pt/play/p943/e92583/passos-coelho-a-entrevista), da qual destacamos o seguinte:

- A incrível proposta acordada com a Troika de nivelação da Taxa Social Única para 18% foi de acordo com o PM decidida pelo Governo (onde está incluído e comprometido na mesma o Ministro de Estado e Ministro dos Negócios Estrangeiros, segundo o PM) e preparada pelo Ministros da Economia, das Finanças e da Solidariedade e da Segurança Social; o PS não foi envolvido em nada, apenas foi informado acerca da comunicação que o PM iria fazer, porque a natureza negocial da medida assim o impunha; e então actual PM, qual era a diferença em relação ao PEC IV negociado com a Comissão Europeia e o Banco Central europeu que levianamente rejeitou?
- Na defesa da medida o PM propôs aos Empresários do sector privado não regulado, que façam reflectir nos preços dos bens e serviços que oferecem nos mercados a diminuição dos custos com os empregados; para o sector privado regulado (os Oligopólios da Energia, Comunicação, ...), garantiu que o Governo tem condições para impor a redução de preços; para o sector público referiu que as decisões dependem do accionista Estado, do Governo; a medida é uma «nebulosa», segundo o PM com resultantes negativas no 1.º ano, mas com resultantes positivas no 2.º ano; constitui uma autêntica crença sem sustentação!
- Para o PM os fracos são as pessoas com rendimentos mais baixos, desprezando de uma forma ignóbil as pessoas com rendimentos intermédios que estão a passar com a «ajuda» do Governo, para rendimentos mais baixos ou para anulação de rendimentos, por via da fragilização do auto emprego, das profissões liberais e das micro e pequenas empresas, acentuando-se a desigualdade de rendimentos e comprometendo-se seriamente o futuro dessas pessoas-famílias, dessas empresas e do Mercado Interno, com a intensificação da sua fragilização com as medidas previstas;
- Tal como o PM actual não pode ser responsabilizado pelos submarinos decididos no anterior Governo PSD-CDS, ao contrário do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, o actual Líder do PS não pode ser responsabilizado pelas «parcerias público-privadas» sendo incorrecto o jogo político que fez; o PM não conseguiu fundamentar o atraso das suas renegociações;
- Mas o PM pode ser responsabilizado por não estar a cumprir o Programa Eleitoral e o Programa do Governo por negligência relativa à abordagem dos cortes na despesa pública, que com o assumido falhanço em relação à colecta de impostos, o leva a defender o aumento dos mesmos em muitas frentes, após mais de um ano de Governo, colocando a despesa pública numa dimensão de intenções e de imprevisibilidade; se tivesse começado a realizar a profunda Reforma do Estado há um ano e tal, a situação de Portugal era muito diferente para melhor, com efeitos a longo prazo extremamente importantes na sustentação das contas públicas.

Em contraste, na actual dialéctica democrática em Portugal é esta a «Declaração do Secretário-Geral do Partido Socialista ao País» (13-09-2012 http://www.ps.pt/noticias/noticias/ps-vota-contra-o-orcamento-de-estado-e-apresenta-mocao-de-censura.html):


«Boa noite.

Todos nós portugueses tomámos conhecimento esta semana, da última 
avaliação da troica, das linhas essenciais do próximo orçamento de estado e 
do respetivo cenário macro-económico.
O resultado destes dados é de que os portugueses cumpriram com os pesados 
sacrifícios que lhe foram impostos, o Governo falhou em toda a linha e, 
inexplicavelmente, quer repetir o erro, em dose agravada, para o próximo ano.
Passado um ano, os portugueses estão mais pobres, as famílias vivem 
momentos de grandes dificuldades, a economia está em recessão, há mais 
falências, a dívida pública aumentou e há milhares de portugueses sem 
emprego e sem expectativa de futuro.
Este é o resultado da receita de austeridade do custe o que custar do PM. A 
mesma politica que o PM insiste, teimosamente, em repetir no próximo ano, 
agravando ainda mais os sacrifícios dos portugueses.
Uma política que diminui as reformas e as pensões de pessoas que passaram 
uma vida a trabalhar e a descontar.
Uma política que retira salários aos trabalhadores para entregar às entidades 
patronais.
Uma política que falha no corte das gorduras do Estado e que aposta tudo em 
mais impostos sobre quem trabalha.
É de uma profunda injustiça, provoca indignação e pior de tudo é uma política 
sem futuro que nos vai conduzir ao empobrecimento e a mais desemprego. 
Nunca, mas nunca, serei cúmplice desta política. Já o disse e repito: assim 
não.
Decidi que o PS deve votar contra o Orçamento de Estado e vou apresentar 
essa proposta à Comissão Politica Nacional.
Mas não ficarei pelo voto contra. Sei bem que os portugueses esperam de nós 
soluções para os seus problemas. Tenho consciência da situação difícil do país e dos compromissos externos que assumimos. Prometi honra-los e honrarei os 
compromissos até ao fim.
Também por isso não entro em demagogias nem promessas fáceis. Mas tudo 
farei para aliviar os sacrifícios dos portugueses apresentando propostas de 
alteração. O objetivo é evitar o agravamento das injustiças e das desigualdades 
sociais.
Uma das propostas que apresentaremos será a da criação de um imposto 
extraordinário sobre as parcerias publico-privadas.
Independentemente do voto contra no OE, quero também ser muito claro 
quanto à TSU. Tudo faremos para impedir que o Governo retire dinheiro aos 
trabalhadores para dar às empresas. O aumento da TSU dos trabalhadores, 
em 7 p.p., que retira mais do que um salário por ano a cada trabalhador, é uma 
decisão que nos indigna profundamente.
Esta não é uma medida qualquer. A sua natureza quebra o contrato social que 
está para além de qualquer Orçamento do Estado. Esta opinião ainda nas 
últimas horas foi partilhada por todos os parceiros sociais, com quem estive 
reunido.
Há uma linha que separa a austeridade da imoralidade. E essa linha foi 
ultrapassada.
Ou o PM recua e retira a proposta. Ou, então, o PS tomará todas as iniciativas 
constitucionais à sua disposição para impedir a sua entrada em vigor. Se para 
tal for necessário, e em nome da indignação que esta gritante injustiça está a 
gerar no seio dos portugueses, o PS apresentará uma moção de censura ao 
governo.
A opção é do PM. Está nas suas mãos evitar um brutal sacrifício sobre os 
trabalhadores, uma medida indigna, inútil e reveladora de uma profunda 
insensibilidade em relação às pessoas.
Sinto bem a indignação dos portugueses e a ausência de uma perspetiva de 
futuro. É compreensível perante a incompetência e o experimentalismo deste 
PM que governa sem rumo e distante do dia a dia dos portugueses.Mas há outro caminho. Um caminho difícil, exigente que concilia o rigor 
orçamental com o crescimento e o emprego.
Este último ano tem-nos dado razão. Mas para mim não chega ter razão. Ter 
razão não resolve os problemas dos portugueses. É preciso ir mais longe.
É preciso olhar o futuro com ambição, conquistar a confiança e mobilizar a 
esperança dos portugueses.
É para isso que aqui estou.»

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

NÃO MINISTRO! - NON MINISTER - NO MINISTER!

Ficheiro:Cuadradoycirculos.svg

Representado por «Quadrado com círculos inscritos e circunscritos» de Drini (Wikipedia) - domínio público.

O Ministro das Finanças é um quadrado (representado a azul) que limita e enquadra o Círculo PORTUGAL bloqueado (representado a vermelho). A heróica NAÇÃO LUSO-LATINA tem que libertar PORTUGAL e circunscrever o «Salazarinho» (Círculo a Verde).


Dúvidas? Vejamos as suas palavras de fundamentação dos propostos assaltos à Nação, que estão a causar grande indignação às Portuguesas e aos Portugueses:


«A queda da procura interna é um efeito das próprias medidas que são tomadas e está implícito que a tomada de medidas deste tipo pode conduzir a uma espiral de recessão num ciclo diabólico. Não partilho esta leitura do que se está a passar. A resposta à restrição financeira sobre famílias e empresas é a força dominante do nosso processo de ajustamento sendo que as outras variáveis se ajustam a este processo de ajustamento. Sendo o processo de ajustamento caracterizado desta maneira o esforço de ajustamento estrutural é superior e consequentemente é preciso tomar medidas adicionais.» (SIC 2012-09-11)


«(...) se temos um ajustamento em que a contracção da procura interna é maior do que se previa no programa, e a contracção da massa salarial é também maior do que a que se previa no mesmo programa, temos efeitos sobre as receitas fiscais e sobre as contribuições sociais. Por outro lado, como é dolorosamente sabido, o desemprego tem tido uma evolução mais desfavorável, o que, conjugado com alguns dos outros efeitos já referidos, tem como consequência que o orçamento da Segurança Social sofra também um peso bastante maior.» (Diário de Notícias 2012-09-12)


   «Aprendemos durante o ano de 2012 as características do padrão de ajustamento da consolidação orçamental. As medidas anunciadas hoje são suficientes para conseguir os efeitos esperados» (SIC 2012-09-11)


Estiveram a aprender em 2012, que as medidas tomadas de agravamento de impostos, sem atacar em profundidade as despesas, não eram suficientes. Logo deveriam começar esse ataque desde o início, já perderam muito tempo! Mas comecem agora, nunca é tarde ... Não diz o Ministro ... temos que agravar ainda mais os impostos porque a dose foi insuficiente e pouco ampla.

Quadrado mau e incompetente, deixa o Círculo em Paz!!!! Se forem estimuladas ainda mais insolvências e cortes no Mercado interno, o desemprego vai acelerar e vão continuar a deixar de haver contribuições para a segurança social e a passar a haver subsídios de desemprego ... a economia paralela vai disparar como forma de sobrevivência a uma Sociedade Política incompetente e não defensora dos interesses da Nação! As receitas públicas vão diminuir e sem o corte nas despesas públicas e com as exportações a poderem desacelerar e mesmo diminuir no futuro por condicionantes dos mercados externos, a diminuição das necessidades de financiamento poderá sofrer uma inflexão. O caminho do Governo aumentou, aumenta e aumentará os riscos! Se correr mal o problema é de Portugal! O Ministro já se defendeu que não se demitirá se a sua fé e os seus modelos macroeconómicos e da Troika falharem, porque tudo isso é falível segundo ele próprio. Grande novidade. Mas antes tentou vender a ideia que as medidas vão aumentar o emprego! Não está fundamentada a leviandade das medidas tomadas que tentam tapar os buracos dos erros cometidos ...

«A despesa está inteiramente sob controlo, aspecto destacado pela troika. A despesa com juros tem evoluído mais favoravelmente do que se pensava (...)

É característica fundamental deste programa que o ajustamento orçamental seja feito predominantemente do lado da despesa. Se olharmos para as medidas que estão agora previstas para o biénio de 2013-2014, a sua composição é cerca de 70% do lado da despesa e 30% do lado da receita. (...)» (Diário de Notícias 12-09-2012).

«De qualquer forma, os mecanismos de controlo estão a ser reforçados e estamos a preparar um exame à despesa pública para uma redução forte em 2014» (SIC 11-09-2012).


«A despesa está sob controlo»? A «preparar um exame»?!!! Está a brincar?! Para uma «redução forte em 2014»?!!! Mas quem é que deu um «cheque em branco» a estes levianos? Por este andar quando forem demitidos dizem que estavam quase a conseguir cortar nas despesas.


«A questão das Parcerias Público-Privadas é, de facto, um exemplo paradigmático e exemplar de um problema sobre o qual se deve atuar o mais depressa possível» (SIC 11-009-2012)


Só agora é que deve actuar o mais depressa possível? Mas o que está aquela «sumidade» dita «Liberal», assessor do Governo,  a fazer há tanto tempo? De Liberal só nos chega o mau. O bom não se vê, que passava pela defesa da profunda Reforma do Estado, que baixasse estruturalmente e fortemente a despesa pública desde o início do mandato. Defendeu o escudo com conversão elevada para o euro, que estimulou importações e desincentivou exportações e defendeu que as empresas que não fossem eficientes para aguentar o choque, que desaparecessem! Defende agora a diminuição de salários . O seu salário? Não, o dos outros ... Pobre homem.


Os «comenta as dores» que tanto defenderam o fim do anterior Governo e o início deste Governo já o criticam severamente. É bom sinal, não estão comprometidos.


A propósito de comprometidos: que é feito do cinzento ex-ministro das finanças do ex-primeiro ministro e actual presidente da república e que fez campanha eleitoral desde 2010 a favor da actual Posição e que usava uma linguagem de baixo nível? Tem um cargo com encargos muito elevados num feudo Oligopolista, que  repercute esse e muitos outros custos nos preços (como rendas excessivas) que cobra aos clientes (Empresas e Famílias)!




«Eduardo Catroga terá uma remuneração anual de quase 639 mil euros caso seja eleito presidente do Conselho Geral e de Supervisão» da EDP, «na assembleia geral de 20 de Fevereiro. O Correio da Manhã cita o relatório sobre o governo da sociedade, com os valores ganhos pelo seu antecessor, António de Almeida. O ordenado será de 45 mil euros por mês, que acumulará com uma pensão de mais de 9600 euros.
Questionado pelo jornal, Catroga desvaloriza: “50% do que eu ganho vai para impostos. Quanto mais ganhar, maior é a receita do Estado com o pagamento dos meus impostos, e isso tem um efeito redistributivo para as políticas sociais”.
Sobre a pensão da Caixa Geral de Aposentações, Catroga frisou que descontou “40 anos para o sector privado e 20 para o sector público”.» Marta Cerqueira, publicado em 10 Jan 2012 - 20:05 (http://www.ionline.pt/dinheiro/lugar-catroga-na-edp-vale-639-mil-euros-ano)
Era este grupinho de pessoas que cria governar PORTUGAL e que obteve maioria absoluta no Parlamento?!


CDS, cuidado! As Pessoas entenderam perfeitamente o que são imposições anunciadas que lhes diminuem os rendimentos na fonte, hipócritas! Lá se foi o marketing do líder ... 


É de salientar o seguinte:

- A TROIKA flexibilizou as metas para o défice orçamental (5% em 2012, 4,5% em 2013, 2,5% em 2014), deu mais tempo para o «ajustamento» ser realizado, conforme o Líder do PS defendia e o Governo sempre negou;
- Apesar disso, o Governo vai bombardear a Nação com «colossais» imposições, tributações, confiscações, ...
- Os erros no caminho escolhido não são assumidos de uma forma no mínimo autista e a reacção é adensar esses erros e aumentar os círculos viciosos;
- O Governo não toca no emprego público que foi artificialmente empolado ao longo de décadas, o Governo não iniciou qualquer reforma profunda do Estado, existiam alternativas que o Governo decidiu não as percorrer;
- A previsão da TROIKA para a variação real do Produto Interno Bruto de PORTUGAL é de -1%, acabando-se a ficção sobre 2013.

Que a NAÇÃO PORTUGUESA se liberte rapidamente destes representantes ignorantes, autistas, sem ética, egoístas, materialistas, sem nível, ... e que se saiba defender da repetição futura das mesmas situações.