sábado, 8 de setembro de 2012

NÃO PRIMEIRO MINISTRO! NON PRIMUS MINISTER, NO PRIME MINISTER!


Mais uma vez o caminho escolhido pelo Primeiro-Ministro na futura Proposta de Orçamento de Estado para 2013, acordada desde já com a Troika, como representante máximo do seu Grupo de apoio, vai ser o de atirar fardos pesados sobre a Nação Portuguesa para «viabilizar» a «sonhada» diminuição da contribuição patronal para a segurança social, remédio milagroso aconselhado pelo FMI e pelo «Grupo de apoio» a este péssimo Governo, que ansiava o «poder» e as sua benesses e que desesperava pela presença em Portugal dessa Organização Internacional! Que vergonha! É tempo da Nação dizer não! 

Em vez de realizar a profunda reforma do Estado que implicaria uma redução substancial das despesas públicas e tributar os rendimentos de pessoas singulares e de capitais muito elevados, o Primeiro-Ministro aproveitou a «boleia» que lhe foi dada pelo Tribunal Constitucional na sua decisão sobre os subsídios dos funcionários públicos (a «equidade» tem amplas leituras), que de imediato reverteu a favor das ideias do Grupo (membro do Governo, assessores, consultores, nomeados para cargos por decisão política), que de forma alguma representam a Nação Portuguesa.

É esta a visão de ««equidade» do Primeiro-Ministro e do seu Grupo de apoio:

- Continuar a retirar de uma forma indiscriminada, a bons ou maus funcionários públicos, cerca de 2/14 dos seus rendimentos (1/14=7,14% relativos a um subsídio e cerca 1/14, 7% relativos a outro subsídio, na forma de aumento da contribuição para a segurança social de 11% para 18%);

- Voltar a retirar cerca de 1/14 do rendimento dos «trabalhadores por conta de outrem» do «sector privado» (aumento de 7% da contribuição para a segurança social, tal como o Governo tinha feito em 2011, ultrapassando largamente o que tinha sido acordado com a Troika e que obviamente, não tinha defendido em campanha eleitoral);

- Continuar a retirar 2/14 dos rendimentos dos pensionistas, sejam eles de 1600 euros/mês ou de 10.000 euros/mês, sejam eles do sector privado ou do sector público;

Brilhantes Juízes do Tribunal Constitucional, o que pensam desta equidade à luz da actual Constituição? Está melhor? Contente agora Presidente da República? Vergonhoso! Enquanto houver protecção do emprego público das   gerações que beneficiaram dele após o 25 de Abril (com mérito ou sem mérito) e que arrastam para o desemprego as gerações que dele não beneficiam, os chamados «precários», os mais jovens (uma das componentes da profunda Reforma profunda do Estado), senhores magistrados, qual é a equidade que referiram? Presidente da República de poucos Portugueses, aqui está o agravamento dos sacrifícios para a esfera privada, mantendo-se os sacrifícios para a esfera pública que tanto empolou e que tanto venera. O Governo aproveitou da melhor forma. A Nação no seu todo fica ainda mais vulnerável. Além de não terem Ética são extremamente incompetentes e tendenciosos, os «Órgãos de Soberania».

Cortar com as despesas públicas que não criam Valor para a Nação, que uma profunda Reforma do Estado realizaria senhor Primeiro Ministro? Não encontramos uma palavra no seu discurso! O anterior Governo apesar de pouco, fez mais que o actual. A Troika deveria ter pressionado nesse sentido, mas nem isso tivemos de positivo dessa cultura tão desfasada da nossa realidade. 

Tributação dos principais beneficiários do empolamento artificial do Mercado Interno e da intervenção do Estado que levaram à actual situação (Betão-Alcatrão-Viação-Medicamentação-Remuneração-Pensão «Política»)? «O Orçamento para 2013 não deixará ninguém de fora do esforço coletivo para o nosso ajustamento e traduzirá uma visão global de repartição dos sacrifícios. Incluirá medidas que afetam os rendimentos da riqueza e do capital e que tributam os lucros das grandes empresas, de resto, no seguimento do que foi feito já este ano. Prosseguiremos a nossa política de redução das rendas excessivas que existem na economia e que já abrangeu a indústria farmacêutica, as telecomunicações, as operadoras no mercado da energia e as Parcerias Público-Privadas. Avançaremos rapidamente com a redução de Fundações e do financiamento público de que gozam.»* Tão vago, nada equitativo com a definição muito clara anteriormente referida, na certeza porém que o Primeiro Ministro referiu ao «El Pais» o seguinte: 
«(...) assimetria na distribuição de receitas (...), Portugal tem um dos índices mais altos de desigualdade. Temos que aplicar políticas que permitam uma redistribuição de rendimentos mais equitativa (...)
Se tivéssemos decidido aumentar a pressão fiscal sobre o capital e as fortunas, teríamos um problema de financiamento da economia mais grave do que temos (...)
Não podemos encarar de forma penalizadora os que têm mais capacidade de criar riqueza. Daríamos um sinal errado (...)»
Mas senhor Primeiro-Ministro, têm receio da fuga dos vossos apoiantes que recebem rendimentos muito elevados? Não se trata de empresas e investidores externos relevantes para a criação de Valor! Não! Trata-se de Administradores e Directores de Oligopólios. Não se preocupe, não há fuga de capitais e muito menos de pessoas. Irão continuar a parasitar a Nação enquanto os deixarem. Não podem aumentar a pressão fiscal sobre esses rendimentos de pessoas singulares? Com base nas estatísticas da Autoridade Tributária (http://info.portaldasfinancas.gov.pt), criámos este quadro que relaciona por escalões de rendimento, os Rendimentos Brutos Liquidados, O IRS Liquidado e o N.º de Agregados Familiares: 

Poderá reparar senhor Primeiro Ministro e Grupo de Apoio, que estamos por exemplo, a referir-nos aos escalões com rendimentos anuais iguais ou superiores a 100.000 euros (2.359 milhões de euros em 2010), que contribuem menos que o escalão de rendimentos iguais ou superiores a 50.000 euros e inferiores a 100.000 euros (2.936 milhões de euros em 2010) e que têm Rendimentos líquidos de IRS bastante superiores por agregado. A diferença é colossal e não tem sustentação em mérito, por todas as razões que já salientámos neste weblog, com excepções obviamente.

Preocupados com o Desemprego? O senhor e o seu Grupo são catalisadores de Desemprego com os vossos excessos na contenção da Procura Interna por via do aumento das taxas do IVA e da redução de rendimentos de empregados-pensionistas privados e públicos, sem uma clara estratégia de apoio às empresas que criam Valor para a Nação e para o Mundo! Já actuaram efectivamente sobre os «custos de contexto»? Houve uma actuação correcta na prevenção e reacção a Incêndios florestais, por exemplo, para salientar uma recente incompetência? Diminuir a contribuição para a segurança social do empregador suportada pelo aumento da contribuição dos empregados para o mesmo valor de 18% não vai resolver os problemas de mercado, pelo contrário vai agravá-los nas suas dimensões internas. As empresas vão criar emprego e investir por causa dos menores custos com os empregados? No mercado interno não é esse o factor decisivo, diminui o risco económico sim, mas quando os mercados estão tão condicionados as empresas têm mesmo que reduzir o emprego, mesmo que tivessem acesso a crédito bancário. No mercado externo e na captação de investimento externo, é um apoio, mas também não é decisivo, já temos remunerações baixas por relação com o nosso relativamente baixo valor acrescentado. Temos ganho quotas de mercado porque temos produtividade, qualidade, prazo de entrega, flexibilidade, factores de competitividade nas nossas empresas, para os quais este Governo não contribuiu com nada, sendo tudo mérito das Empresas e de apoios anteriores às mesmas. E se falharem os mercados externos? Para que situação é que estão a arrastar Portugal com a sua excessiva carga sobre os rendimentos médios e mais fáceis de confiscar? A profunda Reforma do Estado, que inclui a efectiva regulação dos mercados em que existe excesso de poder de oligopólios, que implicam rendas-custos excessivos para as Empresas e Famílias, era muito mais importante!  

Perdeu uma oportunidade de ficar na História de Portugal como um reformador do Estado! Foram pelos caminhos mais fáceis e covardes de diminuir o Valor dos Empregados que têm retidos os seus rendimentos na «fonte», a grande maioria que votou no seu partido político e no seu aliado, iludida com a «mudança eleitoral» ...

A propósito de aliado, líder do CDS, o aumento das contribuições para a segurança social são equivalentes a um aumento de impostos sobre o rendimento em termos de Rendimento Disponível, vai haver um aumento da carga do Estado sobre a Nação! Onde estão os vossos limites que foram badalados nos «media»?

O eleitorado não vos vai perdoar PSD e CDS, tanta arrogância, tanta certeza, tanta falsidade e hipocrisia, tanta subserviência ao exterior, tanta incompetência e o de não estarem preparados para governar Portugal na defesa dos seus reais interesses. Mantiveram o que estava mal e prejudicam o que estava bem. Já fizeram o exercício de calcular os milhões de euros mal gastos no vosso efémero mandato? O Ministro das Finanças podia informar o País, não? O problema era apenas do anterior Primeiro-Ministro e do seu Grupo? Que apoio comprometedor dos vossos «aliados» da «esquerda não democrática», que convosco alegre e levianamente rejeitaram o «PEC IV»?

Senhor Primeiro Ministro qual é o número romano deste «PEC» que nos está a anunciar? Não queriam mais «PEC», diziam ... o que queriam era poder, o pouco poder que o Governo ainda tem em Portugal, mas que ainda permite gastar milhões inúteis para a Nação e fazer negócios nas privatizações. As notícias sobre a EDP e REN são preocupantes. 

Diminuíram as necessidades de financiamento da Economia Portuguesa. Sem dúvida. Mas tal como foi enchido artificialmente o balão anteriormente, agora foi esvaziado e que é o Governo fez para que o Mercado Interno possa se desenvolver de uma forma sustentada? Está a pensar enchê-lo de novo? Diminuir o Valor dos Empregados não é a solução. A solução passa por valorizar e cultivar as Pessoas  da Nação, sejam elas empresária(o)s, artistas, cientistas, professora(e)s, aluna(o)s, funcionária(o)s privados ou públicos, médica(o)s, ... para que criem mais Valor para a Nação e para o Mundo, sendo o Estado um incentivador, regulador e não um bloqueador e parasita, fomentador de jogos de soma nula ou negativa.

Forte com os fracos, fraco com os fortes este Governo merece ser derrubado democraticamente, logo que seja possível!

Continuamos a ter um potencial por realizar, que é reconhecido por toda(o)s! Levantemos bem alto o nosso real Valor querida(o)s Portuguesas e Portugueses!   

A História registará esta triste e hipócrita «Comunicação do Primeiro-Ministro aos Portugueses» em 7 de Setembro de 2012*:

«Portugueses, boa noite.

Estamos agora a concluir os trabalhos da quinta revisão relativa ao Programa de Assistência Económica e Financeira. O calendário determinou que a quinta revisão coincidisse com os trabalhos preparatórios da proposta de Orçamento para 2013. Nem todos os assuntos em discussão durante esta revisão regular estão já encerrados. Quando isso suceder, haverá, como é habitual, uma comunicação geral do Governo sobre todos os trabalhos que tiveram lugar nestes últimos dias. Mas neste momento não queria deixar de vos transmitir, como sempre garanti que o faria, algumas decisões que já foram objeto de acordo e que se revestem de uma grande importância para todos nós. 

Quero falar-vos com a mesma franqueza com que sempre vos falei, sem rodeios e com o realismo que cidadãos livres e responsáveis merecem dos seus representantes políticos e que a seriedade da situação atual exige. 

A emergência financeira nacional em que o País foi mergulhado em 2011 ainda não terminou. Os problemas que enfrentamos começaram a ser vigorosamente atacados mas ainda não estão dominados. Por outro lado, a nossa tarefa não tem sido facilitada pela crescente incerteza e degradação financeira na Europa de quem estamos muito dependentes. Da nossa parte, fizemos, e estamos a fazer, o que é necessário. É a nós que cabe desfazer os danos que foram infligidos durante muito tempo à nossa economia. É uma tarefa árdua e longa, em que muitas das decisões só produzem efeitos com o passar de algum tempo. Mas em resultado das nossas políticas e das nossas ações, com os esforços notáveis dos Portugueses, com a sua clarividência e paciência, podemos dizer que já começámos a reduzir substancialmente alguns dos perigos e riscos que nos ameaçavam. 

Hoje, já podemos reconhecer resultados das nossas escolhas que aumentaram consideravelmente a nossa estabilidade e a nossa resistência. Estamos a reduzir o nosso défice externo mais rapidamente do que foi previsto e a diminuir a dependência da nossa economia relativamente ao financiamento estrangeiro.

Hoje, é fácil contrastar o profundo ceticismo de que Portugal era alvo na comunidade internacional com o voto diário de confiança que depositam em nós. Somos agora vistos pelos nossos parceiros internacionais e pelos agentes da economia global como um País confiável e merecedor de apoio, e a nossa reputação no exterior é incomparável com a que gozávamos há cerca de ano e meio. Este ativo tem consequências diretas na vida dos Portugueses, como nos demos conta quando no passado o delapidámos, quer mais recentemente quando efetuámos vários leilões de dívida pública a juros mais baixos aliviando os encargos de todos os contribuintes no financiamento do Estado. 

Tudo isto é uma obra coletiva que mobilizou e mobiliza todos e cada um de nós. Uma obra de uma comunidade nacional que tem razões para deixar de duvidar de si mesma. Estou certo que neste ponto até os mais céticos concordarão.

Contudo, temos de estar conscientes de que esses resultados não são definitivos, nem os podemos dar por adquiridos. Foram obtidos, não porque a gravidade do nosso contexto interno e externo tenha abrandado, mas porque não nos deixámos vencer pela dimensão e complexidade dos problemas e porque fomos fiéis à nossa estratégia. Os mais recentes desenvolvimentos da política do Banco Central Europeu facilitam o nosso processo de ajustamento e aproximam o nosso propósito de regresso ao financiamento em condições normais de mercado. Mas é um erro grave supor que substituem o esforço de reformar a nossa economia e consolidar as nossas contas públicas. Essas tarefas são nossas, e sem a sua conclusão a ação do Banco Central Europeu não poderá ajudar-nos. Depois das recentes declarações públicas de responsáveis europeus tornou-se mais claro do que nunca que sem o cumprimento do nosso programa não teremos acesso a qualquer mecanismo de auxílio europeu.

Além disso, temos de compreender, com todo o realismo, que ainda subsistem vários focos de risco. É por isso que temos de persistir, com inteligência e determinação, no ataque às causas mais profundas das nossas dificuldades. Em momentos como este, em que ainda estamos a seguir um caminho íngreme repleto de obstáculos mas em que já temos algo de muito precioso a perder, não podemos arriscar os deslizes, as decisões precipitadas e extemporâneas, as hesitações na resposta aos desafios. 
É compreensível que por vezes associemos as medidas que nos impõem sacrifícios a efeitos nocivos sobre a economia. Muitos têm explorado essa associação que parece quase instintiva e declaram que a retração económica e a subida do desemprego se devem à austeridade dita excessiva. Uma das grandes causas do desemprego, sabemo-lo hoje, consiste na dificuldade que as empresas experimentam de acesso ao financiamento. Mas isso é uma consequência direta da rutura financeira que o País sofreu ainda antes de ter começado a execução do Programa de Assistência Económica e Financeira. Uma outra causa reside na reestruturação da economia que está a ter lugar. Há sectores de atividade que no passado cresceram com base em condições e expectativas desajustadas da realidade do País e que sofrem agora uma retração súbita. Como sabemos que uma parte importante da criação de emprego terá de vir do nosso sector exportador, ajudar as empresas portuguesas a competir nos mercados globais é também uma boa política de emprego.

Tanto num caso como noutro percebemos que as causas do desemprego estão nos profundos desequilíbrios que se foram agravando ao longo de vários anos. Como o ponto final nesta sequência insustentável chegou sob a forma de uma ruptura financeira muito grave, nem sequer tivemos tempo para suavizar este processo. É por esta razão, e em nome do sofrimento que atinge tantas famílias, que devemos preparar o País, as suas instituições, as suas estruturas, as suas práticas, para que nunca mais volte a acumular tanta dívida nem a depender tanto de credores. 
Não existem curas rápidas que substituam a preparação cuidadosa e paciente do crescimento económico. Mas podemos agir com rapidez para aliviar e estancar o aumento do desemprego. Começámos a fazê-lo com políticas ativas de emprego, como o programa Vida Ativa ou o recentemente instituído Impulso Jovem, dirigido às camadas mais jovens da população ativa. São programas desenhados para incentivar a contratação, para facilitar a transição para o mercado de trabalho sobretudo dos mais jovens e dos desempregados de longa duração, mas também para ajudar quem está desempregado a obter experiência e qualificações em ambiente de trabalho nas empresas e nas instituições e que assim lhes serão realmente úteis no seu percurso profissional. Porém, agora temos a oportunidade de dar um enquadramento mais sólido e mais alargado a essas políticas ativas de emprego. 
Recentemente, o Tribunal Constitucional pronunciou-se sobre algumas normas do orçamento de 2012. O Tribunal Constitucional sublinhou sem margem para qualquer equívoco que a tarefa de responder à emergência financeira através do cumprimento das metas estabelecidas no memorando de entendimento é de "excecional interesse público ". Deixou claro para todos que a emergência que enfrentamos é ameaçadora para o nosso modo de vida e que, nesse contexto, se justificam respostas públicas que, em circunstâncias normais, não seriam adoptadas. Mas considerou que a “diferença no grau de sacrifício” que o orçamento traduzia era excessivamente acentuada e punha em causa a "igualdade na repartição dos encargos públicos". Assim, na decisão do Tribunal Constitucional a lei do orçamento para 2013 deveria conter uma outra combinação de encargos e de sacrifícios que não poderia, no entanto, ser confundida com a igualdade estrita, já que isso equivaleria a tratar de igual modo aquilo que era objetivamente diferente.

O que propomos é um contributo equitativo, um esforço de todos por um objetivo comum, como exige o Tribunal Constitucional. Mas um contributo equitativo e um esforço comum que nos levem em conjunto para cima, e não uma falsa e cega igualdade que nos arraste a todos para baixo. O orçamento para 2013 alargará o contributo para os encargos públicos com o nosso processo de ajustamento aos trabalhadores do sector privado, mas este alargamento tem diretamente por objetivo combater o crescimento do desemprego. Como sabemos, é esta a grande ameaça à nossa recuperação e é esta a principal fonte de angústia das famílias portuguesas. Foi com este duplo propósito que o Governo decidiu aumentar a contribuição para a Segurança Social exigida aos trabalhadores do sector privado para 18 por cento, o que nos permitirá, em contrapartida, descer a contribuição exigida às empresas também para 18 por cento. Faremos assim descer substancialmente os custos que oneram o trabalho, alterando os incentivos ao investimento e à criação de emprego. E fá-lo-emos numa altura em que a situação financeira de muitas das nossas empresas é muito frágil. 

A subida de 7 pontos percentuais na contribuição dos trabalhadores será igualmente aplicável aos funcionários públicos e substitui o corte de um dos subsídios decidido há um ano. O subsídio reposto será distribuído pelos doze meses de salário para acudir mais rapidamente às necessidades de gestão do orçamento familiar dos que auferem estes rendimentos. Neste sentido, o rendimento mensal disponível dos trabalhadores do sector público não será, por isso, alterado relativamente a este ano. O corte do segundo subsídio é mantido nos termos já definidos na Lei do Orçamento de Estado para 2012. No caso dos pensionistas e reformados, o corte dos dois subsídios permanecerá em vigor. A duração da suspensão dos subsídios, tanto no caso dos funcionários públicos, como no dos pensionistas e reformados, continuará a ser determinada pelo período de vigência do Programa de Assistência Económica e Financeira.

A nossa intenção de proteger os trabalhadores com menores rendimentos, tanto do sector público como do sector privado, será naturalmente renovada através de um esquema de proteção adequado e proporcional. Esta proteção deverá adquirir a forma de um crédito fiscal em sede de IRS por via do qual os trabalhadores de mais baixos rendimentos vejam diminuir o valor do imposto a pagar ou, nada tendo a pagar, possam receber o mesmo valor da compensação respectiva. Teremos, no entanto, a oportunidade de discutir com os parceiros sociais o melhor modo de discriminar positivamente estes trabalhadores. 

Precisamos de estancar o crescimento do desemprego com soluções que nos deem garantias de sucesso. Reduzindo o valor das contribuições a que as empresas estão obrigadas e pondo em marcha um processo de “desvalorização fiscal” alcançamos vários objetivos em simultâneo. Reduzimos custos e tornamos possível uma redução de preços que, no exterior, torne as empresas mais competitivas nos mercados internacionais, e, dentro das nossas fronteiras, alivie os orçamentos das famílias. Neste aspeto, as empresas terão um papel muito importante a desempenhar ao fazerem refletir estas novas condições em benefícios para todas as pessoas. Além disso – e penso aqui muito em particular na situação das pequenas e médias empresas, que são responsáveis pelo maior volume do emprego no nosso País –, libertamos recursos para a tesouraria das empresas com maiores dificuldades, impedindo o seu encerramento extemporâneo, aumentamos os recursos para o investimento e para a contratação de novos trabalhadores, e eliminamos desincentivos a esta contratação. Melhorando a posição financeira e competitiva das empresas tornamos mais fácil o seu acesso ao crédito, no que pode ser o início de um novo ciclo virtuoso no financiamento à economia.


O Orçamento para 2013 não deixará ninguém de fora do esforço coletivo para o nosso ajustamento e traduzirá uma visão global de repartição dos sacrifícios. Incluirá medidas que afetam os rendimentos da riqueza e do capital e que tributam os lucros das grandes empresas, de resto, no seguimento do que foi feito já este ano. Prosseguiremos a nossa política de redução das rendas excessivas que existem na economia e que já abrangeu a indústria farmacêutica, as telecomunicações, as operadoras no mercado da energia e as Parcerias Público-Privadas. Avançaremos rapidamente com a redução de Fundações e do financiamento público de que gozam.

Na ponderação das diferentes possibilidades de resposta afirmativa e eficaz a todos estes desafios quisemos ser ambiciosos. Ao mesmo tempo, rejeitámos outras alternativas que, de uma forma ou de outra, se resumiam ao aumento generalizado de impostos. Rejeitámo-las porque se encarregariam de aumentar o fardo já bastante pesado da nossa economia e comprometer as nossas perspectivas de recuperação. Com estes contornos, o Orçamento de Estado para 2013 será um orçamento ainda de resposta à emergência financeira e à situação excecional que ela criou. Pedirá sacrifícios, mas será ousado e ambicioso.

Meus caros Portugueses,
Permitam-me que resuma em poucas palavras aquilo que está em causa nesta decisão. Para nós, o desemprego atingiu uma dimensão que não podemos tolerar. Ninguém pode julgar que o nosso maior problema se resolve sem escolhas difíceis e ambiciosas. É meu dever como Primeiro-Ministro adoptar a solução que realmente o pode resolver.

Não se pode eleger o desemprego como a nossa maior ameaça económica e social e depois hesitar naquela que é uma das poucas ou mesmo a única medida que oferece garantias de a combater decisivamente. E por isso vos peço: não acreditem nas pequenas soluções, nas soluções indolores, para os nossos problemas mais graves. Não se deixem tomar pela complacência de quem pensa que temos todo o tempo do mundo, ou de quem defende que já fizemos tudo o que era necessário para vencer a crise e que agora deverão ser os outros a fazer o resto. O que precisamos de fazer para reganhar a nossa autonomia no futuro não é fácil, mas está ao nosso alcance se soubermos redobrar a vontade e a ambição necessárias.
Muito obrigado»

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

OLIGOPÓLIO - OLIGOPOLIUM - OLIGOPOLY


 Representado por jogo de Xadrez para 4 jogadores (WOW Toys Inc)

Oligopólio, significante com origem no Grego (ὀλίγοι-oligoi + πωλεῖν-polein / poucos + vender / few + to sell), tem o seguinte significado: mercado controlado por poucos actores, jogadores, empresas, grupos (market under control of few players, companies, groups), que tem como exemplos as seguintes actividades económicas:

- Energia (Combustíveis, Electricidade) - GALP Energia (Portugal, Angola), BP (UK, USA), REPSOL (Spain), CEPSA (Adu Badhi), EDP (Portugal, China), ENDESA (Spain);
- Telecomunicações-Multimedia - PT (Portugal), ZON (Portugal, Angola), SONAECOM (Portugal);
- Correios - CTT (Portugal), DHL (Deutsche Post - Germany), UPS (USA), CHRONOPOST (France);
- Transportes aéreos - TAP (Portugal), IBERIA (Spain), AIR FRANCE (France), BRISTISH AIRWAYS (UK), LUFTHANSA (Germany), EASYJET (UK);
- Automóvel (Construtores) - VOLKSWAGEN (Germany), BMW (Germany), PEUGEOT-CITROÊN (France), RENAULT (France), FIAT (Italy), GENERAL MOTORS (USA), FORD (USA);
- Saúde (Laboratórios Farmacêuticos) - BOEHRINGER INGELHEIM (Germany), MERCK (Germany), NOVARTIS (Switzerland), HOFFMAN LA ROCHE (Switzerland) , PFIZER (USA), MERCK (MSD - USA), JOHNSON AND JOHNSON (USA), GLAXO SMITH KLINE (UK), ASTRAZENECA (UK), SANOFI (France)
- Cimento - CIMPOR (CARMAGO CORREIA - Brazil), SECIL (SEMAPA - Portugal)
- Instituições Financeiras - CGD (Portugal), BES (Portugal), BPI (LA CAIXA - Spain, ALLIANZ - Germany), BANCO SANTANDER (Spain), BANCO POPULAR (Spain), BCP (Portugal), BARCLAYS (UK), DEUTSCHE BANK (Germany).


Vamos abordar a ligação entre o oligopólio dos Combustíveis líquidos internacional, em Portugal e o «monopólio» da tributação concentrada no Estado Português - União Europeia.

«A margem de refinação da Galp Energia foi de Usd 1,7/bbl no primeiro semestre de 2012 face a Usd 0,8/bbl no período homólogo de 2011; no segundo trimestre a margem de refinação atingiu os Usd 2,5/bbl face a Usd 0,6/bbl um ano antes, uma subida influenciada pela evolução positiva das margens de refinação nos mercados internacionais». (GALP ENERGIA Resultados no Primeiro Semestre e Segundo Trimestre de 2012)

A unidade bbl significa barril (barrel) de petróleo cru e equivale na referência britânica a 159,11315 litros (l). Conforme poderemos observar no quadro seguinte, o custo do petróleo para as refinadoras baixou de 124,63 usd$/bbl (94,40 €/bbl) na média de Março de 2012 para 96,29 usd$/bbl (76,94 €/bbl) na média de Junho, o que significa uma quebra de 0,783 usd$/l para 0,605 usd$/l (de 0,593 €/l para 0,483 €/l), -18,5%. Mas a redução no preço de retalho da Gasolina sem chumbo de 95 octanas antes de impostos em Portugal foi bastante menor, de 0,782 €/l para 0,727 €/l (-7%), determinado pelo oligopólio em Portugal, em contraste com o preço de referência à saída das refinarias europeias (oligopólios internacionais) que passou de 0,660 €/l para 0,560 €/l (-15,1%), variação mais próxima da redução da matéria-prima.

Os retalhistas ganham uma % da quantidade vendida em litros, sendo os preços determinados pelo oligopólio, o que cria um desfasamento de interesses: os retalhistas são prejudicados por preços muito elevados que são mais um factor para a forte diminuição da procura, que se tem vindo a assistir em Portugal, na Europa.

Mas que actores (players) tem este Oligopólio? É um oligopólio dominado por companhias sedeadas em Portugal (GALP) e Espanha (REPSOL e CEPSA), com a participação adicional da BP, os únicos grupos com refinarias na Península Ibérica, um «oligopólio ibérico» com ligações aos oligopólios internacionais e com as seguintes posições-quotas de mercado: 
1 - A GALP detem as únicas duas refinarias existentes em Portugal (Sines e Matosinhos), determina importações e tem uma quota de mercado em volume, segundo a Autoridade da Concorrência, de 56,3% nas autoestradas (2010 acumulado de Agosto), entre 30 e 35% de quota no mercado retalhista (1.º semestre de 2010), cerca de 50% de quota do mercado grossista em Portugal e cerca de 15% na Penísula Ibérica segundo o Grupo;
2 - A BP com uma refinaria em Espanha, detinha 16,2% de quota de mercado nas autoestradas portuguesas e entre 15% e 20% no mercado retalhista de Portugal (1.º semestre de 2010);
3 - A REPSOL tinha 18,3% de quota de mercado nas autoestradas e entre 15% e 20% de quota no mercado retalhista;
4 - A CEPSA detinha 9,3% de quota em autoestradas e entre 5% e 10% no mercado retalhista.

A concorrência ao aparente Cartel ibérico, tem-se exercido por via dos Grupos de Grande Distribuição Retalhista (SONAE, AUCHAN, LES MOSQUETAIRES) com preços mais baixos e com 18% de quota de mercado (1.º semestre de 2010), com os retalhistas independentes dos Grandes Grupos a terem apenas uma quota de 9%.

Será um Cartel informal? O significante Cartel foi pela primeira vez utilizado na obra de Fridrich Kleinwächter «Die Kartelle» (1883) e poderá ter origem na palavra latina «charta», papel. É uma tendência pesada em mercados olipolísticos, até agora negada como concretizada pela Autoridade da Concorrência, sustentada em vários estudos e relatórios periódicos. É claramente favorável para o Oligopólio uma partilha de poder limitadora do grau de rivalidade, que permita a existência de preços e margens mais favoráveis, mesmo que não existam acordos explícitos ou mesmo secretos.
Aqui apenas poderemos continuar a salientar alguns sintomas: se observarmos o quadro com a evolução dos preços de retalho antes de impostos (€/l) da gasolina 95, podemos verificar que os valores são muito semelhantes em Portugal e em Espanha, com médias no período de Junho de 2011 a Julho de 2012 (14 meses) de 0,713 para Portugal e 0,711 para Espanha, com aumentos de 7,2% e 7,6% respectivamente, dos mais elevados dos 20 maiores países da Europa, com preços médios em  Julho de 0,730 em Portugal e 0,725 em Espanha , ao nível dos da Itália (0,727) e só mais baixos que os da Irlanda (0,732), Bélgica (0,740) e Dinamarca (0,765).
É ao nível dos impostos que a situação se agrava ainda mais para os consumidores em Portugal e se suaviza para os clientes em Espanha, que determinam diferenças brutais e em continuidade histórica entre os preços dos dois países fronteiriços: 0,887 de impostos em Portugal, 0,677 em Espanha, uma diferença de 0,21 €/l que implica uma diferença de preços depois de impostos de 1,617 para 1,402 (0,215 €/l). Os impostos só são mais elevados nos países Escandinavos e das Ilhas Britânicas, na Bélgica, Holanda e Alemanha, na Itália e na Grécia.

O Estado Português parasita ligado a oligopólios dos combustíveis cria uma mistura explosiva para a Nação Portuguesa, com ou sem cartel. O jogo de soma negativa ou nula do poder exercido para além dos limites é uma omnipresença de muitos séculos ... Quase tudo de acordo com os poderes instituídos, com a consequente legalidade legitimadora, mas quase tudo imoral e desfasado dos interesses da Nação, do interesse de todos em última instância. Quando são detectadas ilegalidades a impunidade impera: o recente caso do BPN parece evidente, com muita ilegalidade e imensa imoralidade que atinge todos os jogadores intervenientes activos ou passivos, com mais valias irreais, não sustentadas em criação de valor, mas sim na arbitrariedade de venda e compra por parte de actores com ligações de confiança, segundo foi noticiado nos «media». Tudo desaguou em fortes menos valias e buracos financeiros nacionalizados! As pseudo mais valias tornaram-se menos valias nacionais! No mínimo deveria haver a humildade de o reconhecer e de compensar a Nação por tudo o que foi feito. A Nação essa paga tudo em impostos, em juros, em humilhação perante o Exterior ... 


 



  

sábado, 18 de agosto de 2012

OLIGARQUIA - OLIGARCHIA - OLIGARCHY


 Representada por um Xadrez circular para três pessoas de «3 Man Chess - http://www.3manchess.com»

Significante que vem do Grego ὀλίγος (olígos), que significa poucos («a few»),  e ἄρχω (archo), que significa governar («to rule»): o governo exercido por poucos, o poder concentrado em poucas pessoas/grupos. 


O Grande Pedagogo e Historiador Augusto Reis Machado, nascido em Lisboa em 1887, Professor e Metodólogo do Liceu Pedro Nunes, de entre a sua vasta Obra sobre a Nação Portuguesa, publicada e não publicada, apresenta-nos no seu elucidativo e excelente texto «Dê-se Consciência à Nação» (1923) o «Problema» do «regime oligárquico-parasitário», que domina Portugal há cerca de V séculos, bem como a resposta cultural para a tendente solução desse problema: «Dar-se consciência à Nação»! 


AUGUSTO REIS MACHADO

«DÊ-SE CONSCIÊNCIA À NAÇÃO»[1]

Passou a época da torrente do ouro das conquistas, e só ficaram os hábitos de luxo da capital, e preguiça dos povos senhores, e indolência e miséria; mas o que tinha até agora o triste remédio no suor dos escravos, só pode achar remédio no trabalho dos senhores.

                                              Mousinho da Silveira


O liberalismo pouco mais tem sido, em Portugal, que um sistema de exploração a favor duma dúzia de políticos conluiados com outra dúzia de banqueiros… oligarquia de políticos, banqueiros e jornalistas que pôde enxertar-se, numa vegetação parasitária, à crosta dum país escanzelado.

                                  Silva Cordeiro


Entre nós há um facto que convém estudar: a existência dum povo, por cuja educação os governos… quase nada fizeram até hoje, e que todavia tem boas qualidades, que contrastam por vezes singularmente com as dos chamados dirigentes.

                                  Adolfo Coelho


As formas de governo são boas ou más consoante o valor dos homens que as põem ao seu serviço.

A. Croiset.
                                                          
                                                          
                                                           As verdadeiras riquezas dum Estado são os homens.
                                              
                                                                                              Bossuet.


  
         «Em Portugal há um importantíssimo problema a resolver, problema que lhe é muito próprio, que domina toda a sua vida e se faz sentir em todas as suas manifestações.
         É o problema da existência duma organização político-social caracterizada pelo predomínio de vários grupos de indivíduos, que exclusivamente tratam dos seus interesses em detrimento dos interesses gerais. Esta organização é bem conhecida em história: é o chamado regime oligárquico-parasitário.
         Tem dado cabo de várias sociedades: a ateniense, a cartaginesa, a romana… Tomou conta de Portugal há cerca de quatro séculos; desde então domina-o, apesar de todas as revoluções, e se Portugal não fosse tão robusto, não tivesse tantas e tão boas qualidades, já teria desaparecido. Tem feito com que, há muitos e muitos anos, a vida seja mais cara e pior do que na maior parte dos outros países, com que o ouro brasileiro e os empréstimos do Estado (e tão numerosos e avultados têm sido!), em vez de largamente beneficiarem a nação, tenham desaparecido numa formidável voragem, mal deixando umas escolas, uns caminhos de ferro, umas pontes, umas estradas…
         Vejamos como.
         Pela exploração erigida em exemplo. A exploração rendosa, fortemente rendosa sem grande trabalho, sem grande risco, realizada por um reduzido número de indivíduos que, através os tempos e sob designações diferentes, têm conseguido, mais ou menos, amontoar fortunas: a exploração do Estado, a exploração do povo, a exploração do preto, a exploração do emigrante… E assim, (em face do exemplo vindo de alto), o ideal da maioria dos portugueses passa a ser também explorar: explorar o emprego público, explorar o patrão, explorar o caixeiro, explorar o freguês, explorar o rendeiro, explorar o inquilino, explorar o proprietário, explorar o aluno, explorar o professor… explorar, explorar, explorar. Triste hierarquia de exploradores!
         Aqueles indivíduos, a quem se pode dar o nome comum de capitalistas, têm tido nos países verdadeiramente civilizados uma função utilíssima. Pelos seus vastos empreendimentos, pelas suas rasgadas iniciativas têm contribuído para a abertura de canais, túneis, aproveitamento de quedas de água, de minas, arroteamento de terrenos, etc. etc., e, não contentes com isso, como querendo dar ao país a que pertencem satisfação pelas fabulosas quantias assim obtidas, fundam hospitais, asilos, bibliotecas, universidades… Mais ainda, contribuem também, embora indirectamente, para que colabore em tamanha obra, sinta o poder criador e transformador do homem, uma enorme massa de gente (o proletariado) que, mercê da desproporção entre os lucros recíprocos, tem travado uma incessante luta em que se vai educando na conquista sucessiva de maiores regalias e de maior justiça.
         E porque não sucede o mesmo em Portugal?
         Porque Portugal perdeu há cerca de quatro séculos, após os descobrimentos e conquistas ultramarinas, as condições normais da vida social. E os novos moldes e o novo espírito que a civilização foi elaborando não puderam ser assimilados devidamente pelo viciado organismo português. Nele não existe, portanto, fortemente vividos, a noção dos direitos e deveres inerentes a uma sociedade moderna normal, o sagrado respeito pela personalidade humana. E por consequência domina o espírito explorador, antítese de tal atitude.
         Vindos, aliás de longe, aquela noção e aquele respeito, definiram-se, precisaram-se, completaram-se sobretudo nos séculos em que Portugal, alheado do mundo europeu, parasitava…
         Consequentemente não existem em Portugal elites directivas (os que as deviam, por natureza, constituir, encontram-se, na generalidade, ao serviço das oligarquias), não existe uma opinião pública consciente, uma atmosfera moral que a todos imponha uma atitude caracteristicamente humana, que eleve os portugueses na pura e plena espiritualização duma superior obra a realizar. Não existem as reacções morais conscientes, enérgicas, persistentes, debeladoras das crises que, por vezes, impelem as sociedades para a corrupção, para a desvergonha. Não existe, em suma, uma vida verdadeiramente espiritual, como nos Estados-Unidos, na Inglaterra, na França, na Alemanha, na Itália, na Bélgica, na Holanda… que num mesmo sentido colectivo superior, faça convergir todas as actividades da nação, submeta, domine os prevaricadores.
         Qual o remédio?
         Dar consciência à nação. Afastá-la da triste crença em elixires salvadores, que pretendentes ao poder, bem ou mal intencionados, lhe inculcam, e levá-la a intervir enérgica e inteligentemente na vida política, a impor-se aos governantes de forma que o Estado deixe de ser um instrumento de interesses particulares, mas o genuíno representante do interesse colectivo, impor-se não por meio de bombas, canhões ou baionetas, mas por meio do jornal, do livro, do folheto, da conferência, do comício (armas quase só manobradas até hoje, em Portugal, pelos oligarcas e seus serventuários), impor-se em suma, por meio dum movimento nacional dos espíritos, forte, consciente, profundo, superior a todos os partidos, seitas, bancos ou companhias, que parta do que há de melhor na sociedade portuguesa, dos que são explorados e não exploram, dos que honestamente vivem do seu trabalho, dos que sentem o que há de espiritual na vida. Só um movimento com este carácter pode fazer desaparecer a organização oligárquico-parasitária que esmaga Portugal e transformá-lo numa sã, próspera, verdadeira democracia, considerada como o regime em que os membros duma colectividade intervêm conscientemente no governo dessa colectividade.
         Nefelibatismo? Utopia?
         É assim que nos países civilizados, sobretudo nos tempos modernos, têm sido resolvidos, os mais graves problemas. Tudo o mais?
         Panaceias vãs. Os princípios, as doutrinas não passam de letra morta quando os homens que os representam não são verdadeiramente Homens.»




[1] Publicado pela primeira vez na «Alma Nova» de Setembro de 1923. 
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terça-feira, 14 de agosto de 2012

IMPORTAÇÃO - INVECTIO - IMPORT


 Representada por Jogo de Batalha Naval de soma negativa- Bellum Navis Ludum de negative summa - Battleship game of negative sum

Fizemos um jogo de palavras no jogo «batalha naval» para ilustrar os jogos de soma negativa que se realizaram antes dos «Programas de Assistência Financeira» à Grécia (2010) e a Portugal (2011). Os grandes financiadores do empolamento das despesas desses Países periféricos, são os seus principais beneficiários. Os submarinos ironicamente entregues e pagos em plena «crise do euro», são um exemplo dos excessos cometidos, a que se deve juntar as perversas acções de marketing dos laboratórios farmacêuticos que exploraram até à exaustão um «Serviço Nacional de Saúde» tendencialmente gratuito, com comparticipações elevadíssimas nos medicamentos por  parte do Estado, que iam parar em parte ao lixo e à acumulação de dívida pública. Todo esse desperdício foi gora refinanciado pela «Troika» para que o Estado procedesse ao pagamento dessas dívidas aos laboratórios. Os automóveis tinham uma presa fácil nos Portugueses desejosos de exibirem o seu status e a sua pseudo liberdade por via desses veículos. As responsabilidades são em primeiro lugar de Portugal, mas a Alemanha não pode vir agora com um discurso moralista, como se o problema fosse apenas dos Países que despenderam acima do que faria sentido, a Alemanha também induziu e beneficiou, no caso dos submarinos com corrupção assumida pela Justiça Germânica (http://www.bloomberg.com/news/2011-12-20/ferrostaal-fined-183-million-by-court-at-ex-managers-trial.html), que envolve pessoas com responsabilidades num dos grupos do «German Submarine Consortium» (GSC), a FERROSTAAL que rima com Portugal, controlada pela MAN, que de acordo com a Bloomberg (http://www.bloomberg.com/news/2011-11-28/man-settles-ipic-ferrostaal-dispute-for-350-million-euros-2-.html) a alienou posteriormente, voltou a adquirir a quem a alienou, para depois a alienar de novo. As ramificações dessa corrupção se é que existiram, não as conhecemos, será matéria para a Justiça Portuguesa, mas foram recentemente objecto de notícias nos media relativamente a um hipotético desaparecimento de documentos relativos ao processo de aquisição dos submarinos. As questões legais são obscuras, mas as questões morais são claras:
Esta mesma coligação (PSD/PPD-PP/CDS) decidiu em 2003 uma aquisição de submarinos no valor de 880 milhões de euros que é imoral, num contexto derrapagem das contas públicas induzida pelos anteriores governos do PSD e do PS, como foi imoral o comportamento do Primeiro-Ministro da altura que apoiou causas que eram imorais e como «prémio» abandonou o País e foi colocar-se na posição de Presidente da Comissão Europeia. Não esquecer que a coligação da altura ganhou as eleições a dizer que não ia aumentar os impostos e aumentou-os, o posterior governo do PS fez o mesmo e a actual coligação o mesmo fez. Sempre o caminho mais fácil, tributar em vez de reformar profundamente o Estado: a Nação está cansada!

As estatísticas do INE das importações de mercadorias relativas ao 1.º semestre de 2012 são elucidativas relativamente à forte dependência do petróleo (combustíveis), que explica 21% (5.887 M€) do total de 28.033 M€, com um contributo de +799 M€ relativamente ao 1.º semestre de 2011, quando as importações com as fortes restrições à Procura Interna (Consumo e Investimento) tiveram uma redução bastante significativa de -1.586 M€ na resultante total. Os automóveis tiveram uma quebra de -1.028 M€ e representaram 2.349 M€ (8,4% do total). Os produtos farmacêuticos apesar de todos os «esforços encetados» pelo Governo, aumentaram 2 M€, foram de 1.043 M€ (3,7% do total).



Os principais mercados de importação por parte de Portugal no 1.º semestre de 2012 foram os dos principais países da Comunidade Económica Europeia a 12: Espanha (8.899 M€, 31,7%), Alemanha (3.251 M€, 11,6%), França (1.846 M€, 6,6%), Itália (1.471 M€, 5,2%), Holanda (1.330 M€, 4,7%) e Reino Unido (886 M€, 3,2%), que no seu conjunto representaram 63% do total, com uma redução de -1.438 M€ em relação ao 1.º semestre de 2011 (90,7% do total da diminuição), em que se destaca a Alemanha com -486 M€ 30,7%). 
Logo a seguir surge o mercado de Angola com 855 M€ e com um aumento de 502 M€.
Esse núcleo Europeu que inclui a Bélgica (697 M€, 2,5%, -120 M€) foi o principal beneficiário do forte aumento das importações de Portugal, logo após a sua integração formal na CEE com a Espanha em 1986. 
Como poderemos observar no seguinte gráfico e quadro e conforme afirmámos, a Alemanha lidera as importações de Portugal no período entre 1988 e 2000, sendo em 2001 ultrapassada pela França, e a partir de 2002 essa liderança passa a ser de uma forma cada vez mais destacada,  realizada pela Espanha. 


domingo, 12 de agosto de 2012

EXPORTAÇÃO - EXPORTATIO - EXPORT


 Representação dos Descobrimentos Portugueses junto ao «Padrão dos Descobrimentos» em Lisboa

É a Nação Lusitana que tem o mérito das Exportações Portuguesas estarem a crescer e diversificar os seus mercados, num esforço de décadas realizado pelos seus empresários e trabalhadores, prejudicado tantas vezes pela péssima acção da Sociedade Política ao longo de séculos e décadas, de que são exemplo:
- Descondicionamento e incentivo à Indústria muito tardio;
- Educação e formação das Pessoas, Energia, Telecomunicações e Logística desfasadas das necessidades empresariais;
- Integração na Comunidade Económica Europeia e na Moeda Única Europeia com factores extremamente favoráveis às Importações e desfavoráveis às Exportações. 

Lembram-se dos desincentivos à Agricultura e Pescas? E da defesa de uma paridade elevada do Escudo à entrada? Um dos seus defensores e mentores, um pseudo liberal, defendia na altura uma espécie de selecção de espécies, entre as melhores e as piores empresas: chocante! Agora defende a diminuição das remunerações: as suas? As de certas elites e nomenclaturas sem mérito? As de certos funcionários públicos sem mérito, colocados pelos partidos políticos, por exemplo, que deveriam há muitos anos estar a receber um subsídio social e não uma remuneração com aumentos automáticos? Já agora acrescente as reformas dessas nomenclaturas, elites e funcionários públicos e tem aí uma poupança muito pertinente para a Nação! Pensamos contudo, que não era essa a sua perspectiva, mas sim a de cair mais uma vez sobre os verdadeiros criadores de Valor para a Nação e não sobre os seus absorvedores oligárquicos e/ou parasitários. Que tristeza moral a dos Economistas que apoiaram este Governo ... E dos seus lacaios que agora vêem referir o êxito do Governo com base no aumento das Exportações e na diminuição das Importações. Já agora acrescentem o mérito na vulnerabilização da nossa Economia. Chocante! É de referir que esses Economistas estão bem inseridos na «zona de conforto» do sistema oligárquico-parasitário que prejudica fortemente a Nação Portuguesa. Quem incentivou fortemente as Importações no passado e não se preocupou com as Exportações, partindo do pressuposto que não existiria a actual situação? Quem fomentou fortemente o défice do Estado e a dívida pública? Muitos desses Economistas. Lembram-se do BCP? Era uma maravilha da Natureza? Agora já não é? E o BPN? E o BPP? Tanta transferência de Valor da Nação para a Banca e agora é clara a sua mediocridade no apoio à Nação: como foi possível ficarem tão expostos à Construção, por exemplo? Que avaliação de riscos foi realizada? E agora cortam cegamente o crédito para a criação de Valor quando antes o concediam cegamente? As Exportações estão a ser correctamente financiadas? Ou será que continuam a financiar Importações?

As Exportações da China sofreram um abrandamento abrupto com uma passagem de uma variação homóloga de 8% em Junho para 1% em Julho (relativamente a 2011), com a forte quebra da Procura Europeia (-16%).

As Exportações de Mercadorias de Portugal aceleraram o seu crescimento em Junho em termos homólogos (+9,2%), com um crescimento homólogo de 9% no 1.º semestre de 2012 em relação a 2011 (3% na União Europeia e 27,9% fora da União Europeia).

Quais são os principais Mercados? 
- Na Europa poderemos observar através deste mapa que criámos, que a quebra de -222 M€ no principal mercado de 5.169 M€ (Espanha, 22,6%) é mais que compensada pelas Ilhas Britânicas (Grã-Bretanha +128, Irlanda +8), pelos países do Centro Europeu (Bélgica +122, França +110, Germânia +77, Holanda +58, Dinamarca +21, Suiça +22), do Nordeste (Polónia +17, República Checa +30), do curso do Danúbio (Áustria +19, Hungria +22 e Roménia +17) e do Sudeste Europeu (Grécia +87).

- No Resto do Mundo, com base em outro mapa criado para todo o Mundo, salientam-se os seguintes mercados:
- Em África destaca-se Angola, que com um aumento de 354 M€ atingiu 1.312 M€, mas também Marrocos que atingiu 263 M€ (+73);
- Na América do Norte destaca-se os E.U.A. com 935 M€ (+217);
- Na América do Sul o destaque vai para o Brasil com 288 M€ (+24), Venezuela com 156 M€ (+98) e para a Colômbia com apenas 17 M€ aumentou 11 M€ e possui um grande potencial;
- Na Ásia salienta-se a China com 518 M€ (+309), o Japão com 103 M€ (+16) e a Turquia com 194 M€ (+40).


É interessante fazer a ligação das Exportações com os Descobrimentos Portugueses (ver Mapa de Tokle - Wikipedia http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Descobrimentos_e_explora%C3%A7%C3%B5es_portuguesesV2.png; Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported license) e com a localização de Comunidades Portuguesas no Mundo:


Quais são as principais Mercadorias exportadas por Portugal?

- Máquinas, aparelhos e materiais mecânicos e eléctricos com 3.438 M€ (14,5%) explicam a variação de +405 M€ (20,3%);
Instalações eléctricas industriais EFACEC

- Automóveis com 2.839 M€ (13,4%) deram um contributo de +65 M€ (3,4% do total)
Automóveis produzidos na Fábrica VOLKSWAGEN AUTOEUROPA (Palmela) 

 Combustíveis, 1.955 M€ (8,3%), contribuíram com +580 M€ (30,5% do total)
Gasolina (petróleo refinado pela GALP ENERGIA em Matosinhos e em Sines) 

- Animais vivos, Peixes, Carnes, Lacticínios, Ovos, Frutas, Hortícolas, Cereais (preparados), Azeite e outros óleos alimentares, 1.473 M€ (6,5%), com um contributo de +153 M€ (8,1%)
Azeite extraído das azeitonas, os frutos das oliveiras (Alentejo, Ribatejo, Beira e Trás-os- Montes)


- Ferro, aço e suas obras, 1.243 M€ (5,6%), com um contributo de +108 M€ (5,7%)
Aço (estrutura tubular) fabricada pela FERPINTA (Vale de Cambra)


- Vestuário, 1.124 M€ (5,4%), com um contributo de +35 M€ (1,9%)
Equipamento da Selecção Nacional Feminina de Futebol (Jogadora Edite Fernandes: http://odivelas.wordpress.com/2009/07/20/edite-fernandes-em-entrevista-ao-mundo-portugues/)

- Pastas de madeira; Papel e cartão, 1.069 M€ (4,6%), contributo de -14 M€ (-0,7%)
Papel de escritório (resma) do Grupo PORTUCEL com liderança europeia neste segmento (fábrica de produção integrada de pasta e de papel em Setúbal)


- Plásticos e suas obras, 1.033 M€ (4,5%), contributo de +10 M€ (0,5%)
Mangueiras em plástico (http://www.apip.pt/)

- Calçado, 767 M€ (3,4%), com um contributo de +19 M€ (1%)

Calçado de Senhora

- Móveis e mobiliário, 627 M€ (2,7%), com um contributo de +16 M€ (0,8%)

Estante em madeira (Paredes)

- Borracha e suas obras, 527 M€ (2,4%), com um contributo de +77 M€ (4%)
Pneus Produzidos na Fábrica da CONTINENTAL (Vila Nova de Famalicão) - Foto de Benoit Tessier (Reuters)

- Bebidas, 480 M€ (2%), com um contributo de +38 M€ (2%)
Vinho do Porto (cálice) - A glass of Port wine (foto de Jon Sullivan)

 - Produtos Químicos Orgânicos, 446 M€ (1,9%), contributo de -23 M€ (-1,2%)
Anilina - CUF Químicos Industriais (Estarreja) - Grupo JOSÉ DE MELLO


- Cortiça e suas obras, 442 M€ (1,9%), contributo de +10 M€ (0,5%)

Cortiça extraída de sobreiros da Serra Algarvia (foto de Eulália Botelho)

- Tecidos impregnados e revestidos; Pastas, feltros; Outros têxteis, 448 M€ (1,9%), contributo de -16 M€ (-0,2%)
Têxtil-Lar com pinturas manuais da LAMEIRINHO (Guimarães)


- Metais preciosos, 422 M€ (1,9%), contributo de +186 M€ (9,8%)
Ouro (lingotes)

- Minérios; Cobre e suas obras, 402 M€ (1,7%), contributo de +49 M€ (2,6%)
Cobre - SOMINCOR (Alentejo - Grupo LUNDIN)

- Produtos Farmacêuticos, 331 M€ (1,4%), contributo de +57 M€ (3%)
Fármacos de inalação da HOVIONE (Loures)

- Madeira, 309 M€ (1,3%), contributo de +8 M€ (0,4%)
Segmento de um tronco de teixo (foto de MPF - Wikipedia - Licença Creative Commons http://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/deed.pt)




- Produtos cerâmicos, 288 M€ (1,3%), contributo de +1 M€ (0,0%)

Painel de Azulejos «Rainha Santa Isabel» (VIÚVA LAMEGO Fábrica em Sintra) - Grupo PRÉBUILD



- Vidro, 250 M€ (1,1%), contributo de +1 M€ (0,0%)
 


  






 Garrafa de Vidro Turquesa ATLANTIS(Marinha Grande) - Grupo VISABEIRA

- Aparelhos de Óptica e Fotografia, 221 M€ (1%), contributo de +31 M€ (1,6%)
 





Lente oftálmica ESSILOR (Fábrica em Sintra)


 - Pedra, gesso, cimento e suas obras, 206 M€ (0,9%), contributo de +22 M€ (1,1%)
Mármore (Verde de Viana do Alentejo)